Remind, disponibilizado no Brasil pela Fundação Lemann, visa estimular a comunicação na esfera educacional

Conectar professores, pais e alunos e possibilitar que todos trabalhem juntos em prol da educação são alguns dos principais desafios da área na atualidade. Nesse contexto, vale a pena conhecer o Remind, aplicativo que faz sucesso nos Estados Unidos há alguns anos e que recentemente chegou ao Brasil na versão em português. Instalado nos aparelhos e computadores de mais de 1 milhão de professores e 17 milhões de pais e alunos norte-americanos, o Remind pode ser acessado no computador e em tablets ou smartphones com os sistemas Android e iOS. De acordo com a Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos que disponibiliza o aplicativo no Brasil, o Remind tem como objetivos estimular a participação dos pais na educação dos filhos e facilitar a comunicação entre professores e alunos.

Como tudo começou

“O que você espera de um aplicativo para sala de aula?”. Foi com essa pergunta que Brett e David Kopf iniciaram, em 2011, a pesquisa para desenvolver o Remind. Na ocasião, os dois conversaram com aproximadamente 200 professores, e a maioria manifestou o desejo de ter uma ferramenta que os ajudasse a aumentar o engajamento dos responsáveis na rotina escolar de crianças e jovens, facilitando, por meio da tecnologia, o trabalho deles como educadores. A necessidade apresentada pelos professores tem uma razão importante: a proximidade entre família e escola é essencial para o sucesso dos jovens no ambiente escolar (veja mais sobre o tema na matéria de capa desta edição). Um estudo da Universidade de Harvard comprovou que uma comunicação mais eficaz entre professores e pais de alunos aumenta em 42% as chances de os estudantes completarem seus deveres de casa e diminui em 25% o número de vezes em que o docente precisa redirecionar a atenção dos alunos para a disciplina. Benefícios claros que essa ferramenta de comunicação gratuita ajuda a alcançar.

Com base nesses estudos e no sucesso do Remind no exterior, a Fundação Lemann viu no Brasil uma oportunidade para incentivar o uso do aplicativo e melhorar ainda mais a comunicação, na esfera educacional, no país. “Em 2014, fizemos uma pesquisa sobre o engajamento de pais na educação do Brasil e ficou muito clara a importância desse papel no desenvolvimento das crianças e dos jovens”, aponta Lucas Machado Rocha, coordenador de projetos da Fundação Lemann. “Escolhemos o Remind como forma de atender a essa demanda porque ele faz isso de maneira segura,  respeitando a privacidade dos usuários, e eficiente”, salienta. Atualmente, o aplicativo, que está ativo no Brasil desde abril deste ano, conta com quase 20 mil inscritos – entre docentes, alunos e responsáveis – e, além de favorecer a rápida comunicação entre os usuários, contribui com o meio ambiente, uma vez que elimina a utilização de parte dos papéis vindos diariamente da escola. 

Como usar o Remind

Para começar a usar o Remind, é necessário baixar o aplicativo no tablet ou smartphone ou fazer o cadastro via web (para acessos no computador) no site www.remind.com. “Em poucos segundos após o cadastro, os professores já podem enviar comunicados para os pais, para toda a turma ou para alunos, individualmente”, explica Rocha. Entre os principais benefícios do Remind para os professores, além da instantaneidade no cadastro, está o fato de que todos os telefones cadastrados ficam em sigilo, tornando o aplicativo mais seguro. “Outro ponto importante é que os cadastrados têm acesso aos históricos de conversas e contam com uma ferramenta de denúncia para inibir o mau uso da ferramenta”, afirma o coordenador de projetos da Fundação Lemann. Além disso, o app permite o envio de fotos, arquivos e documentos, lembretes de datas de entrega e provas e mensagens de voz. A ferramenta pode garantir ainda que pais, alunos e professores possam se comunicar facilmente mesmo quando a escola estiver oficialmente fechada.

Apesar de se assemelhar a chats como os do WhatsApp e do Facebook Messenger por oferecer recursos parecidos, algumas diferenças beneficiam o Remind. “São diferenciais importantes para o meio educacional”, aponta Rocha. Entre essas diferenças estão

- Sigilo do número de telefone dos membros – não é necessário expor o contato pessoal para adicionar um usuário;

- Escolha do período de envio das mensagens – horários inoportunos podem ser evitados;  

- Opção de enviar apenas um recado ou iniciar um chat, com mensagens devolutivas – isso preserva a privacidade de um aluno que tem uma dúvida e não quer se expor, por exemplo.

Eu testei

“Decidi usar o aplicativo pela facilidade de contato que ele proporciona. Posso contatar uma turma inteira ou um aluno específico sempre que necessário, e o aluno também pode tirar dúvidas comigo sempre que precisar. Alguns alunos chegaram a propor o uso do WhatsApp para recados escolares, mas optei pelo Remind por ter um caráter mais formal e ser possível o controle sobre as postagens, que podem ser encaminhadas somente por mim – de modo direto ou como discussão –, além de ser possível o recebimento de retornos. Outro ponto de destaque é que as mensagens individuais não são visualizadas por outros alunos, dando mais liberdade para questionamentos relacionados à matéria ou às tarefas. O aluno consegue perceber que é um aplicativo para resolver problemas relacionados à escola, e não para conversar sobre qualquer assunto. Atualmente, mais da metade dos estudantes para quem dou aula aderiu ao aplicativo. E a satisfação parece ser geral! O Remind é muito útil, pois é possível lembrar os alunos dos eventos importantes da escola e da disciplina e, sempre que necessário, eles questionam algo sobre a matéria. Também indico aos colegas de profissão o uso da ferramenta. Estou sempre falando do app para outros professores, inclusive para a direção da escola, que também já o utiliza para entrar em contato com alunos e responsáveis. Enfim, é um aplicativo que traz muitos benefícios e permite a comunicação direta e fora do horário de aula de maneira rápida, o que é útil e benéfico. É bom para professores, alunos e pais, que se envolvem mais no processo escolar”.

Eiter Guandalini é professor do ensino médio em Santa Maria, no Distrito Federal

Reportagem publicada na edição de novembro de 2015

 

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