Professora propõe plano de aula interdisciplinar para explorar o trabalho, temática comum a diversas disciplinas

Alguns temas extrapolam as barreiras dos conteúdos disciplinares e podem ser trabalhados de maneira interdisciplinar pelos professores. Um exemplo é o assunto trabalho, que, como destaca a professora Izabel Castanha Gil, que leciona Geografia na Escola Técnica Estadual Professor Eudécio Luiz Vicente, de Adamantina (SP), é um dos temas centrais não apenas da Geografia, mas também de História e de Sociologia. Com isso em mente e valendo-se de fontes virtuais e metodologias convencionais de ensino, a educadora propõe a abordagem interdisciplinar da temática. “A proposta é apresentar o tema trabalho de maneira contextualizada, levando o aluno a conhecer sua evolução e caracterização em diferentes épocas e sociedades”, explica Izabel.

O plano de aula criado pela professora está dividido em 6 horas-aula e em duas grandes atividades. Acompanhe a seguir. 

Atividade 1

Para começar, o professor deve orientar a turma a formar grupos de cinco alunos. Com caderno, lápis e câmeras fotográficas (ou celulares), os grupos devem fazer um trabalho de observação de cenário. “O principal objetivo é apresentar e desenvolver uma atividade que permita a pertinência do tema em estudo (foco teórico) no cotidiano de todos nós, contribuindo para que o currículo seja vivo e instigante”, avalia Izabel.

O roteiro sugerido pela professora (disponível na íntegra em http://bit.ly/21njq0A) inclui o registro (em texto e foto) das manifestações reconhecidas pelo grupo como resultado de um trabalho, das profissões e dos profissionais envolvidos na produção das manifestações identificadas, dos recursos naturais supostamente necessários para a produção desses itens e das técnicas e ferramentas necessárias para a produção dos objetos observados.

Na sequência, os alunos devem entrevistar alguns profissionais para entender a realidade de seu dia a dia de trabalho. Para isso, podem fazer perguntas como:

  • Há quanto tempo atua nessa profissão?
  • Quais são suas obrigações nesse trabalho?
  • Frequentou ou frequenta algum curso profissionalizante para estar apto a executar essa função?
  • Tem direito a descanso semanal remunerado, férias, 13º salário?
  • Tem carteira de trabalho assinada?

As respostas devem ser organizadas em um cartaz que contenha também as imagens coletadas e figuras retiradas de jornais e revistas. Os cartazes devem ser fixados em uma das paredes da sala, formando um mural, e, em seguida, os grupos devem expor o resultado de suas observações, de modo que os alunos circulem entre os trabalhos, ouvindo e dando explicações. “Próximo ao conjunto dos cartazes, o professor deve fixar uma folha em branco tamanho A3. Nele, com um pincel atômico preto, o educador deve anotar palavras-chave apontadas pelos alunos (como trabalho, trabalhador, técnica, ferramentas, recursos naturais, transformação etc.). Isso contribui para reforçar o enfoque dado ao tema, apontando os conceitos que o estruturam”, explica Izabel.

Atividade 2

Na segunda etapa do plano de aula, os grupos formados anteriormente devem, por sorteio, pesquisar os temas listados na tabela a seguir.

Tema

Fontes de pesquisa

Trabalho no Egito Antigo

bit.ly/antigo-egito

bit.ly/egito-antigo

Trabalho na Grécia Antiga

bit.ly/legado-grego

bit.ly/trabalho-grecia

Mulher e trabalho no século 19

bit.ly/trabalho-escravo-Brasil

bit.ly/mulher-e-trabalho

bit.ly/formas-trabalho-escravo

Trabalho indígena

bit.ly/trabalho-indigena

bit.ly/indios-Brasil

Trabalho na Europa medieval

bit.ly/trabalho-Europa

bit.ly/vida-idade-media

Trabalho na Ásia Oriental medieval

bit.ly/imperios-medievais-asia

Trabalho na América Espanhola

bit.ly/america-espanhola

bit.ly/trabalho-america-espanhola

Trabalho escravo na América Portuguesa

bit.ly/america-portuguesa

bit.ly/trabalho-escravidao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

O objetivo é fazer uma análise do trabalho nas diferentes sociedades. Para isso, as fontes de pesquisa devem ser lidas, interpretadas e sintetizadas pelos alunos. A síntese do conteúdo deve ser representada (com ilustrações, legendas e pequenos textos) em cartazes confeccionados em cartolina branca ou em papel pardo. Posteriormente, os grupos devem apresentar suas análises para a turma. “A ideia é traçar uma visão histórica e sociológica acerca das diferentes formas de organização do trabalho e como essa organização influenciava e(ou) era influenciada pela cultura de quem o produzia”, indica Izabel. E complementa. “A proposta é facilitar a comparação das formas de organização do trabalho em diferentes momentos históricos”.

Em seguida, com a ajuda do professor de Língua Portuguesa, um aluno voluntário deve escrever, em uma folha de papel tamanho A4, a etimologia da palavra trabalho (citando a fonte de pesquisa). Essa folha deve ser afixada próxima aos cartazes, e o aluno deve socializar a informação com os demais colegas. Na sequência, com a contribuição dos professores de História e Sociologia, os alunos devem ser estimulados a responder a questionamentos como:

  • 1. Essas formas de organização do trabalho contribuíram, de alguma maneira, para a construção da cultura desses grupos? Como é possível perceber isso?
  • 2. Por que muitos trabalhadores eram explorados? Como reagiam a essa exploração?
  • 3. Há evidências de exploração do trabalho nas comunidades indígenas?
  • 4. Ainda é possível identificar algumas dessas formas de organização do trabalho nos dias atuais?

As respostas devem ser anotadas nos cadernos dos alunos e servir como subsídios para o momento da socialização dos resultados, que deve acontecer por meio de um debate, com os alunos organizados em um único círculo, em que todos são estimulados a falar. 

Conclusão

Para a conclusão da aula, com orientações do professor de Língua Portuguesa, cada grupo deve produzir uma dissertação sobre o que foi apreendido, concluindo as atividades. “Essa estratégia didática parte da facilidade do acesso à informação (típica da contemporaneidade) e do aprendizado coletivo resultante da socialização. Os alunos tornam-se protagonistas na construção do conhecimento, enquanto o professor é o mediador dessa relação”, conclui a professora criadora do plano de aula.

Reportagem publicada na edição de dezembro de 2015.

 

Imagem: Designed by Freepik

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