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Didatica

Educação para a vida
Cynthia França

Quando observamos um quadro, ouvimos uma musica, assistimos a uma peca de teatro ou nos deparamos com o desafio de preencher uma folha em branco, naturalmente, sentimos vontade de interagir. A informac?o captada estimula a sensibilidade, a percepc?o e a criatividade. O exercicio dessas habilidades favorece as competencias cognitivas, motivando o individuo a refletir sobre si, sobre o objeto e sobre o contexto historico em que est?o inseridos.

Ao interpretar a linguagem e os significados de uma manifestac?o cultural, estamos confrontando valores, conhecendo culturas distintas, fortalecendo a nossa identidade e, sobretudo, apreendendo a transformar informac?o em conhecimento multidisciplinar. Se tal aprendizado flui do exercicio de um olhar estetico e etico, cabe a gest?o escolar e ao professor desenvolver atividades que estimulem a mais humana das revoluc?es sociais: o ensino da educac?o artistica.

Para a professora de Arte e Educac?o do curso de Pedagogia da UECE (Universidade Estadual do Ceara) e coordenadora estadual da Rede Arte na Escola, Edite Colares, ?o ensino da arte enriquece a linguagem, amplia as formas de express?o e comunicac?o, contribui na formac?o da autoimagem do aluno e abre uma perspectiva critica e sensivel nas relac?es individuais e na relac?o com o mundo?. O elemento ?imaginativo? encontrado na arte, aquele que lhe permite primeiro imaginar uma ideia para depois lhe atribuir uma forma, ?e a mesma ideia criadora que produz o trabalho e o conhecimento?, acrescenta a professora.

Entretanto, ?as universidades ainda priorizam a formac?o tecnica e as especificidades dos docentes, relegando a segundo plano os elementos da cultura universal, da educac?o dos sentidos e do desenvolvimento de uma postura criativa capaz de despertar o interesse dos alunos e envolve-los na construc?o de saberes universalmente relevantes para a humanidade?, finaliza a professora.

Nem a obrigatoriedade do ensino da arte nos diversos niveis da educac?o basica (LDB n? 9.394/96) e nem a criac?o pelo Ministerio da Educac?o dos Parametros Curriculares Nacionais conseguiram de fato imprimir conceitos e metodologias comuns as aulas de educac?o artistica no Brasil. Apos 14 anos, as novas diretrizes para o ensino de arte no pais ainda n?o s?o totalmente aplicadas em sala de aula. O que se observa s?o esforcos individualizados de profissionais e/ou movimentos especificos para que a arte seja alavancada no campo academico, pedagogico e cultural e, dessa forma, o aluno possa receber uma formac?o artistica, estetica e etica, presente na historia da arte, na contemplac?o de obras consagradas e contemporaneas e no fazer artistico.

Segundo a professora Edite, ?as exigencias legais est?o longe de serem reais. No Ceara, por exemplo, embora haja uma demanda enorme por professores capacitados, o Estado so oferece licenciatura em musica. Dois novos cursos foram criados recentemente: teatro e artes plasticas. Mas, a primeira turma so estara formada daqui a um ano e meio?.

Para suprir essa carencia, a UECE, por meio do Grupo de Estudos em Arte, Cultura e Educac?o, oferece cursos de formac?o continuada para professores, alunos de pedagogia e arte-educadores. ?Mas e bom lembrar que a tendencia e por licenciaturas especificas (teatro, danca, musica e artes visuais) e n?o pela multidisciplinaridade dos professores?, ressalta Edite.

Se por um lado existe a dificuldade de implantar oficialmente em todas as escolas uma nova concepc?o do ensino de arte, por outro, a influencia e a agilidade dos novos meios de comunicac?o, linguagem e manifestac?es artisticas e culturais pressionam os atores envolvidos a buscar alternativas que atendam as necessidades de express?o dos alunos. Muitas escolas estimulam o uso de multimidia nos trabalhos curriculares, na criac?o de videos literarios e dramatizac?o de contos, oferecem oficinas de desenho, fotografia, musica, arte circense, teatro e danca. Isso mostra que as instituic?es de ensino romperam com o carater tecnicista e utilitarista dos primordios da educac?o artistica no Brasil, mas ainda n?o promovem o ensino transdisciplinar da arte e a sua capacidade de estimular a reflex?o historica, a emancipac?o critica e a humanizac?o dos valores.

