Épocas de transição são períodos difíceis, angustiantes, amargos. Foi assim nos tempos que precederam o Renascimento, também assim no epílogo da União Soviética e em tantos, tantos outros. São momentos em que uma ordem de ideias e valores começa a morrer na expectativa de outra inusitada ordem, que chega trazendo inseguranças e incertezas, acumulando as angústias por um tempo que precisa deixar de existir, substituído por outro que ainda não nasceu completamente. Constituem dores angustiantes de um parto que traz alegrias, como todo nascimento costuma trazer, mas traz ódios e desesperos devido à inevitável morte contra os quais muitos se desesperam e resistem. É esse o momento em que agora vivemos, são os “tempos líquidos” que Nauman descreve e que chegam à escola brasileira, pública ou particular, da educação infantil ao ensino superior.

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A aula expositiva sempre foi e sempre será uma gostosa maneira de ensinar, pois permite ao professor transmitir a mesma mensagem para muitos, impõe a tirania do discurso, enaltece a vaidade de sentir-se proprietário do saber e do conhecimento. Como não enaltece o protagonismo, obriga a plateia à onipresença do silêncio e, de tantas vezes repetidas, impõe a quem pensa que ensina uma rotina que, quando ocasiona cansaço, é apenas o esgotamento físico de se falar inutilmente a mesma coisa, inúmeras vezes. Mas, se esse sistema de aula tão popular e antigo é sinônimo de conforto ao emissor, representa a pior maneira de aprender, desde quando foi possível observar a mente humana em processo de transformação causada pelo conhecimento.

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Toda pessoa adulta, goste ou não do sabor, sabe o que é alho e muito provavelmente já ouviu, pelo menos uma vez na vida, o provérbio “não confunda alhos com bugalhos”. No entanto, poucos se dão conta de que, afinal, significa bugalho. Ao buscar essa palavra em um dicionário, aprendi que bugalho é a excrescência de qualquer parte do vegetal, produzida pela ação de fungos ou insetos. Em outras palavras, o provérbio popular sugere que se separe o produto desejado, no caso o alho, sem confundi-lo com algum caroço de discutível semelhança.

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Um estudo sobre sonhos e esperanças de crianças e jovens, realizado em pequenas comunidades do sul da Bahia, destacou em algumas microcomunidades pesquisadas os sonhos que um Brasil inteiro acalenta sobre a escola pública necessária e factível para qualquer lugar do País. O estudo, realizado por duas psicólogas sociais, compreendeu entrevistas em três povoados litorâneos, com população em torno de 4 mil moradores, onde foram ouvidas cerca de 200 crianças e jovens e 120 adultos.

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Muitos professores brasilei­ros que ministram aulas no ensino médio repudiam a ideia de desenvolver um projeto de formação de personalidade de seus alunos inspirado em valores éticos e morais, por acreditarem em duas fa­lácias que esta breve crônica busca desmontar: a primeira é a alegação de que o tempo que se consome para a exposição dos conteúdos torna im­possível um desvio para a educação ética. Já a segunda é a de que mate­rializar competências em sala de au­la – e, dessa forma, melhor prepa­rar os alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – consti­tui tema explícito às áreas de conhe­cimento tradicionais, de modo que questões procedimentais e reflexões morais seriam capítulos à parte das linguagens, dos códigos e suas tecno­logias, das ciências humanas, das ci­ências da natureza e da matemática.

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Copas do mundo sempre estiveram ligadas à minha vida. Desde 1950, quando ainda menino vi pela primeira e quase única vez meu pai chorar, até as copas do mundo mais recentes, algumas das quais o futebol brasileiro levou a nossa população quase inteira ao delírio. Não é o Brasil um país de tantos velhos quantos os que ainda sobrevivem no Japão e na Europa e, por essa razão, não são muitos os brasileiros que, como eu, puderam acompanhar duas copas do mundo em nosso espaço territorial. Que possa esta, ao menos, resgatar a dor, a decepção e a tristeza de um Maracanã silencioso, como as que se viram quando os uruguaios nos levaram a taça. Essa difícil conquista, se realizada pelo País, causará novos instantes de êxtase e, por algum tempo, seremos levados a crer que somos o mais alegre, desafiador, otimista e perfeito país do mundo. Caso uma derrota, nada improvável, nos elimine, não será difícil prever uma onda de pessimismo, críticas virulentas, caça aos culpados e, como reflexo de toda essa tristeza, o provável renascer de passeatas que clamam por uma educação melhor, saúde mais atenta, transportes minimamente dignos e outras muitas questões que fazem do Brasil uma pálida sombra do que poderia ser e da população brasileira um modelo real dos realistas, de abismos entre poucos milionários e de uma multidão de indigentes, alguns privilegiados corruptos para os quais todas as portas, inclusive as da Justiça, abrem-se e se curvam, e de um número colossal de outros, ainda que honestos e trabalhadores, que lutam para conquistar cada mês o que para os primeiros se rouba a cada instante.

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A ciência do desaprender é a filha mais nova da neuroplasticidade cerebral. Descoberta neste século, baseia-se na certeza de que a plasticidade cerebral é competitiva e, portanto, quando qualquer pessoa desenvolve uma rede neural, programa certos procedimentos que se tornam rotineiros em seu cérebro. Esses procedimentos se transformam em ação autossustentável e, mais ou menos como um hábito, torna-se difícil o desaprender. O neurocientista que mais profundamente demonstrou essa ação, M. M. Merzenich (2001), não esconde que anda pesquisando um “apagador” de aprendizagens inconvenientes. Não há necessidade de compreender a importância da “desaprendizagem”, pois qualquer pessoa abriga em seu cérebro uma quantidade enorme de informações erradas, crenças, superstições, preconceitos que modelam o caráter e, o que é pior, dificultam novas e saudáveis aprendizagens.

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