É fundamental que as escolas tenham preocupação com a formação integral de seus alunos e a importância de desenvolver neles valores e princípios, além do exercício pleno da cidadania, contribuindo para o desenvolvimento do ser e da sociedade. Com base nesses princípios, é possível trabalhar, desde a educação infantil, ações que estabelecem regras de convívio. Algumas ideias são construir, coletivamente, as regras da classe, com sugestões das próprias crianças e contribuição da professora. Essas normas podem ser escritas em cartazes e afixadas em sala de aula, para serem lembradas e colocadas em prática ao longo do ano.

Uma boa opção é contar com orientadores educacionais, responsáveis por auxiliar no desenvolvimento de projetos, com sentido formativo, a fim de sensibilizar os alunos e fazer com que cada um perceba a si mesmo como responsável pela busca do bom convívio no cotidiano escolar. Isso é feito com encontros de classes com os orientadores, nos quais o grupo ouve histórias, participa de dinâmicas, de conversas informais, assiste a filmes, entre outras atividades.

Na fase de 5 a 10 anos, os conflitos entre as crianças são muito comuns. Ao longo do ano, orientadores e professores devem observar e detectar possíveis casos de problemas de comportamento ou relacionamento entre os alunos. Intervir, a fim de auxiliá-los para que resolvam questões pendentes, preocupando-se especialmente com o modo de resolução dos problemas, em como lidam no aspecto socioemocional, evitando, inclusive, futuros problemas de bullying. É muito importante que as crianças aprendam a ouvir umas às outras, principalmente em situações de desentendimento, para que entendam o ponto de vista do colega e se coloquem na posição do outro. Nesse exercício de se ouvirem, com a intervenção pertinente dos orientadores, os próprios alunos acabam buscando a solução para o conflito, desculpando-se, dispostos a manterem a amizade. Criança perdoa com mais facilidade que adulto, o que é muito bom nesse convívio.

Também sugere-se promover com os alunos situações em que esse mesmo diálogo seja utilizado para solucionar dificuldades nos relacionamentos, tanto na escola quanto em outros ambientes frequentados por eles, incentivando a reflexão quanto à importância de cada um respeitar colegas, familiares, professores e demais funcionários da escola. Essas ações permitem que as relações interpessoais sejam construídas alicerçadas no respeito e, assim, com trabalho preventivo, é possível diminuir as ocorrências de indisciplina e situações de conflito.

 

Autoras: Eleir Parra Morales Evangelista e Eliane A. Mota Gouveia Freire são orientadoras educacionais do Colégio Presbiteriano Mackenzie, de São Paulo (SP)

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