Teatro, música, esportes. Todas essas atividades extracurriculares já são tradicionais nas escolas. Mas como inovar? Foi no circo que algumas instituições educacionais encontraram essa resposta. No Colégio Itatiaia, de São Paulo, a atividade foi inserida com sucesso. “Sempre tivemos a preocupação em oferecer diferentes atividades para os alunos. A princípio, era apenas teatro, que também foi de grande adesão por parte dos alunos. Mas, em algumas das apresentações de teatro, o professor trabalhou a temática do circo, e foi quando notamos o quanto o momento ‘lúdico’ do circo atraía o interesse das crianças. A mesma companhia de teatro passou então a oferecer o curso de circo”, conta Débora Paschoal, assistente de coordenação do Colégio Itatiaia.

O Colégio Santa Maria, também de São Paulo, é outro que incluiu as artes circenses na grade das atividades extracurriculares há mais de dez anos. Segundo Adriana Sanchez Gomez Tiziani, coordenadora dos cursos extracurriculares do colégio, o propósito em colocar o circo na escola foi oferecer uma atividade diferenciada que trabalhasse com habilidades motoras e ampliasse o conhecimento dos alunos na dança, na música, no teatro, no humor, no folclore e na Educação Física, unindo tudo isso ao projeto pedagógico da escola. “Atualmente, temos 141 alunos inscritos [nas aulas de circo] em oito turmas distintas, divididas por faixas etárias próximas. A procura é sempre grande. A atividade é mágica para as crianças, que sentem muito prazer em participar e se sentirem desafiadas o tempo todo. As aulas começam sempre com uma brincadeira de aquecimento”, explica.

Alunos do 1º ano do ensino fundamental até o ensino médio podem participar das aulas de circo no Colégio Santa Maria. Durante as aulas são trabalhadas as modalidades aérea, acrobática e manipulação e equilíbrio. “As crianças, gradativamente, vão superando desafios e aprendendo com novos elementos trabalhados na atividade circense”, completa Adriana.

Projeto Unicamp

Na Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é desenvolvido o projeto Circo na Escola, que promove visitas a escolas – principalmente de educação infantil e ensino fundamental –, para apresentação de pequenos espetáculos circenses e cursos de curta duração para docentes. “Temos várias ações que permitem que nossos alunos desenvolvam os conhecimentos mínimos para atuar no âmbito da pedagogia das atividades circenses. Essas ações incluem uma disciplina da graduação; cursos e oficinas regulares (incluindo Circo para crianças); e um conjunto de pesquisas (de iniciação científica a doutorados), que fazem de nossa instituição um interessante lugar para discutir e fomentar esse tipo de prática. Com o projeto, esperamos contribuir para o fomento do circo e de seu tratamento como conteúdo escolar, e também desenvolver melhores saberes sobre a pedagogia das atividades circenses”, afirma Marco Bortoleto, professor doutor da Faculdade de Educação Física da Unicamp e coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa das Artes Circenses da instituição.

No projeto da Unicamp, as crianças vivenciam diferentes modalidades de cada uma das categorias circenses (acrobática; manipulação de objetos – malabarismos; equilibrismos; palhaço; aéreas), sempre com o objetivo de que cada criança encontre uma modalidade com a qual se identifica mais. “Com o tempo, e durante alguns ‘ateliês’, podemos observar como cada uma opta por uma ou duas modalidades e, paulatinamente, interessa-se pelos saberes circenses”, conta Bortoleto.

Benefícios

O circo é uma arte milenar e conquista a todos pela sua diversidade de movimentos, alegria e cores vibrantes, trazendo benefícios físicos, motores e emocionais para aqueles que o praticam. Segundo Débora, as atividades têm colaborado bastante para o desenvolvimento dos alunos do Colégio Itatiaia. “Essa atividade engloba diferentes áreas do conhecimento, podemos desenvolver atenção e concentração das crianças por meio de ação lúdica e prazerosa. Algumas crianças, introvertidas e tímidas, podem se tornar mais desinibidas e desenvoltas, sem falar nos ganhos físico e motor. O circo, além de arte, é uma atividade física indicada para todas as idades”, argumenta.

Adriana concorda, e salienta: “além do benefício do desenvolvimento das capacidades físicas de força, agilidade, coordenação, ritmo e flexibilidade, a arte circense abrange as manifestações de dança, artes cênicas e artes circenses, que são patrimônios histórico-culturais. Outro aspecto bastante importante é a aprendizagem do desenvolvimento de desafios e superação de limites”.

Para Bortoleto, a arte circense tem permitido um novo olhar para a educação nos aspectos corporal, artístico e estético dos estudantes da Unicamp e também um tratamento mais sensível para a linguagem corporal e seus potenciais expressivo, comunicativo e crítico. “O circo oferece um espaço democrático, lúdico e motivador, renovando a prática pedagógica (na Educação Física ou em outras disciplinas) de modo singular. Faz uma aproximação entre o projeto educacional com o universo simbólico das crianças, aproximando os objetivos educacionais aos interesses de nossos alunos, valorizando a arte do circo, como patrimônio cultural da humanidade”, reitera.

O projeto da Unicamp também tem excelente aceitação. “É muito difícil uma escola e seus estudantes resistirem ao encanto do circo e à plasticidade dessa arte secular. Mas tudo isso tem ainda mais sentido quando comungamos ensino (formação de novos profissionais), valorização do circo (reconhecê-lo como arte, linguagem, patrimônio cultural), e revitalização do espaço e da pedagogia escolar, mostrando que a escola deve ser um espaço privilegiado e encantador”, afirma Bortoleto.

As modalidades do circo:

- Aérea: Atividades com tecido, trapézio, elástico e corda.

- Acrobática: Saltos, rotações, exercícios de equilíbrios estáticos e dinâmicos: acrobacias de solo, pirâmides e trampolim acrobático.

- Manipulação e equilíbrio: Atividades que trabalham tempo de reação, coordenação, agilidade, ritmo e equilíbrios estático e dinâmico com monociclo, perna de pau, bola de equilíbrio e todos os malabares: bolas, aros, pratos, diabolô.

 

Matéria publicada na edição de junho de 2013.

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