O começo do século XIX foi marcado na história mundial pelo crescimento do Império Francês, que, liderado por Napoleão Bonaparte, expandia seus territórios e impunha um bloqueio continental à Inglaterra. Portugal, que detinha um bom relacionamento com os ingleses, sentiu-se acuado e, antecipando-se às forças francesas, viu sua Família Real partir para o Brasil em 1808, onde permaneceu por 14 anos. Esses fatos resultaram em um dos momentos mais importantes da história brasileira, pois a presença de Dom João VI e de toda a corte real portuguesa em terras brasileiras foi um dos estopins para a proclamação da independência do Brasil.

Tendo em vista esse cenário, estudar a chegada da Família Real portuguesa no Brasil acaba ganhando importância extra durante as aulas. Pensando em tornar esse tema mais atraente e interessante para os estudantes, a professora de História Adriane de Quadros Sobanski, que atualmente trabalha no Departamento de Educação Básica da Secretaria de Educação do Estado do Paraná, elaborou um plano com duração de seis a sete aulas, no qual utiliza uma série de materiais audiovisuais e textuais para mostrar os diferentes pontos de vista existentes a respeito do fato.

Para começar as atividades, Adriane apresenta aos alunos a animação Dom João Carioca, de Lília Moritz Schwarcz (baseada na história em quadrinhos homônima da mesma autora), que reconta de maneira bem humorada os principais momentos da estadia dos nobres portugueses no País e é usado pela educadora para um contato inicial dos alunos com a temática. Em seguida, Adriane faz uso de trechos do filme Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, “para início das discussões e levantamento de ideias: quem veio ao Brasil? Que mudanças foram provocadas no Brasil com a chegada da corte? Quem foi beneficiado/prejudicado com essa transferência da corte?”, explica a professora.

A etapa seguinte é composta da leitura de trechos do diário de Maria Graham (disponível em http://tinyurl.com/diarioMariaGraham), uma escritora britânica que esteve no Brasil entre 1821 e 1823 e relatou o que viu no País justamente no final da estadia da Família Real em terras tupiniquins. Outro texto da época utilizado pela professora foi escrito pelo francês Auguste de Saint-Hilaire (disponível em http://tinyurl.com/textosSaintHilaire), no qual ele descreve suas impressões sobre diversas cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, etc. A terceira análise é composta pela leitura de pinturas do artista francês Jean-Baptiste Debret, que esteve no Brasil entre 1816 e 1831 e pintou diversos elementos que viu e encontrou no País durante o tempo em que esteve aqui.

Para concluir as atividades, Adriane então aplica uma avaliação diferenciada para os alunos. Ela propõe aos estudantes a elaboração de um jornal com notícias mostrando as mudanças que ocorreram no Brasil após a chegada da Família Real. A professora pede para os alu­nos elaborarem, por exemplo, uma entrevista com alguém que tenha vindo ao Brasil junto com a corte ou um anúncio de compra e venda de escravos. “A avaliação por meio do jornal é muito rica, pois os estudantes são levados a produzir a partir dos conhecimentos históricos obtidos ao terem contato com essas fontes utilizadas durante as aulas”, afirma a professora.

Adriane ainda revela que a multiplicidade de fontes, pontos de vista e opiniões é um grande atrativo para os alunos. “Fiz esse plano várias vezes e o contato com essa variedade de fontes, bem como a leitura delas, é muito rica. É possível perceber os vários pontos de vista sobre esse mesmo acontecimento e dialogar a respeito das ideias apresentadas pelas fontes”, conclui a professora.

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