Para fazer os alunos refletirem sobre a importância do descarte correto de resíduos, professora mostra que aterros sanitários são alternativa mais sustentável que lixões

A Lei n. 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelece que os lixões devem ser extintos em todas as cidades do Brasil. A preocupação com os lixões não é à toa. Afinal, por não ter nenhum tipo de proteção e preparação do solo para receber os resíduos, esses locais tornam-se vulneráveis à poluição causada pela decomposição do lixo, tanto no solo quanto nos lençóis freáticos e no ar. Uma alternativa mais sustentável para o planeta são os aterros sanitários, espaços preparados para a deposição final dos lixos, que são planejados para captar e tratar gases e líquidos resultantes do processo de decomposição, protegendo o meio ambiente. Para conscientizar os estudantes sobre essa situação, a professora Lérida de Oliveira criou o plano de aula “Aterro sanitário: características e vantagens”. Bióloga com especialização em Educação Ambiental, ela conta que sempre buscou trabalhar com as questões socioambientais, de maneira a promover a conscientização dos estudantes em relação ao cotidiano. “Os lixões ainda estão muito presentes no país e é notório que eles causam muitos prejuízos ao meio ambiente. Por esse motivo, abordar na sala de aula as vantagens dos aterros sanitários – quando recebem a devida manutenção – em relação aos lixões pode incentivar uma compreensão crítica da realidade, até mesmo porque suscita reflexões sobre como lidamos com os resíduos em nossas casas”, destaca Lérida.

O planejamento da professora para trabalhar essa temática está dividido em cinco momentos-chave, distribuídos em quatro aulas de 50 minutos. Para aplicar as atividades, é necessário que os alunos tenham noções básicas de ecologia (ensino fundamental) e informática.

Primeiro momento: introduzir o tema e debater

Lérida explica que o primeiro passo é mostrar aos alunos a realidade de um lixão. Para tanto, o professor pode buscar na internet algumas imagens que retratem como são esses locais (exemplos podem ser encontrados em: bit.ly/200FNck e bit.ly/1Xmq70V).

Depois de apresentar o material, o professor deve iniciar o debate em sala de aula. Lérida sugere as questões a seguir.

  • Quais sentimentos essas imagens despertam em você?
  • Na cidade em que você mora, é possível observar cenas parecidas com as retratadas nesse material? Se sim, quais?
  • É possível cogitar quem seriam os responsáveis pelas situações retratadas?
  • Você sabe para aonde são levados os resíduos produzidos em sua casa?
  • Você sabe se na cidade em que você mora existe aterro sanitário ou lixão?

“Cabe ao professor interferir e posicionar os alunos em relação às questões, assim como estimular a argumentação deles por meio de perguntas complementares”, aponta Lérida. Ela aconselha que, nesse momento, o educador registre os pontos principais do debate para subsidiar a avaliação da aprendizagem.

Segundo momento: aprender mais sobre o tema

Depois de “acender a chama” nos estudantes sobre o problema do descarte inadequado de resíduos sólidos, é hora de fazê-los aprender mais sobre o tema. Lérida orienta que, nessa etapa, os docentes dividam a turma em grupos, para que cada um deles leia algum conteúdo sobre lixão. Essas são as sugestões da professora:

 

Terceiro momento: aprofundar e fixar o conteúdo

Para que os alunos possam pensar ainda mais sobre o assunto, Lérida propõe a exibição de um vídeo sobre o lixão de Gramacho, o maior lixão da América Latina, desativado após 34 anos, causando danos ao meio ambiente e à população (disponível em bit.ly/lixão-Gramacho). Depois de assistirem à reportagem, os alunos devem responder por escrito ao questionário a seguir.

  • Por que o lixão de Gramacho é considerado um crime ambiental?
  • Por que a localização geográfica do maior lixão da América Latina é prejudicial ao ambiente?
  • O que seria necessário para viabilizar a desativação do lixão de Gramacho?
  • Explique qual é a diferença entre o lixão de Gramacho e o aterro de Seropédica.
  • Qual problema social ocorreu no lixão de Gramacho?
  • O vídeo mostra um catador de lixo dizendo que “ficará com saudades” do lixão de Gramacho. O que você pensa a respeito?

Após dar um tempo para os estudantes responderem individualmente, o professor pode sortear duplas para responderem a cada uma das questões. “Deve-se ficar atento a possíveis equívocos, cabendo ao educador imediatamente interferir sempre que necessário, assim como complementar as respostas se considerar conveniente”, aconselha a professora.

Quarto momento: explorar o conhecimento

Nessa fase, Lérida destaca a importância de verificar o quanto os alunos já estão contextualizados em relação ao tema. Para isso, ela sugere a aplicação de algumas questões de vestibulares que trabalham o assunto. As sugestões de perguntas estão disponíveis nos links bit.ly/1M8rtUP e bit.ly/1jD49IO.

Quinto momento: socializar e aprender

Na última etapa, os alunos devem desenvolver, com base no conteúdo trabalhado anteriormente, uma campanha para sensibilização e orientação da comunidade escolar sobre a importância da reciclagem do lixo. O projeto deve ter caráter educativo e conter atividades interativas – como palestras ou apresentações artísticas – destinadas a alunos, funcionários, professores e pais. Lérida acredita que esse plano de aula ajudará os professores a despertar o interesse dos alunos para que eles busquem mais conhecimento acerca desse tema tão importante – inclusive para a sobrevivência da espécie humana. “As atividades envolvem diferentes estratégias, como sensibilização, reflexão, discussão, leitura de textos variados, vídeos e questões de vestibular. Além disso, fomenta maior envolvimento dos estudantes com o meio em que vivem”, completa. 

Reportagem publicada na edição de dezembro de 2015

Imagem: Designed by Freepik

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