Durante muito tempo acreditou-se na aula expositiva. Pensava-se que o discurso docente, repleto de conteúdos que deveriam ser memorizados, era a forma mais adequada e eficiente para que as pessoas aprendessem. Impossível negar que essa concepção de ensino tivesse alguns méritos, pois era tempo em que se confundiam erudição com sabedoria, citações retidas na lembrança como prova irrefutável de eficiência. Como era essa uma fórmula universal do que se acreditava ser aprendizagem, a avaliação das pessoas pautava-se pela busca de quem mais claramente possuísse e demonstrasse esses requisitos.

Hoje já não se pensa mais assim. O conhecimento mais amplo sobre como a mente humana funciona e experimentos laboratoriais sobre aprendizagem realizados em diferentes países por entidades científicas diferentes desvendaram o verdadeiro segredo da eficiência humana, os fundamentos racionais do que deve abrigar uma verdadeira aprendizagem para transformar o indivíduo, abrindo portas à sua sabedoria e eficiência. Sai do cenário educacional a exposição repetitiva e a memorização automática. Vive-se, sobretudo em países mais avançados educacionalmente, a certeza de que a chave da inteligência e o segredo universal da competência residem na interrogação desafiadora e na reflexão compartilhada. 

O educador que desafia e propõe problemas desequilibra conceitos tidos como prematuramente certos e propõe hipóteses insinuantes e, sobretudo, complementa as descobertas com a reflexão compartilhada pelo grupo. Ele não deixa que as mídias interativas informem para que os tolos memorizem, mas instiga as inteligências, vasculhando as memórias e levando as mentes de seus discípulos à aprendizagem verdadeira, isto é, à transformação de informações em conhecimentos e múltiplos desafios encadeados em sabedorias pragmáticas, incapazes de citações estáticas, mas ávidas em descobertas inusitadas que sustentam o presente e abrem serenas esperanças para o futuro. A interrogação desafiadora e as competências eficientes não representam apenas o alento inspirador de uma nova educação, mas a certeza de que o mundo pode, efetivamente, melhorar. Mas seguramente não é essa uma tarefa fácil: enquanto lá e aqui pontificam, como exceções, os poucos e ousados precursores desse novo amanhã, sobrevive uma colossal manada de búfalos correndo em disparada e pisoteando sementes em direção a lugar nenhum.

 

Artigo publicado na edição de fevereiro de 2015.

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