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Afinal, qual é a semelhança entre um mestre que orienta, um professor que ensina, um pai e um líder de uma nação? Todos ensinam a nos transformar, divulgam verdades e ensinam conhecimentos. Os homens que lideram a sociedade são detentores da palavra. As mulheres, nas mais variadas posições que ocupam no mundo moderno, nos ensinam a ser com base em hábitos, costumes e jeitos de viver o dia a dia. As mulheres constroem a partir do dia a dia vivido e a linhagem masculina conta essa história.

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A escola, essa de fileiras, a tradicional, em que cada um tem o seu lugar de sentar, melhor falando, cada um tem a sua carteira de frente para a lousa e a mesa do professor, essa escola é mais de ouvir do que de ver. A paisagem que cada um de nós vê na sala de aula é cansativamente monótona por horas e horas. Eventualmente, conteúdos mudam no quadro-negro. Em nossa frente, a mesma nuca, o mesmo colega. Poderíamos dizer que essa escola é a escola sonora. O humor e a surpresa ficam praticamente ausentes.

Há muitas décadas, os professores anunciavam quando “dariam um ponto novo”. O tal do ponto novo era esperado. A escola não era amada, não despertava paixão. O tédio era a sensação dominante. Era tão monótona que até inspirou um programa de rádio. Em meio a uma liberdade maior, a Escola risonha e franca era um programa diário de rádio no qual Dona Olinda era a professora e cada aluno tinha uma personalidade, um jeito de ser.

Já na escola de verdade tínhamos que ser todos iguais. O diferencial era a nota que se conseguia e o comportamento. Havia nota de comportamento, sim. Mexer-se muito na cadeira dava nota baixa de comportamento no boletim. A carteira era uma prisão, na qual o aluno tinha que fingir interesse por um conteúdo pouco interessante. Alguns professores excepcionais conseguiam minimizar o peso do tédio.

Hoje não podemos imaginar que crianças de 6 a 10 anos, por exemplo, consigam ficar ouvindo e fazendo coisas “chatas”. Hoje os olhos das crianças estão acostumados a ver movimentos ininterruptos dos jogos eletrônicos, da televisão. A postura é parecida: a criança fica parada e a máquina traz imagens em movimento, sem parar.

Não posso imaginar o que vai acontecer com as mentes criadas à vista de movimento com o corpo parado. Qual será a consequência disso? Ainda está em gestação a primeira geração com essa nova condição. Em casa, televisão e joguinhos. Na escola, tablets e outros recursos para atrair o olhar.  Conteúdos sempre em movimento são apresentados aos corpos parados. Antes, era corpo parado diante de conteúdo parado. Agora, o olho vê movimentos, aproximações, afastamentos e sons.

E o que vai acontecer com as nossas bibliotecas de livros impressos, cujo conteúdo não está nas nuvens?  Estamos vivendo um momento de diluição do livro-objeto. O livro-objeto que enfeita as prateleiras torna-se cada vez mais objeto e menos fonte de informação. Ninguém quer que o livro desapareça, apesar de recorrer cada vez mais ao conteúdo eletrônico.

Vivemos em um momento de muita dificuldade: ainda queremos que a escola tenha biblioteca e que ela seja eletronicamente equipada. Que bom que ainda temos os dois! Ainda é notícia de jornal a existência de bibliotecas nas escolas, assim como é notícia também o quanto de recursos eletrônicos estão disponíveis nas mesmas escolas. Um não substitui o outro. Um não rouba espaço do outro. Existe uma especificidade sensorial no livro impresso e uma mental no livro eletrônico. O conteúdo pode até ser o mesmo.

Este é o momento que nós vivemos: a superposição dos dois recursos para acessar conteúdo. Um a gente apaga, outro a gente guarda. Um a gente guarda na nuvem, outro a gente guarda na estante. Parece que ficamos mais ricos. Será?

 

Artigo publicado na edição de junho de 2014.

O que uma criança vai se tornar e, talvez seja melhor dizer, o que uma criança encontra em seu caminho para se tornar um adulto são duas forças muito fortes: a família, que a torna humana, e o Estado, que a torna cidadã. No núcleo familiar, em que estão as sementes a serem germinadas, também é transmitido um sentimento orientador inestimável: a fé. Desse mesmo núcleo, também pode sair o ceticismo. A questão é crer ou não crer: ter esperanças, expectativas, desejar ou apenas aceitar e receber o que acontece.

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Fica quieta!... Para de se mexer!... Presta atenção!... Não dispersa!... Isso é o que uma criança ouve, com razoável frequência, tanto na escola quanto em casa. Como explicar que a mesma criança ou o mesmo jovem que fica horas jogando videogame ou assistindo futebol ou outro esporte sinta dificuldade para ter a mesma atitude em sala de aula ou para estudar, decorar conteúdo escolar?

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O rolezinho sempre existiu, desde que as moças puderam sair de casa para passear. Convencionava-se um lugar para onde os jovens afluíam, obedecendo-se a umas pouquíssimas regras. Mas não dava direito à transgressão. Era o footing, era o “ponto”, era o “vesperal das moças” nos cinemas de bairro às quartas-feiras. Podia ser a missa ou os encontros de outras religiões. As paradas de ônibus, as estações de trem de subúrbio também eram espaços para olhares de moços e moças se cruzarem. Os olhares, repetindo-se por dias ou semanas, iam dando a segurança de que a aproximação seria bem-vinda.

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Falar sobre os benefícios da reprovação já ficou banalizado nas considerações sobre escolaridade. Fala-se sobre a reprovação como se existissem duas tribos homogêneas: a dos aprovados e a dos reprovados. Nada mais falacioso. Você pode pertencer a uma ou à outra tribo por mil diversas razões. Para começar, o currículo escolar não é homogêneo: ter facilidade com abstrações pode facilitar o desempenho em certas matérias; decorar pode facilitar a aquisição de outros conteúdos.

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Um dia, no tempo em que ainda se usava lápis, o meu neto me pediu uma borracha e eu disse que não tinha. Ele olhou bem para mim e me perguntou: “E quando você erra, como você faz?”. Por ter me lembrado desse singelo episódio, estou escrevendo estas linhas hoje.

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Já vai longe o tempo em que a gente sabia, enxergava claro o que queria que as crianças se tornassem aptas a desempenhar. Existia uma sequência que a gente não sabia por que, mas sabia que dava certo. Por que dobrar papel “ponta com ponta”? Porque “ponta com ponta” é muito importante para arquivar, fazer pilhas de roupas de mesa, cama e banho, que, assim, ocupam menos espaço. No tempo em que não havia computador, arquivos de papel funcionavam melhor com o “ponta com ponta”.

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Quanto mais tempo se passa neste nosso novo século, quanto mais voltamos no tempo – ao velho século XX –, mais nos deparamos com a presença e a frequência do conceito de grupo: grupo disso, grupo daquilo, e, agora, com a internet, surgem mais grupos – de amigos, profissionais, Facebook, Linkedin, entre outros. Com isso, o velho conceito de grupo, que poderia parecer claro e indiscutível, fica embaçado e de difícil definição.

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Algumas escolas, comumente chamadas de alternativas, procuram mesclar o espaço da aprendizagem, onde é cada um por si, com a sensação de estar junto com os outros, cada um ligado à fonte de informação. Em geral, essa fonte é o professor, mas pode ser um cartaz, uma tela etc. Escolas como Summerhill ou Waldorf procuram quebrar o paradigma medieval (Santo Agostinho) ou da Antiguidade.

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