Professora de Ciências propõe plano de aula para estudo dos animais de cada bioma e para conscientizar alunos sobre a importância da preservação das espécies

Muitas vezes, um olhar atento à realidade local é tudo que um professor precisa para desenvolver um plano de aula interessante e útil aos objetivos da etapa de ensino em que leciona. Lindsai Santos Amaral Batista, professora da rede municipal de Juazeiro (BA), sabe disso e foi assim que desenvolveu o projeto “Animais em risco de extinção: conhecendo e preservando”, um plano de aula de Ciências para o ensino fundamental. A professora conta que, ao perceber que boa parte de seus alunos desconhecia a fauna peculiar da caatinga (bioma exclusivamente brasileiro e característico da região), enxergou uma oportunidade de não apenas apresentar os animais da área, mas de fazer os estudantes valorizá-los, ao mesmo tempo em que ampliam seus conhecimentos e conscientizam-se sobre conceitos referentes à preservação e à conservação da natureza. “Algumas espécies locais correm risco de extinção – e outras até já foram extintas da natureza (sendo atualmente encontradas apenas em cativeiros), como a Ararinha Azul. Então, é fundamental que façamos nossa parte”, destaca.

Preparação

O projeto de Lindsai está dividido em quatro etapas. No entanto, ela explica que isso não significa que ele será realizado, obrigatoriamente, em quatro aulas. “Não se deve ter pressa e esperar que cada etapa seja realizada em apenas um dia. As pesquisas podem demorar mais que o previsto, caso surjam animais que despertem a curiosidade dos alunos e eles decidam incluí-los no trabalho, por exemplo. Apesar de demandar mais tempo, isso enriquece os resultados do projeto”, pontua. Além disso, a professora ressalta que o projeto não começa na primeira etapa em que professor e alunos estão reunidos. Para que os resultados sejam positivos, é preciso que o educador se prepare antes de entrar em sala. “Deve-se buscar conhecer profundamente a região em que os alunos estão inseridos e o contexto em que vivem. Isso ajudará a fazer os questionamentos e as provocações certas quando a turma estiver realizando suas pesquisas, ajudando a nortear o trabalho”, analisa Lindsai.

Na prática

O objetivo da primeira etapa é fazer os alunos conhecerem as espécies naturais da região. “Para isso, é preciso dividir a classe em duas equipes e solicitar que, com a comunidade, façam um levantamento das espécies de animais e plantas que existem na região, sendo que uma equipe fica responsável pelas plantas e outra pelos animais”, aponta a docente, que acrescenta que é importante que o professor lembre que não são apenas os grandes animais ou os que possuem vértebras ósseas que merecem atenção dos alunos. “Os insetos, os aracnídeos etc. também devem aparecer nos estudos”, observa.

Em seguida, no Laboratório de Informática, os estudantes devem buscar informações sobre os exemplares que encontraram – nome popular e nome científico, características principais, habitat, reprodução, alimentação etc. “Com base nessa pesquisa, os alunos confeccionarão fichas contendo as informações encontradas e as fotografias que fizeram – ou imagens localizadas na internet. As fichas deverão ser confeccionadas em cartolina ou papel-cartão e, se possível, plastificadas, para que possam ser manuseadas sem risco de desgaste. Um bom modelo de ficha informativa são as cartas do jogo Super Trunfo”, sugere a professora.

 

Em seguida, devem ser ensinados os conceitos ecológicos relacionados ao tema. “Para isso, o professor deve preparar e executar uma aula expositiva sobre ecologia, espécies, biomas, habitat, preservação, conservação e extinção, a fim de assegurar que os alunos compreendam o que está sendo discutido”, orienta Lindsai. A professora sugere que o tema “extinção” seja trabalhado em seus diversos níveis – extinto, extinto na natureza, em perigo de extinção, ameaçado de extinção, vulnerável etc. Como apoio no estudo sobre esses critérios de classificação, ela recomenda os sites bit.ly/criterios-extincao e bit.ly/categorias-extincao.

Espécies em risco de extinção

A terceira etapa do plano de aula consiste em identificar as espécies em risco de extinção. Nesse momento, o professor deve pedir aos alunos que classifiquem os animais e plantas em termos de risco de extinção, escrevendo seus nomes em um cartaz de papel metro branco e fixando-o na parede da classe. “Para realizar essa classificação, o aluno pode, com o professor, consultar o Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção [Ministério do Meio Ambiente]”, indica Lindsai.

Na sequência, as fichas informativas devem ser distribuídas entre os alunos (essa atividade pode ser individual ou em grupos), para que pesquisem na internet a situação atual de cada animal ou planta: se estão em risco de extinção ou não, causas e consequências de sua extinção e sugestões de medidas para preservá-los. O professor deve dar alguns dias de prazo para que os alunos realizem essa tarefa, tendo em vista que as informações devem ser pesquisadas em sites ou livros. Com a atividade realizada, chega o momento de fazer a socialização dos resultados das pesquisas. “O professor deve iniciar um debate acerca das causas e consequências da extinção das espécies pesquisadas e levar a turma a perceber a necessidade de comunicação da situação atual das espécies para a comunidade, a fim de que se sintam também responsáveis pela preservação”, pontua a criadora do plano de aula.

Conclusão

A quarta e última etapa do projeto consiste na organização de uma feira ou exposição dos animais e das plantas da região, com destaque especial aos que se encontram em risco de extinção. Fotos, vídeos e painéis podem ser utilizados para auxiliar na apresentação do trabalho dos alunos. Nesse momento, cabe ao professor avaliá-los de acordo com sua atuação durante as atividades. “Perguntas como ‘O aluno deixou-se envolver pelo tema da aula?’, ‘O aluno se interessou em realizar as atividades?’, ‘Demonstrou aquisição de conhecimento por meio de comentários e sugestões sobre as atividades?’ ajudam a definir a nota final”, salienta a professora Lindsai, que acrescenta: “Também deve ser incentivado um momento de autoavaliação. Caso os alunos não tenham hábito de se autoavaliar, o professor pode utilizar uma ficha de orientação ou até mesmo promover um momento coletivo para isso, a fim de que o desempenho individual e do grupo seja discutido”, recomenda.

Reportagem publicada na edição de janeiro de 2016

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