Um conflito surge quando há a necessidade de escolha entre situações que podem ser consideradas incompatíveis. Logo, todas as situações de conflito são antagônicas e perturbam a ação ou a tomada de decisão por parte de uma pessoa ou de vários grupos. O cenário geopolítico mundial, graças à sua imensidão, é repleto de conflitos. Embora alguns deles não sejam tão conhecidos e destacados pela mídia, todos merecem atenção e estudo. “Os conflitos, desde a Antiguidade, afligem a humanidade com diversas consequências nocivas em todo o mundo. Mesmo com todo o progresso técnico, eles ainda persistem e percebe-se que não há esperança de solução em médio prazo. Alguns deles são clássicos, como [o que ocorre entre] israelitas e palestinos, mas há muitos outros, e é isso que este plano de aula busca abordar, por meio da linguagem lúdica que é o quadrinho”, explica o professor Nilton Goulart de Sousa, da Universidade de Brasília (UnB), que, com sua colega Cristina Leite, elaborou um plano de aulas curto – de apenas 2 horas/aula – e lúdico para que os estudantes do ensino médio compreendam os conflitos existentes no planeta.

1ª aula

Para começar o trabalho, os educadores brasilienses sugerem que os estudantes leiam textos de apoio sobre diversos conflitos, tais como os confrontos na Chechênia; no Timor Leste; na Colômbia; no Tibet; na Irlanda (entre católicos e protestantes); na Índia e no Paquistão (disputa pela Caxemira); a questão basca; a reunificação das Coreias; a Guerra no Golfo Pérsico; a questão balcânica; o movimento zapatista no México; e a questão dos palestinos e israelitas. Sousa sugere o uso do texto Conflitos internacionais (disponível em geografianovest.blogspot.com.br/2008/11/conflitos-internacionais.html), que aborda a maior parte dos conflitos citados.

Após a leitura do material de base, cabe ao professor escolher apenas um dos conflitos ou distribuí-los entre os alunos, para que os estudantes respondam às seguintes questões:

- O que é o conflito em questão?

- Por que ele ocorre?

- Como ocorre?

- Onde ocorre?

- Onde ele está localizado no mapa?

- Quais são as consequências?

- Há possibilidades de resolução?

Sousa alerta que, no estudo de um conflito, devem ser considerados quatro elementos centrais na análise:

1) Os atores: indivíduos, grupos, organizações ou estados que têm identidade própria, reconhecimento social e capacidade de modificar seu contexto. Não se deve esquecer que esses atores são movidos por interesses, valores e percepções que são próprias de cada um.  

2) A natureza: os conflitos têm natureza diferente e, por isso, podem ser de natureza econômica, política, ambiental, doméstica, internacional, psíquica, entre outras.  

3) Os objetos: sempre escassos ou vistos dessa forma, podem ser materiais ou simbólicos, profanos ou sagrados, públicos ou privados, e assim por diante.

4) As dinâmicas: cada conflito, segundo sua natureza, tem uma história própria, uma forma de evoluir, e conhece períodos mais ou menos intensos ou rápidos.

O professor também sugere aos docentes que solicitem que os alunos façam um resumo do que foi discutido para a aula seguinte e marquem em um mapa-múndi a localização do conflito estudado.

2ª aula

A etapa de conclusão do plano de aulas acontece no laboratório de informática. Os alunos, com base nas conclusões obtidas na aula anterior, devem criar uma história em quadrinhos que exponha suas opiniões a respeito do conflito estudado. Para a criação dos quadrinhos, os educadores brasilienses sugerem que sejam utilizados os programas ToonDoo (www.baixaki.com.br/download/ToonDoo.htm) e Pixton (www.baixaki.com.br/download/Pixton.htm). É preciso que todas as histórias criadas tenham capa e título. Sousa orienta que os trabalhos sejam entregues por meio de um fórum ou algum outro meio eletrônico. Caso opte-se pelo fórum, a sugestão é criar um no portal Yahoo (br.groups.yahoo.com).

 

Matéria publicada na edição de julho de 2014.

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