Programa de computador ajuda alunos a compreenderem mapas e entenderem a história dos lugares em que vivem

Foi-se o tempo em que, para se localizar, era preciso desenrolar grandes mapas. Hoje, com um programa de computador, é possível conhecer os mapas das mais distintas localizações. “Atualmente, a internet dispõe de inúmeras formas cartográficas, que podem ser acessadas gratuitamente em sites de busca e permitem a localização de cidades, o cálculo de distâncias, o desenho de rotas, o acesso a fotografias aéreas e imagens de satélites, possibilitando maior visualização do espaço geográfico e tornando as informações a respeito de diferentes lugares mais acessíveis à sociedade”, explica a professora de Geografia Suely Aparecida Gomes Moreira, de Uberlândia (MG). Suely elaborou um plano de aula para alunos dos anos finais do ensino fundamental com o uso de um desses softwares de geolocalização – o Google Earth (disponível em www.google.com/earth) – para ensinar cartografia. A sequência de atividades tem duração prevista para três aulas e cada uma conta com uma grande atividade envolvendo o programa. 

Atividade 1 – Conhecendo o programa

Suely sugere que cada aluno utilize um computador, mas não há problema se os estudantes precisarem dividir as máquinas. A primeira etapa serve para os alunos conhecerem o programa. “Demonstre aos alunos que o Google Earth dispõe de vários recursos para auxiliar a explorar melhor o conteúdo, como guia do usuário, tutoriais, central de ajuda, comunidade virtual e blog”, destaca a docente. Suely ressalta que é preciso explicar algumas funcionalidades do programa para que os alunos possam obter melhor proveito das aulas, como o recurso Camadas, que possibilita aos estudantes visualizar estradas, terrenos, mapas, dados de edifícios, clima, oceano, vista da rua etc. 

Atividade 2 – O lugar onde moro

Agora que os alunos estão familiarizados com a ferramenta, eles devem localizar, por meio do programa, suas casas e a escola em que estudam, com o auxílio do recurso Pesquisar. Localizados os lugares, oriente-os a marcarem no mapa as casas e a escola, com o recurso Adicionar marcador. Em seguida, faça duas perguntas: Como o quarteirão em que você mora (ruas, casas, terrenos baldios, comércios etc.) é visto na perspectiva vertical (de cima), visualizada por meio de uma imagem de satélite? Como é visto o mesmo quarteirão quando alguém se locomove a pé, de carro, ônibus ou outro meio, ou seja, na perspectiva horizontal (de frente)? Além das anotações, oriente os alunos a usarem a tecla print screen para capturar, em duas escalas diferentes, a imagem que está na tela, salvá-las no editor de textos e depois imprimi-las.

Aproveite a atividade para introduzir o conceito de mapa. Auxilie-os a compreender que, em um mapa, o espaço é representado na perspectiva vertical (de cima para baixo). Em seguida, com base na representação de um croqui, destaque os elementos necessários para leitura e interpretação de um mapa (título, legenda, escala, orientação, fonte e data dos dados). Os alunos devem fazer simulações de mapas em escalas diferentes (por meio da ferramenta de zoom) e responder às seguintes perguntas: Como é o lugar em que você mora? Qual é a diferença entre observar o bairro em que você mora ao caminhar pelas ruas e por meio de uma imagem de satélite? Como esse lugar está organizado e por que foi organizado dessa maneira? “Incentive a observação e a descrição da paisagem pelos alunos e peça para fazerem anotações no caderno ou em um arquivo no editor de textos”, indica Suely. 

Atividade 3 – O conceito de lugar

Nesta etapa, os alunos devem comparar mapas em quatro escalas diferentes: continente, país, estado e cidade/bairro. Pergunte a eles: Onde se localiza e como é o lugar em que você vive? O que pode ser observado nesse lugar? O que pode ser visualizado em cada imagem de satélite? Peça aos alunos para buscarem fotos antigas do mesmo lugar, observado nos mapas, e os questione: Em que ano foi registrada a fotografia desse lugar? Como era esse lugar há alguns anos? Como é esse lugar hoje? Quais foram os principais agentes responsáveis pela transformação desse espaço? “Oriente as observações em relação à percepção das formas e dos elementos físicos da paisagem e também no que concerne aos significados ligados às atividades e à vida de seus habitantes, suas condições econômicas, políticas, culturais, emocionais e sociais como totalidade”, explica a professora.

Para encerrar o plano de aulas, promova um debate orientando os alunos para que entendam que nenhum lugar é neutro. Pelo contrário, os lugares são repletos de história e situam-se em um tempo e em um espaço fisicamente delimitado. Solicite aos alunos que façam uma pesquisa com os moradores da mesma rua que moram para descobrirem mais sobre a história desse lugar. Algumas sugestões de perguntas para essa pesquisa são: De onde vieram as pessoas que hoje fazem parte desse lugar? Como era a vida das pessoas que viviam nesse lugar em tempos passados? Quais são as práticas cotidianas das pessoas que atualmente vivem nesse lugar? Como e por que esse lugar foi modificado até ser organizado como está hoje? “É preciso que as crianças entendam que o espaço em que vivemos é o resultado da história de nossas vidas e, portanto, de nossas ações cotidianas”, comenta Suely.

Reportagem publicada na edição de outubro de 2015

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