A demografia é uma área da Geografia que estuda a dinâmica populacional humana. O seu objeto de estudo engloba as dimensões, estatísticas, estrutura e distribuição das diversas populações. Essas dimensões, por sua vez, não são estáticas, pois variam devido à natalidade, à mortalidade, às migrações e ao envelhecimento. Trabalhar uma área tão vasta e densa requer criatividade do professor, uma vez que nem sempre os alunos conseguem entender toda essa amplitude do tema. Com base nisso, o professor de Geografia da Escola Estadual São Vicente de Paulo, de Juiz de Fora (MG), Rodrigo Bellei, elaborou um plano de aulas sobre demografia, o qual utiliza desde livros e computadores até mesmo brinquedos que os jovens têm em suas casas.

Programado para nove aulas, o trabalho é voltado ao 2º ano do ensino médio, mas, de acordo com o professor, é possível adaptá-lo para os anos finais do ensino fundamental e até mesmo para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O plano começa com uma aula dedicada a uma conversa livre entre professor e alunos a respeito do tema, de modo a destacar a importância da demografia e a relação dela com outros aspectos da sociedade. “Será nesse momento também que o professor buscará identificar os conhecimentos já adquiridos pelos alunos para aprofundá-los”, explica Bellei.

As duas aulas seguintes compreendem uma dinâmica mais descontraída. Ao desenvolver esse plano, o professor pediu para seus alunos trazerem bonecos, bonecas e bichinhos de pelúcia para a aula. Em seguida, a turma foi dividida em três grupos heterogêneos (cada grupo com meninos e meninas) e cada equipe recebeu alguns brinquedos, que serviriam como os “filhos” dos alunos. O educador, então, pediu que os estudantes criassem um país fictício, no qual os próprios jovens e os brinquedos seriam os habitantes. “Após essa organização inicial, é preciso trabalhar os conceitos de gênero, populações absoluta e relativa, contando o número de habitantes (pessoas) dentro de cada país fictício (grupo). Falar sobre as taxas de natalidade e fecundidade de cada país, considerando os bonecos, bonecas e bichos de pelúcia como filhos é necessário”, especifica o educador. Ao final do trabalho, Bellei prevê a elaboração, no quadro de giz, de gráficos e tabelas, utilizando os dados levantados pelos estudantes com base na dinâmica. Os estudantes concluem a etapa ao definir os conceitos trabalhados fundamentados nos gráficos.

Encerrada a dinâmica com os brinquedos, as três aulas seguintes são utilizadas para a análise de dados reais do Brasil, por meio de duas ferramentas disponíveis na internet: o Atlas Geográfico Escolar (http://atlasescolar.ibge.gov.br), mantido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o Atlas Brasil 2013 (www.pnud.org.br/IDH/Atlas2013.aspx), elaborado pelo Programa das Nações Unidas pe­lo Desenvolvimento (PNUD). Nesses dois sites, é possível estudar dados demográficos do País inteiro – mas Bellei aconselha a limitar as pesquisas a algumas cidades ou regiões, pois assim é possível compará-las criticamente. “Utilizo três aulas nessa parte, pois considero o tempo gasto até a iniciação das atividades em cada aula, e também devido à grande quantidade de conteúdo a ser explorado nesses dois endereços eletrônicos”, explica o professor.

A sexta e sétima aulas são dedicadas a um trabalho interdisciplinar, com Língua Portuguesa, usando o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos. De acordo com Bellei, “o professor de Geografia ficará responsável pela contextualização do tema e da região onde se passa o romance, pela análise dos fatos históricos e geográficos apresentados na leitura e pela teorização das discussões que se sucederão em sala de aula sobre as questões geográficas”. Por fim, as duas últimas aulas serão usadas para a avaliação do aprendizado dos alunos. “Sugiro uma produção de texto em que o aluno apresente uma cidade em que gostaria de morar. Em seu texto, ele deveria justificar as razões (geográficas ou não) que o levaram à escolha dessa cidade ou região. E, também, apontar as dificuldades que ele acredita encontrar com essa mudança – relacionadas à adaptação ao lugar novo – e os problemas gerados pelo distanciamen­to de seu lugar de origem”, sugere o educador.

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