O trabalho com estatísticas muitas vezes é usado para a comprovação de alguma informação, hipótese ou teoria. É possível ver isso diariamente nos jornais, tanto impressos como televisivos, nos quais números e mais números inundam as chamadas, atestando a situação econômica de determinado país ou o crescimento (ou decrescimento) de algum outro aspecto. Por isso, compreender o que são estatísticas e saber como utilizá-las são fatores essenciais para que os alunos possam entender um pouco mais sobre o que acontece no mundo.

Roberto Giancaterino, professor, matemático e pós-doutor em Educação, criou um plano de aulas que utiliza elementos do cotidiano dos alunos para que os jovens aprendam a trabalhar com estatísticas e gráficos. O principal material utilizado na atividade são contas de água e de energia elétrica das casas dos próprios estudantes.

O plano de aula foi desenvolvido para durar quatro aulas e é voltado para estudantes do 7º ano do ensino fundamental, mas alunos mais jovens ou mais velhos podem participar das atividades. “Crianças acima dos 10 anos de idade já podem fazer parte”, afirma Giancaterino, que também é escritor, pesquisador, palestrante, congressista, conferencista internacional e autor do livro A matemática sem rituais (Wak Editora).

O começo do projeto elaborado pelo educador consiste em uma aula tradicional, com a exposição dos conceitos e das teorias sobre o tratamento de informações e estatísticas. Para auxiliar o desempenho dos alunos nesse início do plano de aulas, Giancaterino faz uso de videoaulas e outros vídeos que abordem o tema em questão.

Nas aulas seguintes, no entanto, o teor muda completamente: o professor pede para que seus alunos tragam contas de água e de energia elétrica dos meses anteriores, a fim de que eles façam a medição do consumo de suas casas e, com base nos dados coletados, criem gráficos de barras e de linhas. A participação dos estudantes nesse ponto surpreendeu o professor. “O desempenho foi além do esperado. Foi excelente, pois os alunos demonstraram grande interesse pelo conteúdo da forma como ele foi abordado”, comenta Giancaterino.

O matemático ainda revela que, graças ao material utilizado nas aulas (as contas de água e de luz), não foram apenas os alunos que se beneficiaram das atividades. Até mesmo as famílias dos estudantes se aproveitaram dos gráficos criados pelos alunos. “Houve grande participação também da família, que se envolveu de forma relevante na elaboração dos gráficos. No final, [os familiares] acabaram descobrindo que poderiam economizar os gastos com energia elétrica e água”, afirma o professor, satisfeito com o desempenho dos alunos e do plano de aulas elaborado.

 

Matéria publicada na edição de dezembro de 2013.

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