A abertura dos portos brasileiros, em 1808, é tida como um dos principais momentos não somente da história do País, mas também da história de outras nações, como Portugal e Inglaterra (países que, na época, eram parceiros comerciais do Brasil). O Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, promulgado em 28 de janeiro de 1808 – quatro dias após a chegada da família real portuguesa ao Brasil –, também é conhecido como a primeira experiência liberal do mundo após a Revolução Industrial.

Para trabalhar esse tema com seus alunos do 8º ano do ensino fundamental II, a professora de História Rita de Cássia Santos, de Curitiba (PR), elaborou um plano de aulas com base na análise de cópias dos documentos originais da época, tais como o próprio Decreto e fotos, e de outros registros das cidades do Rio de Janeiro e de Salvador.

 “Quando se estuda a questão da abertura dos portos brasileiros às nações amigas, o documento assinado pelo rei D. João VI logo após a chegada da família real ao Brasil, em 1808, deve ser contextualizado dentro de uma perspectiva mais ampla. A abertura dos portos deve ser entendida como uma consequência da chegada da família real portuguesa ao Brasil após a saída da realeza e de parte da nobreza portuguesa, apoiada pela armada inglesa, após a possibilidade de invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão”, comenta a professora Rita.

O plano de aulas deve ser realizado, preferencialmente, em cinco aulas e prevê o levantamento das ideias prévias dos alunos referentes ao tema, a apresentação e as análises interna e externa das fontes (fontes primária e secundária, razão da publicação, público a que se direciona etc.), a discussão entre os alunos e uma atividade para apresentação das conclusões dos estudos e do conhecimento histórico desenvolvido. “O trabalho com fontes auxilia os alunos a perceber que a vinda da família real portuguesa ao Brasil pode ser considerada um marco que possibilitou a independência do País anos mais tarde, pois modificou a relação que existia entre a metrópole e a colônia, modificando o estatuto político do País no período”, comenta a educadora.

Confira a seguir o projeto elaborado por Rita aula a aula:

Primeira aula

O primeiro momento do estudo deve ser dedicado à conversa com os alu­nos, para que o professor descubra o que eles já sabem sobre o tema em questão. “Somente tendo uma perspectiva inicial do conhecimento dos alunos é que o professor pode orientar o desenvolvimento de seu trabalho pedagógico”, atesta a professora Rita de Cássia Santos.

Segunda e terceira aulas

Nas aulas seguintes, o professor deve iniciar o trabalho com os documentos históricos, como uma cópia do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas (disponível em tinyurl.com/decreto-abertura-portos), fotos e quadros das principais cidades brasileiras na época: Salvador e Rio de Janeiro. “A utilização da fonte histórica no trabalho pedagógico é importante para que o aluno possa construir o seu conhecimento histórico pautado dentro da metodologia do pensamento histórico”, afirma Rita.

Quarta aula

A quarta aula é dedicada exclusivamente a uma discussão sobre o tema. De acordo com a professora, “a discussão deve privilegiar o estudo dos documentos, fazendo a relação de como o passado está no presente do aluno e como o estudo do passado pode auxiliar o aluno a compreender o seu presente, além de analisar de que forma este momento histórico impactou – e ainda impacta – nas relações externas que o País mantém nos dias de hoje e como essas relações foram construídas”.

Quinta aula

Para concluir o plano de aulas, Rita propõe que este último momento seja dedicado à avaliação dos conhecimentos adquiridos pelos estudantes ao longo do projeto. “O professor deve voltar a sua atenção para retomar os conhecimentos dos alunos por meio de atividades em que eles possam demonstrar o conhecimento histórico desenvolvido com base no estudo das fontes e das discussões em sala de aula entre ele e o professor e entre ele e seus colegas, sempre pautados no estudo das fontes históricas para a construção do conhecimento histórico”, conclui Rita.

 

Matéria publicada na edição de janeiro de 2014.

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