A educação financeira tem ganhado espaço nas escolas e já está presente desde as etapas iniciais do ensino. Isso porque se considera necessário que as crianças aprendam noções sobre dinheiro, o valor e a utilidade deste, bem como conheçam desde cedo o funcionamento do comércio para se tornarem adultos mais conscientes. Com base nesse contexto, Michelle Ribeiro Cavalcante, professora de Matemática no Centro Municipal de Educação Infantil Tia Carlota, em Teresina (PI), resolveu utilizar um cenário bastante comum a seus alunos para ensiná-los o tema. “O plano partiu da curiosidade das próprias crianças. Próximo da escola há um local de comércio, e eu percebia a euforia na hora da saída para compra de bombons, biscoitos, petiscos e como elas trocavam informações sobre os preços e os valores das moedas e cédulas utilizadas”, conta Michelle, que dá aulas para crianças de 5 e 6 anos na instituição.

No comércio

A professora criou uma atividade de caráter mais lúdico para seus pequenos educandos: ela os levou para a loja próxima à escola, onde cada aluno, com uma quantia previamente determinada de dinheiro, pode comprar balas e bombons para o exercício. “O objetivo dessa atividade de levá-los ao comércio é o de compreender que cada coisa tem um valor e que o dinheiro circula de mão em mão”, explica Michelle. Ela complementa: “A atividade oriunda da conversa suscitou em uma ação lúdica, uma ação que abordasse o valor matemático e científico, sem perder de vista o aspecto lúdico e divertido”.

Na sala de aula

Ao voltar para a sala de aula, os alunos, com o auxílio da educadora e de diversas mídias, elaboraram gráficos com os valores que foram ou não gastos e o que foi comprado. Michelle registrou em fotografias a visita dos alunos ao comércio. “Na maioria dos meus planos, faço questão de utilizar as mídias como recurso facilitador para o entendimento deles. [Eles] realizaram o desenho do gráfico e, com as fotos tiradas ao longo da atividade, tudo foi apresentado para que dessa forma pudessem visualizar com interesse e satisfação o próprio trabalho e o de seus colegas”, explica a professora.

Caráter lúdico

Para Michelle, o destaque da atividade realizada com as crianças está no aspecto lúdico que a experiência trouxe. “Proporcionar uma atividade lúdica nesse ritmo é não perder de vista situações do próprio cotidiano das crianças. Ir ao mercado e ao comércio são situações rotineiras familiares”, ressalta. A professora também destaca o valor agregado que a visita ao comércio trouxe para as aulas: “Sair do espaço escolar é autenticar que fora dele existe uma enorme possibilidade de aprendizagem, de consumir o que há no espaço externo e experimentar formas dinâmicas de aprender e de proclamar uma revolução lúdica”.

O plano de aulas, além de ensinar um pouco sobre educação financeira para os pequenos, permitiu que Michelle abordasse outros temas como linguagem, artes e higiene. O grande benefício que a atividade trouxe para a turma, no entanto, foi a evolução da relação entre a professora e seus alunos, ambos com papel ativo no processo de aprendizagem. “O professor, com as crianças, são sujeitos da aprendizagem, pois se encontram na posição de domínio da práxis, são protagonistas de sentimentos e desafios, são fios de condução um para o outro”, relata Michelle. Fora do contexto da atividade, a professora destaca que aborda sempre com os alunos a importância da alimentação saudável.

 

Matéria publicada na edição de novembro de 2014.

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