Esse descompasso e comum tanto a rede de ensino publica quanto a privada, mas em cada uma delas existem boas iniciativas de democratizac?o da arte. No dia 11 de junho, por exemplo, 300 alunos da rede municipal de ensino de Fortaleza (CE) foram assistir ao espetaculo Quidam do Cirque du Soleil, numa atividade complementar as oficinas de teatro, danca e musica.

O Azul esta sorrindo

Equilibrar o corpo, a alma e o espirito; despertar o sentido estetico e artistico para desenvolver o pensar, o sentir e o querer e permitir que cada etapa da vida seja vivenciada intensamente s?o premissas do curriculo da Escola Micael, em Fortaleza. Adepta da pedagogia Waldorf, a escola com 104 alunos do maternal a 9? serie, e um verdadeiro laboratorio de cores, formas e sons. Para o professor de artes, Munir Dertkigil, ?o papel da Escola e prover as necessidades das criancas em seu processo de desenvolvimento, incentivando a criatividade e a imaginac?o ? o que conduz as criancas a um pensamento livre?. Passear pela escola e mergulhar no universo ludico do que se pode sentir, aprender e fazer com fios, tintas, papeis, madeira, argila, tecidos, palavras, ritmos, instrumentos e qualquer outra coisa que esteja ao alcance das m?os. E e mais ou menos isso que a aluna Noah Lafer, 12 anos, disse: ?o que voce imagina vai ganhando forma, movimentos, cores e, no final, voce ve o que pensou?.

A arte permeia todos os conteudos da escola e as atividades est?o associadas as fases de cada grupo etario. O trabalho com fios (trico, croche, bordados e ponto cruz) e realizado durante todo o ensino infantil e fundamental. ?Ele serve como ferramenta para a discuss?o e apreens?o das mudancas internas da crianca na percepc?o de si, do outro e do mundo?, afirma o professor Munir. No jardim, as criancas aprendem a fazer novelos de l?, desenvolvendo a coordenac?o motora e a psicomotricidade.

Mais tarde, aprendem o croche que exige habilidade com uma unica m?o e a capacidade de observac?o. O ponto cruz comeca aos 10 anos, quando se inicia a percepc?o da individualidade. O mesmo acontece com as aulas de desenho; o estudo da luz e sombras ajuda o pre-adolescente a compreender e a interpretar as polaridades e as mudancas de seu corpo em func?o das transic?es hormonais. O estimulo a sensibilidade e a percepc?o facilita a compreens?o e a interpretac?o dos signos de linguagem. Na escola Micael, o azul pode estar ?triste? quando tem uma tonalidade mais escura e pode estar ?sorrindo? sob o efeito dos tons ensolarados. As caracteristicas presenciadas nos personagens das historias remetem a vivencia da linguagem no estudo das cores. ?A gente aprende a unir a natureza, as aulas e a arte num mesmo lugar. No comeco e uma folha em branco, depois, tem vida?, comenta a aluna Tais Petronio, 12 anos.

Nas visitas a museus e exposic?es, o professor Munir destaca o valor da observac?o: o prazer de olhar, sentir, perceber e ver. A sugest?o e que o aluno caminhe ate o centro da sala, faca uma vis?o panoramica das obras e inicie a observac?o daquela que lhe chamar a atenc?o. Com tantos recursos e habilidades, os alunos dessa escola desenvolvem competencias essencias para interagir com o mundo de forma criativa, produtiva e humana. Afinal, ?a arte e o elemento regularizador do querer e do pensar humano ? ela equilibra o pensar com corac?o e o atuar com o sentir?, conclui o professor Munir, que desperta na aluna Nicole Costa, de 11 anos, a vontade de se expressar: ?aqui, nos aprendemos a acreditar no que pensamos?.

Na escola Micael, criancas e jovens aprendem a se conhecer e a fortalecer a sua identidade, a descobrir e a respeitar as diferencas de forma solidaria e responsavel, a buscar soluc?es criativas e, principalmente, a integrar diversos conhecimentos e habilidades, construindo significados e desenvolvendo o senso critico.

