A biodegradabilidade é uma característica de algumas substâncias químicas de ser utilizadas por micro-organismos como substratos, gerando energia e outras substâncias, como aminoácidos, novos tecidos e até mesmo novos micro-organismos. Cada substância química conta com seu próprio fator de biodegradabilidade, o que faz com que cada material leve um determinado tempo para ser decomposto.

O professor de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Júlio César de Carvalho, lecionou por anos na educação básica e, para ensinar aos seus alunos sobre a biodegradação, ele usava um plano de aula relativamente rápido, mas bastante prático, que conta com o envolvimento dos alunos. “Essa prática tem um elemento de planejamento e avaliação que exige uma paciência que nem todo aluno tem, mas ilustra bem o método científico. Pode ser altamente integrada com outras disciplinas e ilustra de forma clara um problema sério, que é a dificuldade de degradação de lixo quando não reciclado”, afirma o professor.

O projeto desenvolvido por Carvalho é dedicado principalmente para o ensino fundamental II. “É ideal para 5ª a 8ª [séries], mas pode ser adaptado para séries anteriores e aprofundado em séries posteriores”, explica o educador. O plano de aula prevê a utilização de três aulas, mas não em sequência, pois é necessária uma passagem de tempo entre a segunda e a terceira aulas, de modo que a atividade possa ser bem-sucedida.

 

Primeira aula: Teoria e preparação

Para começar as atividades, Carvalho sugere a leitura de vários materiais e textos didáticos sobre biodegradabilidade e biodegradação. O ideal é que tanto alunos quanto professores possam partilhar ideias, opiniões e conhecimentos sobre o tema. Nessa aula, o docente também deve dar início à etapa da aula seguinte. “Peça também que [os alunos] separem um pedaço de lixo qualquer, de 5 a 10 centímetros – por exemplo, saco plástico, tecido, chapa de metal, madeira, papel, lata, biscoito”, indica.

 

Segunda aula: Prática

Na aula seguinte, em que os alunos devem estar com seus materiais, é preciso levar os jovens para um ambiente aberto na própria escola, onde os pedaços de lixo separados serão enterrados. O professor deve então avaliar e discutir com os alunos quanto tempo cada material irá levar para se decompor. “Como a aula é prática, a discussão será feita em torno dos materiais (físicos) trazidos pelos alunos. O ideal é que os alunos registrem imagens dos materiais antes e depois dos processos de degradação; se o laboratório possuir uma lupa ou um microscópio, pode-se experimentar a verificação da superfície do material”, afirma Carvalho. Após a discussão e o registro fotográfico dos materiais, é hora de enterrá-los. Disponha os materiais de forma que se saiba onde se pode encontrá-los, no futuro, e cubra-os com uma camada de 2 centímetros de solo.

 

Terceira aula: Análise e conclusão da atividade

Após a segunda aula, o ideal é que a turma espere pelo menos algumas semanas para que os pedaços de lixo enterrados sofram a biodegradação. “A última aula pode ser feita muito tempo depois da primeira – até um ou dois anos depois –, pois remover os materiais seria como abrir uma cápsula do tempo”, explica o professor.

Passado o tempo estipulado pelos alunos e pelo professor, é hora de extrair os materiais e analisar o que aconteceu com eles neste período. O ideal é classificar os produtos como degradáveis, lentamente degradáveis ou não degradáveis.

Para concluir, o professor ainda sugere um exercício para os estudantes. “Peça aos alunos que, usando os valores estimados de produção de lixo municipal e da população, façam uma projeção da quantidade de lixo que é produzida hoje na sua cidade, qual a fração degradável e qual a quantidade de lixo que estará acumulada em 20 anos, se a reciclagem não for feita de forma intensiva”, diz Carvalho.

+ Educação
Assine a newsletter mensal e gratuita +Educação e receba ainda mais conteúdo no seu e-mail!