A astronomia é uma ciência natural que estuda os corpos celestes (estrelas, planetas, cometas, nebulosas, aglomerados de estrelas, galáxias etc.) e os fenômenos que se originam fora da atmosfera da Terra (como a radiação cósmica de fundo em micro-ondas). O foco dessa área de estudo está na evolução, na física, na química e no movimento de objetos celestes, bem como na formação e no desenvolvimento do universo. Devido a isso, é fácil notar o fascínio das crianças e dos jovens quando o assunto são planetas, satélites e tudo mais que existe no universo. Por outro lado, são poucos os brasileiros que seguem estudando nessa área de pesquisa: segundo dados de 2011 da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), apenas 340 doutores em Astronomia atuam como pesquisadores ao redor do País.

Pensando em incentivar seus alunos a estudarem o tema e, quem sabe, seguirem em frente, participando da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) ou até mesmo dando sequência aos estudos no ensino superior, o professor Marcelo Tadeu Barão, que leciona Física no colégio Vital Brazil, de São Paulo (SP), criou um plano de aulas sobre o tema – uma sequência de atividades que inclusive já foi reconhecida e apresentada em outros estados brasileiros.

Previsto para durar 8 horas/aula, o projeto elaborado por Barão é voltado para as três séries do ensino médio, e pode ser facilmente adaptado para alunos de quaisquer idades. “O plano consiste em uma apresentação que remonta desde os primórdios da astronomia, na Antiguidade, até a teoria do Big Bang, com duração de aproximadamente 8 horas/aula”, explica o professor de Física.

O projeto se divide em duas grandes etapas. A parte inicial do plano de aulas dedica 6 horas/aula para a apresentação do conteúdo teórico sobre a história da astronomia, abrangendo desde os primeiros conceitos até as teorias mais recentes e importantes, como a do Big Bang – a grande explosão que, segundo os astrônomos, deu origem a todo o universo há cerca de 13,7 bilhões de anos. Para não tornar as aulas maçantes, Barão faz uso de apresentação em PowerPoint aliada à utilização de simuladores físicos relacionados ao tema principal. Os simuladores usados são os do PhET, desenvolvido pela Universidade do Colorado (EUA), disponível no endereço phet.colorado.edu/pt_BR/; os do Grupo de Astronomia Sputnik (disponível em gruposputnik.com/Paginas_com_Flash/Animacoes.htm); e as ferramentas elaboradas pela Universidade de Nebraska-Lincoln (EUA), as quais podem ser acessadas no endereço: astro.unl.edu/animationsLinks.html.

As 2 horas/aula restantes do projeto são dedicadas para a resolução, em sala de aula, de questões da OBA. As provas anteriores e seus respectivos gabaritos podem ser acessados e baixados no site oficial do exame: www.oba.org.br.

Segundo o educador, este plano de aulas foi elaborado por ele há 11 anos e, desde então, tem sido muito bem aceito pelos estudantes. “Os alunos gostam muito de assistir às aulas, até mesmo aqueles que não têm afinidade com Física, por tratar-se de um curso interdisciplinar”, afirma Barão, que relembra que, ao longo do projeto, conceitos de química também são abordados pela astronomia. O sucesso e a eficácia do plano criado pelo professor foi tão grande que, em 2013, Barão esteve presente em Sergipe e no Acre para participar de cursos de capacitação de professores, a fim de divulgar a astronomia para outros educadores.

 

Matéria publicada na edição de fevereiro de 2014.

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