O ensino da arte e a presenca da arte na escola representam muito mais do que a execuc?o de uma disciplina curricular. As atividades artisticas, alem de contribuirem para o posicionamento critico e atuante do aluno, tambem reforcam a capacidade de planejamento, lideranca, organizac?o, gest?o de conflitos, trabalho em equipe, uso adequado do tempo e dos recursos e conhecimento de novas midias ? ferramentas educacionais indispensaveis no seculo XXI. Por meio da educac?o multicultural, o aluno aprende a observar uma obra e a refletir sobre o contexto social, cultural, politico e economico em que ela foi criada. Munido de referenciais esteticos, o aluno percebe as transformac?es ocorridas ao longo do tempo e as implicac?es dessas mudancas em todas as dimens?es do cotidiano.

Um mundo melhor

?O momento e de religar, de ampliar e trabalhar a transdisciplinaridade. A arte traz essa oportunidade e contribui para que a crianca se veja no mundo e interaja com o planeta. O teatro, as artes plasticas e a musica resgatam a natureza sensivel do individuo?, diz a diretora da Escola Vila, que ha 27 anos tem como proposta educativa desenvolver o ser humano como um todo por meio de uma consciencia multidimensional. A diretora, Fatima Limaverde, e conhecida em Fortaleza pelo pioneirismo de acreditar e trabalhar por uma educac?o holistica e por questionar a necessidade de mudancas na concepc?o da escola. ?Os dirigentes escolares e os org?os governamentais precisam compreender que o papel da escola n?o e apenas transmitir conhecimento, mas, sobretudo, estimular a construc?o de um novo ser?.

Na Vila, criancas e jovens de 2 a 15 anos aprendem a se co-responsabilizar pela construc?o de um mundo melhor. Para a diretora, e simples: ?nessa escola partimos do pressuposto que se o ser humano tem consciencia de seu corpo e das suas emoc?es, ele se torna mais inteiro e mais sensivel as quest?es sociais e humanas?.

A reportagem visitou a Vila num dia de comemorac?es, final do bimestre, hora de expor aos pais, amigos e funcionarios, o conhecimento vivenciado pelos alunos e educadores. Nada mais surreal do quer assistir no tel?o instalado no galp?o da escola, as impress?es dos alunos sobre a obra e trajetoria artistica de Joan Miro. Aos poucos, os desenhos e pinturas trabalhados em sala de aula foram ganhando vida na oficina de serigrafia. Os alunos do ensino fundamental exibiam camisetas estampadas com pontos, linhas e simbolos inspirados no pintor catal?o. Para a diretora, e assim que se aprende: ?os conteudos curriculares trazem a informac?o, mas a arte favorece a apreens?o de competencias que aprimoram a express?o do conteudo. A arte leva o conhecimento a sua express?o?.

Na Vila, os alunos se envolvem em todo o processo; eles definem quais ser?o as oficinas artisticas do proximo bimestre e participam da construc?o tanto do conteudo quanto da forma em que a oficina sera aplicada. No termino do trabalho, alunos e professores fazem uma autoavaliac?o. Dessa forma, conclui Fatima, ?a crianca passa a atuar sob o conhecimento, a ser exemplo/referencia de cuidado consigo e com o outro, e isso resulta em fortalecimento das atitudes solidarias?.

As atividades de artes plasticas s?o as mais exploradas pela escola, desde o maternal. As salas de aula s?o tematicas e, em cada uma delas, elementos artisticos e material multimidia criam uma ambientac?o que favorece a relac?o entre o conteudo curricular e o significado para a crianca. Afinal, ?se aquela informac?o n?o faz sentido para o aluno, ele n?o se envolve, n?o aprende e o objetivo da escola n?o e alcancado. N?o e isso que queremos?, diz a diretora.

Para obter esses resultados, a escola realiza reuni?es mensais de integrac?o entre os professores, funcionarios e diretoria. Nas reuni?es, atividades de biodanca, yoga, teatro e auto-massagens trabalham a consciencia corporal e emocional da equipe, o que faz com que a escola seja mais harmonica e tenha uma identidade comum a todos que trabalham nela. Para Fatima, n?o ha como continuar a ensinar como aprendemos, e preciso aceitar que a escola se transformou num centro de estimulo a pesquisa, num mapa do conhecimento com atalhos, trilhas e rumos individuais e coletivos. ?A escola precisa ensinar o aluno a ouvir, escutar, ver e sentir, pois tudo isso sensibiliza a crianca para o que e belo e sensivel. E adultos com essas referencias tem competencias para melhorar o mundo?.

*Materia publicada na edic?o de outubro/2009 da revista Profiss?o Mestre.

Free-lacer das revistas Profissão Mestre e Gestão Educacional





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