Artigos

Os hebreus sempre foram conhecidos como o “povo da escrita” e, dessa forma, levaram da Caldeia para o Egito toda a sua cultura. Lá permaneceram por muitos séculos até a travessia do Mar Vermelho, que os levou até o Monte Sinai. Organizaram o seu saber em regras que, futuramente, tomaram a forma da tábua dos Dez Mandamentos, que atravessaram mares, subiram montanhas, foram eternizados em pedras e até hoje os obedecemos. No Monte Sinai, nasceram não só os Dez Mandamentos, mas algo muito maior: a ideia de fazer com que regras possam atravessar os tempos por meio da escrita. Não se tratam de regras apenas para uma geração ou um povo – gravadas em pedra ou pergaminho, não apenas na mente, elas atravessaram os tempos. A ideia de permanência da cultura está associada diretamente à escrita.

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Dizer que é ruim misturar idades é vago. Tem criança de um ano que anda e criança de um ano meio que não anda. Tem criança que fala logo e criança que demora a aprender a falar. É complicado saber o que é bom ou ruim de misturar. Se no primeiro desenvolvimento infantil há diferenças que se notam claramente, mais tarde as mudanças de aptidão são mais lentas. É difícil determinar exatamente o que uma criança de 11 anos pode aprender e o que deveria aprender só aos 13 anos, mas não é uma questão muito complexa. Agora, se colocarmos em pé uma criança que ainda não tem os reflexos para ficar em pé, estamos cometendo uma violência.

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Tempos atrás, quando as calçadas eram públicas, acessíveis e seguras, as crianças podiam brincar fora de casa. Não podiam descer o meio-fio porque no meio da rua era perigoso, mas na calçada não era. Naquele tempo, tinha um campinho onde hoje está o Mercado da Lapa. Era onde eu e meus colegas brincávamos sem medo.

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Nasci numa família ateia, de origem judaica, e estudei num colégio de freiras dominicanas portuguesas. Minha mãe escolheu o Santa Catarina de Sena, então um pequeno colégio na Rua Tomé de Souza, na Lapa (mais tarde se instalaria num casarão na Rua Manoel da Nóbrega, no Paraíso), porque era o melhor do bairro. Embora ateia, minha mãe não se incomodou que eu estudasse numa escola religiosa. Para ela, o que importava era o conteúdo didático. Ao me matricular, impôs apenas uma condição: converter pode, batizar, não. Receber o sacramento do batismo só depois dos 18 anos, se eu viesse a querer. Nunca quis.

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Pode ser chato ou penoso – se preferirmos – encarar novamente o fim das férias, as provas e o ser promovido ou ficar reprovado. Todo ano a mesma coisa. Nada de novo. São sempre as mesmas ansiedades, as dúvidas se repetindo. Quem escreve sobre escolaridade não tem como não cair nessa armadilha, que corresponde à grade da rotina do ano escolar. Quase todos os países de todas as partes do mundo obedecem a um conjunto de regras em sequência temporal: fim do verão, outono, férias de inverno, primavera, as grandes férias de verão, e começa tudo de novo.

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Está na hora de pensar no ano que começa. O que vamos sugerir para desenvolver nestas mal traçadas linhas neste novo ano. Queria focar algo de novo – mas escolaridade muda muito devagar. Que eu bem me lembre, no ano que passou andei pensando muito na função libertadora da escola. Epa! – dirá o meu leitor – escola libertadora? Pois é, sobre isso que quero falar. Em alguns textos escrevi sobre a escola como primeiro e mais importante passo que a criança dá em direção ao “espaço externo” do domínio familiar. É aí que nos defrontamos com o diferente. Diferente da casa, família extensa, relações de vizinhança e classe socioeconômica.

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E as férias vão chegando... A aproximação delas é bem diferente do que era para os estudantes de antigamente. Outrora a escola ocupava um espaço enorme na imaginação e fantasia do jovem. Era todo um estado de espírito. O calendário escolar organizava a vida do estudante: eram os meses de aula, era o medo e a preparação para as provas, era a espera das notas e, finalmente, as férias. Assim era, praticamente, a vida do jovem aluno.

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Durante muitos e muitos milênios, o homem, graças a seu polegar na magnífica posição que ocupa na mão, pôs-se a fazer. Mas o humano não é apenas aquele que faz; ele tornou-se complexo, muito complexo, ao também se comunicar. O humano diz ao outro, por meio de gestos, mímicas, palavras, o que deseja para formar uma base comum. Começou com um nome para chegar à palavra que designa o fazer, o falar, o lembrar. O nome e a palavra nos tiram do isolamento. Uma árvore, o vento e o frio podem ser comuns a todos. E se ganham um nome, o grupo está formado.

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Será que o melhor aluno é o mais contente? No mundo dos adultos, cabe ao vitorioso rápida alegria ou euforia da vitória. E na escola, no jardim da infância, será que o melhor é o mais contente? Quando se trata de educação infantil, habilidade manual e motricidade ocupam grande espaço na atividade de valorização da criança. Crianças com dificuldades motoras têm a autoestima atacada. O senso de menos valia prevalece. Ser o último a ser escolhido no recreio para as equipes de jogo de bola é humilhante. O último escolhido é o não escolhido.

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Durante noventa minutos, o grito ficou entalado. Durante noventa minutos, a euforia não pôde ser expressa. Durante noventa minutos e mais o intervalo, todos nós queríamos ser felizes juntos ou até infelizes. Nenhuma emoção pôde aflorar nos noventa minutos. A tarde de terça-feira foi tensa. Um dezessete de junho a não ser comemorado. Em 1950, quando perdemos a Copa, nosso corpo foi marcado. Ninguém esquece a “Copa de cinquenta”, aquela que nós perdemos. Falo de sentir junto, de saber que todos os habitantes (conscientes) da nação à qual pertencemos estão sentindo em uníssono. Um remédio para todos os males. São momentos em que não estamos sozinhos.

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