Recente estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e nossos jornais, no dia a dia, mostram o Brasil como o país com maior violência na escola.O futuro de um país tem a cara de sua escola no presente. Por isso, é urgente entender as causas da violência e como corrigi-las.

A primeira causa é a pouca valorização do professor. Em uma sociedade movida pelo consumismo e pela renda, ao perceberem que os professores têm baixos salários, os alunos valorizam mais outras profissões e  não espelham seus futuros nos professores. Todas as categorias profissionais são mais reconhecidas que o magistério. Os professores, ao não serem reconhecidos, justificadamente diminuem sua dedicação, o que cria um círculo vicioso de desrespeito mútuo, mesmo implícito, quando não explicitado.

Esse sentimento se agrava quando os alunos sentem as semanas ou os meses sem aulas por causa das greves para as quais os professores são jogados em busca de aumentos mínimos em seus salários. Se as escolas podem ficar meses sem aulas, é porque não são vistas com importância pela sociedade, o que leva os alunos a não darem importância a elas nem a sentirem amor por uma instituição, na qual percebem que estão por poucos anos, antes de abandoná-la sem concluir os estudos, como fizeram seus pais e irmãos mais velhos.

Acostumados a ver o conforto nos demais prédios da sociedade, os alunos sentem a degradação que vai dos banheiros às salas de aulas e adquirem o indecente direito de depredar o que a sociedade não valoriza. Acostumados aos modernos equipamentos de tecnologia da informação, sentem-se torturados pelas aulas em arcaicos quadros negros. Soma-se a isso a realidade social, na qual a violência obscena ficou banal, com a mídia a transmitindo inclusive em programas infantis e de adolescentes.

Sentindo-se violentados pela escola degradada, os alunos ficam violentos, pois vítimas de violência reagem com violência. A escola brasileira é tão violenta com os alunos que não há razão para surpreender-se com a violência dos alunos contra ela, mas há motivo para assustar-se com as consequências trágicas da violência na depredação do futuro.

É difícil resolver a causa externa da violência escolar, que vem da sociedade violenta, mas não seria difícil quebrar as causas internas com um programa em que nossos professores sejam valorizados e, consequentemente, dedicados, competentes e admirados pelos alunos; com prédios bonitos, confortáveis, equipados ao gosto dos jovens; e com as instalações necessárias para uma escola em tempo integral, longe das tentações e ameaças da violência das ruas.

É suicídio esperar o fim da violência urbana para termos escolas pacíficas, mas a valorização da escola colaborará para pacificar a sociedade. O Brasil dispõe dos recursos para mudar esta maldita realidade da violência nas escolas e, com uma escola pacificada, construirmos a paz na sociedade ao redor. Mas ainda não temos a mentalidade social e política necessária. Ainda preferimos as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) aos CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública) e tentamos corrigir a violência de fora, deixando a violência dentro das escolas.

 

Artigo publicado na edição de outubro de 2014.

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