Nascida na Grécia Antiga, cidadania descrevia a condição do cidadão, ou seja, a pessoa com direitos de participar das instâncias decisórias na polis. Servia também para restringir esse acesso somente a homens livres e proprietários de terras, e foi apontada por Aristóteles como uma forma de construir a felicidade. Como meio de perpetuar essa tradição, as pessoas formadas para exercer cidadania eram homens e filhos de proprietários de terras, que perpetuavam o perfil do cidadão e adequavam conhecimentos escolásticos à demanda da polis. Em Esparta, por exemplo, todos os homens eram treinados desde a infância para a guerra, tornando-se cidadãos quando soldados aptos ao combate. A cidadania se forjou, desde a Antiguidade Clássica, com uma dinâmica de exclusão.

O resgate dessa ideia se deu na Europa moderna dos séculos XVI e XVII, com a constituição dos primeiros Estados nacionais. O filósofo inglês Thomas Hobbes descreveu a cidadania em, pelo menos, duas obras: O leviatã e Do cidadão. Ele defendeu a necessidade da existência do Estado como auge do processo civilizatório, resultado da demanda inevitável por governos sobre a sociedade, devido à natureza humana que, para Hobbes, tende à barbárie. Nesse ambiente social, seria necessário um contrato em que o governante deveria ser inquestionável. O cidadão é, desse modo, um ser submisso e que deve aos governantes e aos demais cidadãos uma série de deveres, enquanto goza de alguns direitos estabelecidos em um contrato social garantidor da civilização, em oposição à barbárie.

Nas primeiras constituições dos Estados modernos, o acesso à cidadania se faz mediante o atendimento de algumas condições básicas, normalmente vinculado à propriedade, reproduzindo a essência excludente dos gregos. Nos séculos XVIII, XIX e XX, as tensões e lutas decorrentes dessa dinâmica alteraram o entendimento de Estado e, como consequência, do que é ser cidadão e o que é cidadania, com reflexos até o presente.

Por um lado, o Estado é entendido como um protagonista que regula as vidas de todos os cidadãos, os quais devem atender a alguns deveres e cumprir direitos, pensamento inspirado em Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Max Weber e na filosofia estruturalista francesa, de grande influência no Brasil. Nesse caso, a educação dos cidadãos é um mecanismo para aperfeiçoar as instituições que resultariam na melhor e mais civilizada sociedade, livre de conflitos. De outro lado, o Estado é entendido como resultado da ação política, protagonista das escolhas humanas e da luta entre classes dominantes e dominadas. Essas são características marcantes dos pensamentos de Karl Marx, Antonio Gramsci e Paulo Freire. O cidadão é, nesse caso, alguém oprimido e dominado, necessitado de libertação para viver ativamente como sujeito da própria vida, não como predicado da vontade de um dominante/opressor. Essa libertação seria, portanto, alcançada somente com a educação para a plena autonomia.

Sem negar a existência de conflitos, porém igualmente sem proposta para que as suas causas deixem de existir, a Unesco promove estudos para difundir a cultura de paz, na qual se buscam evitar confrontos e, quando houver, resolver as divergências de forma não violenta. Para isso, são necessários aspectos como tolerância, respeito aos direitos humanos, às diferenças socioculturais, religiosas etc., espalhando uma ideia de universalidade a ser construída nas relações entre cidadãos e estados em respeito mútuo.

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