A fissão nuclear é um tema que divide opiniões: Afinal, trata-se de uma boa fonte de energia ou ela apenas tem usos nefastos? Para o professor de Química Paulo Guilherme Campos, do colégio Vital Brazil, de São Paulo (SP), é preciso explicar para os alunos os dois lados da moeda. “Hoje os cientistas já sabem que a energia nuclear é usada nas tecnologias médicas e como grande produtora de energia elétrica. Também é preciso lembrar que essa forma de energia é considerada ‘limpa’, já que produz quantidade mínima de poluentes para a atmosfera e o solo”, afirma o educador. “O questionamento é com a possibilidade de algum incidente, como ocorreu no Japão, em Fukushima, em que uma usina nuclear foi atingida simultaneamente por um violento terremoto seguido de um tsunami”, acrescenta.

Para explicar esse assunto e suas polêmicas para alunos do 2º ano do ensino médio, Campos elaborou um plano de aula com duração prevista para cinco aulas divididas em três etapas: explicação teórica, debates e conclusão/avaliação dos alunos.

1ª etapa: explicação teórica

Para começar as atividades, o professor de Química separa duas aulas para explicar como funciona a fissão nuclear para os estudantes. O processo se dá por meio da quebra do núcleo de um átomo instável em dois átomos menores pelo bombardeamento de partículas, como os nêutrons. A fissão resulta em uma descarga violenta de energia, o que é comumente observado em usinas e bombas nucleares. Para auxiliar nessas aulas, Campos sugere a utilização de vídeos que expliquem como funciona o procedimento da fissão nuclear e também como é o dia a dia nas usinas nucleares, indo além do que é exposto nos livros didáticos.

2ª etapa: debates

Feitas as explicações a respeito da fissão e de seus usos nas usinas nucleares, a sugestão do professor é utilizar mais duas aulas para debater com a turma os lados positivos e negativos desse processo. Cabe aqui analisar alguns casos e acidentes conhecidos, além do que ocorreu em Fukushima, conforme cita Campos: “Desde o início do século XX, a fissão nuclear vem sendo estudada: Como é produzida?; De que forma pode ser utilizada?; Como poderá ter funções ligadas à saúde e ao bem-estar? Essas e muitas outras perguntas foram abruptamente interrompidas pelo uso das bombas nucleares americanas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945”, explica o professor. “A radioatividade produzida por elas impeliu os cientistas a estudarem os danos e os malefícios produzidos à vida humana e à biodiversidade”. Para explicar o ocorrido no Japão, o professor utiliza o documentário da National Geographic 24 hours after Hiroshima (em português, 24 horas após Hiroshima).

O educador também relembra um caso ocorrido no Brasil. “Nosso país também sofreu com um acidente nuclear em Goiânia (GO), em 1986. O fato ocorreu pelo vazamento de Césio-137 que estava em um aparelho de radiografia abandonado em um depósito de ferro-velho. Muitas pessoas foram atingidas, algumas sobreviveram aos ferimentos; outras, não”, relata o professor, que destaca um ponto essencial para o debate: o descarte dos materiais contaminados. “Todo material que foi contaminado, inclusive o entulho das casas, foi colocado em tambores, que parecem não terem sido adequadamente enterrados até hoje”, questiona.

3ª etapa: conclusão

Para encerrar o estudo sobre a fissão nuclear, a última aula é dedicada ao estabelecimento de conclusões a respeito do tema, além da avaliação da participação dos alunos. Segundo Campos, quando ele realizou as atividades com os estudantes, a participação foi muito boa. “Essas aulas despertaram grande interesse pelo assunto, de tal forma que a Química pode ser introduzida de maneira agradável, produzindo verdadeiro conhecimento”, afirma o professor.

 

Matéria publicada na edição de outubro de 2014.

+ Educação
Assine a newsletter mensal e gratuita +Educação e receba ainda mais conteúdo no seu e-mail!