Existe um pensamento de que o brasileiro só é patriota em época de Copa do Mundo ou em jogo da seleção brasileira. Apesar de muitas pessoas discordarem disso, esse é o senso comum que ainda prevalece. Portanto, trabalhar a História do Brasil e consequentemente inflar o senso de patriotismo nos alunos se torna um ponto essencial dentro das salas de aula. Com isso em mente, a professora de Língua Portuguesa da rede municipal de Educação do Rio de Janeiro (RJ), Maria do Carmo Rezende Procaci Santiago, elaborou um plano de aula que busca debater e conscientizar os alunos da história e da situação sociopolítica e econômica do Brasil.

“Os alunos devem conhecer os problemas sociais, econômicos e políticos que constituem dificuldades para o crescimento de nosso país, bem como as grandes realizações, marco de nossa história, a fim de proporcionar-lhes maior compreensão, amor e espírito de luta pela Brasil”, justifica a educadora, que afirma que os alunos sempre se mostraram muito receptivos às atividades propostas. “Com toda a simplicidade dos alunos, o resultado do trabalho foi muito bom e valeu para repensar sobre a vida de cada um, o seu papel na sociedade, seus direitos e deveres. O que fazer para melhorar não só o meu mundo, mas o mundo de cada um, a nossa vida”, considera.

Desenvolvido para ser aplicado com alunos da 8ª série, ao longo de 10 ou 12 aulas, o plano conta com diversas etapas e com muitos materiais audiovisuais para serem trabalhados. Confira:

Primeira etapa: Introdução ao tema

Para iniciar as conversas, Maria do Carmo sugere o trabalho com três vídeos que retratam realidades diferentes encontradas no Brasil. O primeiro é o filme Esse homem vai morrer – Um faroeste caboclo (http://www.youtube.com/watch?v=TWHES9FnGqg), que aborda a questão da violência, impunidade e corrupção no campo; o segundo trata-se de Economia: A pessoa acima do dinheiro (http://www.youtube.com/watch?v=OZBNHTf5qSg), que propõe um debate sobre o lugar que a economia ocupa em nossa sociedade; e o terceiro é a série O povo brasileiro, do antropólogo Darcy Ribeiro (http://www.youtube.com/watch?v=TcwMZU5Y0iw&list=PL3B904E5070413F07), na qual o autor busca entender as raízes da formação do nosso povo.

Segunda etapa: Diversidade

Após os debates com os vídeos, o trabalho passa a ser elaborado com base em duas músicas: Brasil, de Cazuza (http://letras.mus.br/cazuza/7246/), e Sob o mesmo céu, de Lenine (http://letras.mus.br/lenine/198188/), “apontando o que elas têm em comum e de diferente: os fatos que apresentam e os sentimentos que evocam”, explica Maria do Carmo, que sugere também a montagem de uma apresentação com trechos de vídeos e fotografias que demonstrem a diversidade brasileira.

Terceira etapa: Política

Para entender a história da política no Brasil, a professora trabalhou com os estudantes três vídeos voltados para despertar a consciência política dos brasileiros. São eles:

- O analfabeto político, de Bertolt Brecht: http://www.youtube.com/watch?v=DlqAQI9BZOY

- Poema da ética, por Ana Carolina: http://www.youtube.com/watch?v=GgW9FdrE7oQ

- Mudar o país, por Herbert de Souza (Betinho): http://www.youtube.com/watch?v=yrSpsn7c8io

Quarta etapa: Varal das mudanças

Com base em cinco músicas de artistas brasileiros, os alunos devem agora confeccionar um varal, onde cada jovem irá expor a(s) mudança(s) que ele quer ver no País. As músicas que servirão de fonte para os estudantes são:

- Zé Ninguém (Banda Biquini Cavadão): http://letras.mus.br/biquini-cavadao/44611/

- É pra rir ou pra chorar? (Gabriel O Pensador): http://letras.mus.br/gabriel-pensador/96114/

- Voz da massa (Seu Jorge): http://letras.mus.br/seu-jorge/1207675/

- Sob o mesmo céu (Lenine): http://letras.mus.br/lenine/198188/

- Brasil (Cazuza): http://letras.mus.br/cazuza/7246/

Cada aluno deve colocar numa folha de papel a sua reivindicação por meio de texto, desenho ou colagem. Os estudantes que tiverem propostas similares são então agrupados para trocarem ideias. “[No final], cada grupo resume e anota as ideias/alternativas em um mural que será afixado na escola, ilustrado com frases de músicas e poemas relacionados ao tema”, explica Maria do Carmo.

Quinta etapa: Educação

Com base numa entrevista com o pedagogo e educador Paulo Freire (www.youtube.com/watch?v=60c1RapBN7U), a professora carioca sugere a realização de mais um debate, desta vez sobre como Freire entendia o papel da educação no processo de transformação das realidades injustas.

Sexta e sétima etapas: Reflexões

A sexta parte do plano de aulas envolve uma série de debates inspirada nas seguintes frases, que resumem os pensamentos do sociólogo Betinho e que deverão ser distribuídas para os alunos:

- Só a participação cidadã é capaz de mudar o país.

- Democracia serve para todos ou não serve para nada.

- O que nos falta é a capacidade de traduzir em proposta aquilo que ilumina a nossa inteligência e mobiliza nossos corações: a construção de um novo mundo.

“[O ideal é] dividir a turma em grupos e cada um refletirá e apresentará a opinião dos seus componentes a respeito das frases recebidas acima”, afirma Maria do Carmo.

Já a sétima etapa é bastante similar à sexta, mas com o diferencial de que ela usará as canções de Seu Jorge, Biquíni Cavadão e Gabriel, O Pensador já trabalhadas na confecção dos varais.

Oitava etapa: Gincana

Para encerrar as atividades, Maria do Carmo propõe então a realização de uma gincana com os alunos, pois “uma gincana requer trabalho de equipe. Cidadania se aprende com exercícios de participação, envolvimento, que todos se integrem e participem ativamente”, afirma a professora, que destaca que a competição na verdade deverá incentivar a cooperação, premiando as equipes que mais demonstrarem criatividade, alegria e espírito cidadão.

Maria do Carmo elenca as seguintes atividades como ideias de provas ou testes para a gincana:

- Entrevista com uma pessoa da comunidade, de mais ou menos 60 anos, para perguntar como era o voto no Brasil quando ela era jovem (com que idade era permitido votar, quem votava, que partidos existiam, como era o processo da eleição, o que havia de curioso...) e como isso evoluiu.

- Montagem de uma dramatização a partir de uma música, retratando o Brasil que temos e o Brasil que queremos.

- Fazer uma paródia de música conhecida, e nela falar sobre a importância do voto.

- Criar um desenho, um logotipo, com mensagem que fale de cidadania, participação.

- Entrevistar uma ONG ou algum grupo da comunidade para conhecer qual trabalho social realiza e depois apresentar.

- Encaminhar cinco crianças para fazerem o registro de nascimento.

- Organizar faixas, bandeiras e formar blocos com os excluídos da comunidade, dando voz àqueles que muitas vezes ficam esquecidos.

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