As tecnologias de informação e comunicação (TIC) revolucionaram históricos e tradicionais hábitos da sociedade. Pelo computador, é virtualmente possível pagar contas no banco, escrever para amigos distantes, selecionar músicas, reservar quarto de hotel em qualquer canto do mundo, assistir ao vivo partidas de futebol que se desenrolam na Europa e acompanhar, segundo por segundo, veículos que caminham na superfície de Marte. Impossível pensar que essas revoluções em nosso cotidiano não se transponham para a escola e tornem vivas as salas de aula.

Com essas inadiáveis mudanças, os fundamentos e princípios pedagógicos mais deslumbrantes propostos por Thorndike e Dewey, Vygotsky e Piaget, Freire e Bruner e Papert podem ser integrados às práticas pedagógicas de um professor, desde em escolas nas megalópoles dos Estados Unidos ou da Finlândia até em salas de aula de São Paulo ou do interior do Acre. O conhecimento e a utilização adequada desses novos recursos representam um colossal desafio para a sociedade, uma abertura de novos tempos, e necessitam, depressa, serem integrados às práticas pedagógicas de todos os docentes, da educação infantil ao ensino superior. Entretanto, para que esse salto gigantesco possa ser finalmente dado, é essencial pensar na capacitação docente, a fim de que os que ainda continuam ministrando aulas como ontem aprendam novos caminhos, os quais sejam levados à sala de aula. Afinal, as TIC viabilizam de maneira rápida e fácil o acesso a uma cultura rica, diversificada e extensa, permitindo ao mesmo tempo ao aluno o domínio de habilidades e um sem número de competências, estimulando circuitos cerebrais para acolher ideias, sintetizá-las e analisá-las, e, assim, rapidamente empreender e reconstruir, além de aguçar o rigor intelectual e internalizar a essência moral imprescindível a todos e em qualquer lugar.

Mais ainda, o uso de computador e de outras tecnologias trazidas por aplicativos produz motivação, diversidade, habilidades de comunicação oral e escrita. Enfim, as TIC podem levar à sala de aula o verdadeiro protagonismo, o uso de novas linguagens, a percepção singular da individualidade, a construção autêntica do saber e a autoavaliação de cada um. Importa destacar que a associação das TIC com uma nova pedagogia não significa uma escola sem livros nem cadernos, tampouco se propõe a ser nova máquina de ensinar que substitui o professor.  Ela é, isto sim, o desenvolvimento real e virtual das pedagogias humanistas e socioconstrutivistas, da pedagogia dos projetos, da aprendizagem cooperativa, do prazer do aprender sem limites e da liberdade sem medo de Alexandre Neill. As TIC, se bem compreendidas e mais bem utilizadas, tornam mais eficaz o trabalho docente na missão, agora finalmente possível, de levar os alunos a ingressar efetivamente nos novos tempos, tempos felizes em que os seres humanos que geralmente agiam alienados se transformam progressivamente em nova e ousada sociedade que saberá destruir as hierarquias que estruturavam a vida escolar, substituindo a autoritária lógica da difusão do saber, então propriedade de alguns, para o novo e auspicioso paradigma da “mutualização” de conhecimentos e navegação pelo saber, inadiável prenúncio dos novos tempos, do mundo admirável antes apenas sonhado.

Matéria publicada na edição impressa da Profissão Mestre de março de 2016.

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