Quando se fala em som ou em ondas sonoras, o primeiro pensamento que surge é “música”. É impossível não vincular uma coisa à outra e esse é o pressuposto do plano de aula sobre som de Luis Fábio Simões Pucci, professor de Física da Escola Estadual Jácomo Stávale, de São Paulo (SP). Dedicada para alunos do ensino médio, a atividade tem duração prevista de 2 a 3 horas-aula. “Isso é o mínimo que já incluiria uma complementação com exercícios ou perguntas conceituais que o professor coloca para verificar como ficou a compreensão das ideias abordadas nas aulas iniciais”, complementa Pucci.

Instrumento

A base para as aulas está na utilização de um instrumento musical – violão, teclado ou flauta, segundo indicação do professor – para a detecção das características da onda sonora: altura, volume e timbre. Para caracterizar a altura usando um violão, por exemplo, é preciso dedilhar a corda mais fina e depois a mais grossa. Os alunos devem notar as diferentes frequências (sons graves e agudos), pois a altura está ligada à frequência do som (grave, médio, agudo).

Já para explorar o conceito de volume (intensidade), é possível tocar a mesma nota mais baixo e, a seguir, de novo mais alto, ou seja, usando mais força ou energia ao tocar, sem mudar, contudo, a nota ou a corda. Outra opção é usar um rádio e variar o volume no botão. Dá para perceber que há uma relação com a quantidade de energia usada, seja energia mecânica ou elétrica. Por fim, para caracterizar o timbre, é preciso tocar uma mesma nota no violão e, depois, na flauta ou teclado. “Peço aos alunos que reparem que, embora seja a mesma nota, os timbres são diferentes. É isso que caracteriza o instrumento: cada um é uma diferente fonte sonora”, explica o educador.

Se o professor não souber tocar algum dos instrumentos citados, Pucci afirma que isso não deve ser problema para o bom andamento das aulas. “Muitas vezes, você tem alunos da sala que sabem tocar violão, e aí eles podem ajudar demonstrando no instrumento as grandezas que citei. O professor problematiza cada tópico e as discussões podem ser bem produtivas”, diz.

Simuladores digitais

Para complementar as atividades com os instrumentos, Pucci utiliza também simuladores digitais gratuitos que repliquem as ondas sonoras, “pois os alunos podem ver os gráficos de um modo dinâmico e até mesmo mexerem com os parâmetros para ver e ouvir o que acontece”, explica o professor paulistano. Ele utiliza principalmente dois simuladores: um desenvolvido pelo Instituto Galileu Galilei para o Ministério da Educação (disponível em portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=36881) e outro criado pela PhET Interactive Simulations, da Universidade do Colorado (EUA), o qual pode ser acessado pelo endereço phet.colorado.edu/pt_BR/simulation/sound.

Livro didático

Mesmo assim, Pucci não dispensa o uso do livro didático. “Leituras e exercícios com o livro didático ajudam, mas livro não tem som. Quem sabe com a nova leva de livros do próximo PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] os objetos de aprendizagem que virão junto como arquivos de multimídia ajudem a mudar isso, pois os alunos de hoje já estão na linguagem digital e não gostam muito de lidar com papel e suas informações estáticas”, afirma.

Interesse

Pucci também destaca que experimentações como a proposta por ele com os instrumentos musicais são essenciais para aumentar o interesse dos alunos na Física. “As pesquisas e as práticas bem-sucedidas na área pedagógica mostram que o aluno aprende mais quando está envolvido com o assunto, fazendo experimentos, participando ativamente, refletindo e vendo em que aquilo aparece na vida dele”, diz o professor. E complementa: “Quando desenvolvemos os estudos das ondas mecânicas de uma forma mais contextualizada, conseguimos facilitar a compreensão e, em seguida, as aplicações do tema, como exames médicos (como funciona o exame por ultrassom?) ou o funcionamento dos alto-falantes, fones de ouvido (como a energia elétrica vira som?), microfones etc., que eles tanto usam”.

 

Matéria publicada na edição de janeiro de 2015.

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