Entre as muitas transformações que as tecnologias digitais estão apenas começando a promover na educação, uma delas será determinante para emergir uma nova escola: a mobilidade. Enquanto assistimos estupefatos ao surgimento de novos produtos, serviços e invenções que já conectam até mesmo nossas roupas, nossos relógios, nossos carros e qualquer coisa com a internet, as escolas insistem em concretar seus modelos pedagógicos em uma arquitetura secular de tijolos e cimentos que segrega os alunos da vida real por trás dos muros das salas de aula.

Mas, à medida que o conhecimento é cada vez mais disponibilizado na nuvem em sites, redes colaborativas, aplicativos e softwares educacionais, para serem acessados pelos estudantes em seus smartphones, tablets e PCs a qualquer hora e em qualquer lugar, os professores precisam criar novos espaços de aprendizagem que viabilizem a implantação do ensino híbrido (blended learning), integrando atividades presenciais, olho no olho, com atividades on-line, que podem ser realizadas dentro ou fora da escola.

A aceleração de programas para disponibilizar banda larga, equipamentos e ferramentas tecnológicas nas escolas é vital, claro. Mas é apenas o primeiro passo. Sem que os professores saibam como utilizar esses recursos, qualquer investimento será contabilizado como prejuízo. Ignorar os benefícios que o ensino híbrido pode trazer não é uma opção. Simplesmente porque será bem mais difícil, para não dizer impossível, continuar enfrentando o desafio de engajar estudantes cada vez mais entediados com escolas e professores desconectados da realidade, que não conseguem motivá-los e, pior, não respeitam o ritmo e as maneiras distintas com que cada aluno consegue aprender.

Ao incorporar as tecnologias digitais na rotina escolar, os professores não devem temer e permitir que sejam suas substitutas. Bem ao contrário. Elas são novas e poderosas ferramentas que, bem utilizadas, tornam as aulas mais dinâmicas, permitem personalizar o ensino para a necessidade de cada aluno e trazem maior autonomia para que sejam protagonistas, decidam o que e como querem estudar determinado tema de interesse, de acordo com um contexto da vida real, e não especificamente em uma disciplina de maneira isolada, desinteressante, sem entender os porquês que devem decorar todas aquelas páginas para a próxima prova.

Há alguns modelos de ensino híbrido que já vêm sendo adotados pelas escolas mundo afora e também aqui no Brasil. Destaco três deles:

- Modelo de rotação – o professor distribui os alunos em estações de aprendizagem, individualmente ou em grupos, e predetermina um tempo para que realizem diversas atividades para o estudo de determinado tema, sendo que ao menos uma delas é on-line.

- Modelo flex – o aprendizado é sustentado por uma plataforma digital, ainda que também sejam realizadas atividades off-line, e o professor assume o papel de tutor, no qual acompanha, orienta e auxilia cada aluno individualmente ou em grupos.

- Modelo a la carte – o curso é feito inteiramente on-line, em casa ou na escola, em paralelo com outras atividades realizadas na sala de aula presencial.

Professor, não é preciso mover montanhas para dar o primeiro passo nessa direção. Lembre-se de que provavelmente todos os alunos, senão a grande maioria, carregam um celular no bolso ou na mochila e acessam a internet em casa, no vizinho ou na lan house do bairro. Faça o teste e comece incluindo uma atividade on-line. Não precisa mudar radicalmente o planejamento da aula. Siga como de costume, mas pense em como introduzir uma pesquisa, a criação de um documentário com vídeos e fotos ou uma apresentação de um projeto feita no PowerPoint. As chances dos alunos se envolverem de corpo, alma e bits será grande, pode ter certeza!

+Na web

Para saber mais sobre ensino híbrido e como utilizar as tecnologias em sala de aula, recomendo três sites:

- Clayton Christesen Institute: www.christenseninstitute.org

- Curso virtual no Veduca organizado pela Fundação Lemann e pelo Instituto Península: www.veduca.com.br/play/7583

- Guia Crescer em Rede, do Instituto Crescer: institutocrescer.org.br/cresceremrede

 

Artigo publicado na edição de junho de 2015.

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