Por meio de atividades interativas, professora mostra aos alunos que a química está mais presente na vida deles do que imaginam 

A adolescência é uma época em que o indivíduo passa por inúmeras transformações. Como não bastasse ser preciso aprender a lidar com as mudanças no corpo e na maneira de enxergar o mundo, é necessário entender novos sentimentos, como a paixão. Foi pensando em aliar esse contexto rodeado de emoções às reações que acontecem no organismo que a professora Nilcilene de Fatima Resende elaborou o plano de aula Entendendo a química do amor, que mostra a presença da química (e da biologia) nesse importante período da vida dos adolescentes. “Percebo uma distância muito grande entre a matéria trabalhada (teoria) e a prática. Ou seja, falta adequação do conteúdo à realidade dos alunos. Além disso, sinto que falta muito trabalho interdisciplinar em nossas escolas”, aponta a professora.

O objetivo do plano de aula é mostrar como a química “enxerga” e tenta racionalizar o amor e a relação entre indivíduos: identificando, analisando ou até mesmo sintetizando moléculas que contribuem para essas relações. Por meio das atividades, a professora faz os alunos identificarem e compreenderem quais são as substâncias que agem no organismo quando estão apaixonados, bem como o local de produção e a ação dessas substâncias. Ela explica que o plano está divido em três aulas de 50 minutos e que, para realizar esse projeto, é necessário que a turma tenha alguma noção sobre o funcionamento do sistema endócrino.

Espalhando o amor

A aula começa com a sensibilização dos alunos. Para isso, Nilcilene sugere a exibição do vídeo Sentimentos, de Sheila Mota, disponível em bit.ly/sentimentos-Química. O objetivo é fazer os estudantes entrarem no clima. Em seguida, o professor deve mostrar outro vídeo, com a música Química, do grupo Legião Urbana (disponível em bit.ly/Química-Legião), que mostra outra visão sobre o amor. Depois de os alunos terem visto os dois vídeos, deve-se propor um momento de reflexão para que eles analisem as diferenças entre os dois materiais. “É aí que o professor deve apresentar o assunto da aula, explicando que quase tudo que se refere ao entendimento sobre a relação entre os animais, assim como entre os seres humanos, pode ser compreendido através da química e da biologia”, explica Nilcilene.

Após a reflexão sobre as diferentes visões em relação ao amor, o docente deve perguntar se a turma já ouviu a frase “rolou uma química entre nós” e se ela acredita que existe química no amor. “Depois de ouvir as mais diferentes respostas e questionamentos, deve-se falar sobre as substâncias químicas que são produzidas pelo nosso organismo quando estamos apaixonados, como adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, ocitocina, serotonina e endorfinas”, indica a professora.

A química de cada um

Na segunda aula sobre o tema, os alunos devem ser divididos em grupos. Cada um ficará responsável por pesquisar sobre uma das substâncias produzidas pelo organismo – que foram citadas na primeira aula. O professor pode fazer sorteios para distribuir os temas entre os grupos. O objetivo é que os alunos entendam como as substâncias são criadas e como elas agem no organismo. A pesquisa deve indicar, obrigatoriamente, o local em que elas são produzidas e quais são as reações que provocam no corpo e na mente.

Nilcilene ressalta que esse é um dos grandes diferenciais dessa aula, porque o professor deixa de ser ativo e torna-se passivo no processo. “Ao estudarem por si próprios sobre o assunto, os alunos constroem a linha de raciocínio em relação às substâncias, pesquisando-as e apresentando-as”, comenta. A professora sugere que, para o processo de pesquisa, o ideal é que os alunos possam utilizar a sala de informática. Porém, se não for viável, o professor pode distribuir alguns livros que tenham o conteúdo que os alunos precisam. Em seguida, os estudantes devem ser orientados a organizar o material em PowerPoint para a próxima aula.  

Mapa conceitual

Na terceira e última aula sobre o assunto, o plano da professora Nilcilene prevê que cada grupo apresente, em forma de seminário, as informações da substância sobre a qual ficou responsável, mostrando como e quando elas são produzidas no corpo, de que forma reagem no organismo e que sensações provocam. Depois das apresentações, o educador, com a ajuda dos alunos, deve montar um mapa conceitual, que é uma maneira dinâmica de organizar os conhecimentos adquiridos (mais informações sobre mapas conceituais estão disponíveis em bit.ly/mapas-concentuais).

Para fazer o mapa conceitual da química do amor, o professor precisará usar a sala de informática. Nilcilene indica a utilização do programa CmapTools para a elaboração do mapa. O download dessa ferramenta pode ser feito em bit.ly/CMAPTOOLS.

Avaliação

Nilcilene explica que a avaliação do aluno deve acontecer em todas as etapas – desde a discussão inicial acerca dos vídeos apresentados, durante a realização das pesquisas, até a organização e a apresentação do seminário. No entanto, Nilcilene destaca que uma das fases mais importantes é a elaboração do mapa conceitual, em que será possível verificar o que realmente os estudantes entenderam sobre os temas trabalhados. Ela aponta ainda que, nas vezes em que aplicou esse plano de aula, os alunos sempre demonstraram muito interesse e quiseram saber além do que é trabalhado. Portanto, essas atividades podem servir de guia para as próximas aulas. 

Reportagem publicada na edição de janeiro de 2016

Imagem: Designed by Freepik

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