Nos anos de 1970, a televisão mostrou uma série com o nome Raízes, que contava a trajetória de uma família de negros americanos desde seu passado na África. A série emocionou centenas de milhões de pessoas ao mostrar o sofrimento de sucessivas gerações que tinham em comum a cor da pele e a escravidão. Trazida para o presente, a série pode ser escrita sob outro ângulo: as sucessivas gerações de pessoas que carregam a característica do analfabetismo. A genealogia de um analfabeto mostra quase toda sua linha de transmissão do analfabetismo. Raramente o filho de alfabetizados cai no analfabetismo. Já o analfabeto adulto é filho e neto de analfabetos.

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Pouco a pouco o Brasil vem despertando para a necessidade de escola em horário integral. Oitenta anos depois da proposta dos Pioneiros da Educação e trinta anos depois do desprezo como foram tratados os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) de Brizola e Darcy Ribeiro, o horário integral virou símbolo de cuidados com a educação. Diversos municípios fazem propaganda de que dispõem de algumas escolas com mais de quatro horas por dia. Mas, além de serem poucas, na maior parte das vezes esse horário não passa de arranjo para propaganda: uma refeição a mais e futebol de tarde nas escolas apresentadas como horário integral. São as chamadas atividades extracurriculares, o que já mostra que não corresponde a um programa pedagógico com integralidade.

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Algo vai mal quando um país que precisa enfrentar seus problemas chama de ano da Copa um ano de eleições presidenciais. É o que está acontecendo com o Brasil. Cinquenta mil brasileiros são assassinados por ano, outros cinquenta mil morrem no trânsito, e outros 515 mil estão presos. A droga compromete a vida, a capacidade de trabalho e o futuro de centenas de milhares de nossos jovens; metade da população não tem acesso à água e ao esgoto e a economia se desindustrializa.

Quanto aos potenciais científico e tecnológico, estamos cada dia mais para trás em relação ao resto do mundo: as avenidas estão atravancadas, a educação apresenta um retrato vergonhoso e uma brutal desigualdade, os hospitais públicos estão caóticos e a natureza está sendo degradada. No País, temos 13 milhões de adultos que não diferenciam as letras e outros 40 milhões sem capacidade de leitura; a produção não dispõe de logística eficiente para sua distribuição e cinquenta milhões de brasileiros vivem graças à (felizmente) ajuda do programa Bolsa Família.

Apesar disso, em vez de propostas dos presidenciáveis para 2015, ficamos mais preocupados em saber se os estádios da Copa ficariam prontos. Isso se explica por nossa paixão pelo futebol, mas também pela descrença com a política, sobretudo porque não há candidatos propondo programas que empolguem a população. Até aqui, todos são tão iguais no comportamento e na falta de propostas diferenciadas. Assim, sobra apenas o grito de “Viva a Copa!”.

Os candidatos ainda não apresentaram propostas para transformar a viciada economia brasileira de exportadora de bens primários – inclusive alguns da indústria mecânica – em produtora de bens de alta tecnologia nem mostraram como vão fazer o desenvolvimento ser sustentável ecologicamente e justo socialmente.

Não há propostas para o cerco em que vivem os brasileiros por causa da violência urbana provocada por desesperados com suas pobrezas diante da imensa guerra ao redor nem para enfrentar a crescente mobilização de desiludidos, movidos pelas redes sociais, para promoverem atos de bloqueio de trânsito, queima de veículos e quebra de vidraças.

Nenhum candidato propôs ações para emancipar nossos pobres da necessidade de ajuda mensal. Nenhum dos presidenciáveis disse como conduzirá o Brasil no rumo da erradicação do analfabetismo nem como garantirá educação de qualidade igual para todos. Nem qual será o salário dos professores ao fim de seu mandato, nem como eles serão selecionados e avaliados.

Nesse quadro de “des-eleição”, o ano de 2014 está sendo o ano da Copa. No primeiro de janeiro de 2015, poderemos acordar com a sensação de que tudo continuará no mesmo rumo de um país que cresce se desfazendo.

 

Artigo publicado na edição de junho de 2014.

O Brasil está comemorando agora o que diversos países comemoraram no passado: a descoberta de grandes reservas de petróleo. Passados 50 anos, a maior parte deles, como os árabes e a Venezuela, tem o que comemorar pelo consumo de seus habitantes, mas não pelo fortalecimento de suas nações. Alguns deles sofreram o que Celso Furtado e outros economistas chamaram de “maldição do petróleo”. Com tantos dólares disponíveis, não desenvolveram suas forças vivas: educação, indústria, ciência e tecnologia.

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A séria crise da escola no Brasil, aliada à ausência crescente da família no processo educacional dos filhos, tem provocado o esquecimento de outro ator fundamental na educação de qualquer criança e jovem: os amigos. É claro que o professor é quem ensina, mas quem orienta são, muitas vezes, sobretudo, os amigos.

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Ao falar no evento “20 Anos Educar Educador”, realizado no Centro de Exposições, na Imigrantes, em São Paulo, abordei o tema “Educação brasileira e infraestrutura intelectual. Sistema reprovado e falido para as exigências dos tempos atuais. O que fazer?”. Afirmei que o sistema reforça e perpetua a exclusão, quando deveria ser um instrumento para superá-la. Nosso sistema educacional desperdiça 80% dos cérebros brasileiros, jogando alunos para fora da escola em vez de mantê-los lá, aprendendo e adquirindo competências para enfrentar as demandas da vida em todas as suas dimensões: pessoal, profissional, política, social. É um sistema que garante boa educação para poucos – os ricos e os filhos dos ricos – mas não se preocupa com o mínimo de qualidade na educação da maioria – os pobres e os filhos dos pobres.

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O inciso VII do caput do Artigo 206 da Constituição Federal de 1988, por iniciativa do então deputado Severiano Alves, previa a criação de um Piso Nacional para o Salário do Professor da Educação Básica. Só em 2008, vinte anos depois, esse preceito constitucional foi regulamentado pela Lei nº 11.738/2008, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por Projeto de Lei (PLS 59/2004), como iniciativa do autor deste artigo, com uma importante emenda de autoria da deputada Fátima Bezerra, que assegura 1/3 da carga horária do professor para atividades extraclasse, como reuniões de programação, preparação de aulas, atendimento a alunos e pais. Naquele momento, o piso salarial foi fixado em R$ 950,00 por mês, que equivaleria hoje a aproximadamente R$ 1.121,00 – se corrigíssemos o valor –, com base na inflação medida pelo IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor] para março de 2013.

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Acabo de lançar o livro Educação é a solução. É possível?, apontando que a educação no Brasil, se não for uma daquelas com a pior qualidade no mundo, é provavelmente a mais desigual entre todas.

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O Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado na Câmara dos Deputados depois de muita discussão. Agora está no Senado e temos a última chance de discuti-lo para tentar transformá-lo em um plano melhor.

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Os escritores de ficção científica se dedicam a imaginar coisas impossíveis e a pensar como seria o mundo se o impossível acontecesse. Os cientistas, técnicos e aventureiros trabalham para realizar ideias impossíveis. As próprias descobertas do século XV e XVI surgiram da imaginação sobre o que haveria do outro lado se fosse verdadeira a impossível ideia de que a Terra era redonda.

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