O escritor e pensador alemão Johann Goethe disse que “o declínio da literatura indica o declínio de uma nação”. A frase, mesmo que um pouco apocalíptica, exemplifica bem a importância da literatura para uma sociedade. Os livros são um recurso por meio do qual os leitores – independentemente de sua idade – podem conhecer novos mundos, novas línguas e novas culturas. Para Maria do Carmo Rezende Procaci Santiago, professora de Língua Portuguesa da rede municipal de Educação do Rio de Janeiro (RJ), a literatura é também um ótimo meio para ensinar sobre o folclore brasileiro e suas particularidades.

Dedicado a alunos do 7º ano do ensino fundamental II e previsto para durar de 5 a 10 aulas (dependendo do desempenho da turma), esse plano de aulas da professora Maria do Carmo utiliza não somente livros como também materiais multimídia, como aparelho de som, televisão e DVDs. O objetivo do projeto é que os estudantes aprendam a abordar o folclore em formato de poesia.

Parte 1

A educadora dá início às atividades com uma introdução ao tema proposto, explicando como funcionam os cordéis. “No cordel, assim como em qualquer outro estilo da literatura, a principal temática é o romance: histórias de amores impossíveis, rixas entre famílias que impedem o casamento, mulheres difíceis de conquistar”, explica a professora carioca. Ela esclarece as outras temáticas presentes na literatura de cordel, como aventuras, desafios entre repentistas, figuras folclóricas e religiosas. Nessa etapa da explicação, Maria do Carmo usa muitos exemplos e figuras da cultura nordestina, como o cangaço e seu principal expoente, o cangaceiro Lampião, padre Cícero e o compositor e músico Luiz Gonzaga, o Gonzagão. São personalidades que “rendem histórias contadas, cantadas e escritas em cordéis que invadem o Brasil”.

Parte 2

Para seguir a explicação sobre o tema, Maria do Carmo faz uso também de músicas, como Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), poesia rimada e musicada, e propõe aos alunos que pratiquem uma atividade de marcação de tempo e do ritmo com o corpo. “A percussão pode ser feita batucando as pernas, na sequência o tórax, sem esquecer dos pés, que marcam um pêndulo no chão. São os passos que vemos no xote, forró e baião”, complementa a professora.

Parte 3

Depois das explicações, os alunos produzem um mural com alguns tipos de literatura de cordel. “Alguns deixam seus nomes estilizados para dizer que ali estiveram, outros deixam seu amor com dois nomes e um coração e outros deixam mensagens de paz e reflexão”, relata Maria do Carmo. O mural é exposto para que outros alunos e professores possam conferir o trabalho dos estudantes.

 

Matéria publicada na edição de dezembro de 2014.

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