A Semana de Arte Moderna (também conhecida como Semana de 22) foi um movimento artístico que aconteceu em São Paulo, entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922. Cada dia da semana trabalhou um aspecto cultural: pintura, escultura, poesia, literatura e música. O evento ainda marcou o início do modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX por ter reunido artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret e muitos outros. Um acontecimento dessa magnitude, que deixou sua marca na história do Brasil, faz parte dos conteúdos estudados nas salas de aula do País até hoje.

Para abordar esse tema com os alunos do ensino médio, a professora de Língua Portuguesa da rede estadual do Paraná, Regina Torres Rodrigues do Prado, elaborou um projeto interdisciplinar, em parceria com as matérias de História e Artes, para mostrar os vários aspectos do impacto e da importância da Semana de Arte Moderna no Brasil. O objetivo principal do plano de aulas é “destacar os fatores sociopolíticos que explicam a oscilação entre o ‘velho’ e o ‘novo’ no País, bem como ressaltar o vertiginoso crescimento de São Paulo”, afirma Regina.

O projeto, aplicado em turmas do 3º ano do ensino médio, com alunos entre 16 e 18 anos, prevê o uso de quadro-negro, painéis, vídeos retirados da internet e livros didáticos de Língua Portuguesa e História. Além disso, uma alternativa criativa encontrada pela educadora foi o uso dos smartphones para a aula. “Os smartphones ganham de nós, professores, muitas vezes, em sala de aula. Procuro reverter o uso desse recurso tecnológico a meu favor, pedindo que [os alunos] façam pesquisas naquele momento sobre o tema”, revela a professora Regina.

Etapa teórica

O plano de aulas foi dividido em duas grandes etapas: uma teórica e uma prática. A parte teórica iniciou com a análise do aspecto sociopolítico que surgiu após a Semana de Arte Moderna, seguindo para a leitura e explicação de um fragmento do livro Tarsila (Globo Livros), escrito por Maria Adelaide Amaral, e que é inspirado em Tarsila do Amaral, uma das maiores artistas do modernismo brasileiro.

A professora também desenvolveu aulas explicativas de pré-vestibular sobre o tema, durante as quais foram apresentados slides de pinturas dos artistas que participaram do movimento, como a obra expressionista da pintora Anita Malfatti. Para concluir a etapa teórica do plano de aulas, os próprios alunos elaboraram perguntas sobre o assunto, e essas mesmas questões foram respondidas coletivamente pelos estudantes de maneira oral.

Etapa prática

Na etapa seguinte, que concentrou as atividades práticas, cada turma foi dividida em dois grandes grupos, e cada um teve uma tarefa. Um dos grupos foi encarregado de encenar uma versão ou ao menos um fragmento da peça “Tarsila” (livro estudado na etapa anterior), enquanto a outra metade da turma responsabilizou-se pela elaboração da sua versão da Semana de Arte Moderna, mas mostrando os seus próprios talentos e habilidades. “Ou seja, uma Semana de Arte contemporânea na qual puderam mostrar seus dons artísticos, o que julgaram causar mais impacto no público”, conta Regina.

A educadora paranaense afirma ainda que o plano de aulas sobre a Semana da Arte Moderna de 1922 não poderia ter sido melhor para os alunos. “Essa atividade foi interessante e motivadora. Foi aplicada com alunos do período noturno, que são poucos em sala. Eles fizeram e gostaram. São bem participativos. Agora, estou levando-os ao projeto ‘Cardápio Literário’, do Sesc, onde das dez obras do vestibular, cinco serão encenadas com debate no final. [Eles] estão amando”, conclui Regina.

 

Plano de aula da Semana de Arte Moderna

Etapa teórica:

Destacar os fatores sociopolíticos que explicam a oscilação entre o “velho” e o “novo” no País, bem como ressaltar o vertiginoso crescimento de São Paulo;

Leitura e explicação de um fragmento do livro Tarsila, de Maria Adelaide Amaral;

Apresentação de aulas explicativas pré-vestibular sobre o tema;

Apresentação de pinturas dos artistas da época, como a obra expressionista de Anita Malfatti;

Elaboração de perguntas sobre o assunto pelos alunos, as quais podem ser respondidas oral e coletivamente.

Etapa prática:

Encenar a peça (ou um fragmento) de “Tarsila”;

Apresentar uma “Semana de Arte Contemporânea” com obras elaboradas pelos alunos.

Fonte: Regina Torres Rodrigues do Prado, professora de Língua Portuguesa da rede estadual do Paraná

 

Escrito por Fábio Torres

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