Plano de aula aborda literatura e relação entre o regionalismo e a segunda fase do modernismo

Despertar a curiosidade dos alunos e fazê-los ampliar sua visão de mundo são alguns dos objetivos de todo professor. Foi justamente com esse intuito que Rogério de Castro Angelo, de Uberlândia (MG), criou um plano de aula diferente para ensinar o regionalismo na literatura brasileira e estimular a participação dos alunos. As ferramentas de apoio? Músicas e poesias que tornam as aulas divertidas e inesquecíveis. Segundo Angelo, ele escolheu esse tema para chamar atenção dos jovens para o fato de que, em alguns períodos da literatura brasileira, houve uma preocupação mais evidente em retratar a cultura de determinadas regiões. “Pretendo levá-los a perceber como alguns escritores evidenciam a cultura regional em suas obras, com expressões típicas de uma região, descrição de paisagens, costumes etc.”, aponta.

Com o plano de aula de Angelo, os alunos aprendem o que é a literatura regionalista, quais são os principais escritores que publicaram romances regionalistas no Brasil e qual é a relação entre o regionalismo e a segunda fase do Modernismo (Romance de 30).

 

Módulo 1: regionalismo com música e poesia

Bagual e cabra-macho são duas palavras diferentes, mas que têm o mesmo significado: homem valente. Porém, se forem ditas em uma região que não a de origem, essas palavras não serão entendidas, tal qual uma língua estrangeira. E é com essa ideia que Angelo inicia sua estratégia de ensino do regionalismo na literatura brasileira.

A primeira aula começa com o professor apresentando a música Herdeiro da pampa pobre (disponível em bit.ly/herdeiro-pampa-pobre), que apresenta diversas expressões gaúchas desconhecidas pelos alunos do triângulo mineiro, onde o professor atua. Depois de ouvirem e acompanharem a letra, os alunos devem ser questionados sobre os vocábulos que existem nela e sobre quais deles eles desconhecem. Depois de identificá-los, eles devem procurar pelas palavras no dicionário. A seguir, o professor deve debater se é possível reconhecer a qual região do Brasil a música faz referência e por meio de quais palavras é possível percebê-la. “Acredito ser interessante que cada professor, ao aplicar esse plano de aula, trabalhe com uma música que traga palavras e expressões típicas de uma região diferente daquela em que os alunos estudam, pois isso provoca certo estranhamento nos estudantes, o que dá abertura para discussões e reflexões”, aconselha Angelo.

Na segunda etapa deste módulo, o professor deve apresentar um trecho do livro Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. Da mesma maneira como fizeram com a música, os estudantes devem apontar se existem palavras desconhecidas na obra e, se houver, procurá-las no dicionário para entender seus significados. “Após essa discussão, os alunos devem identificar, pela forma da construção textual, por meio da temática e pelas palavras empregadas, qual é a localização geográfica de onde se está falando”, indica Angelo. Ele salienta ainda que, se o professor julgar interessante, pode pedir para os alunos estabelecerem semelhanças e diferenças na forma como a música e o trecho do texto literário retratam suas regiões.

 

Módulo 2: Romance de 30

Para aprofundar o conhecimento dos alunos, iniciar a segunda etapa deste plano de aula com o vídeo Modernismo III – 2ª fase – Romance de 30 (acessível em bit.ly/video-modernismo), que trata da segunda fase do Modernismo no Brasil, especificamente do Romance de 30. Para direcionar o foco ao assunto proposto, Angelo sugere que o professor solicite aos alunos que, durante a exibição do material, respondam às seguintes questões:

De acordo com o vídeo, por que os romances de 30 surgem com uma escrita regionalista?

1. Faça uma lista dos autores apresentados no vídeo, deixando claro (sobre cada um deles):

a)    a região na qual o autor situa/ambienta suas obras de cunho regionalista;

b)    quais são suas principais obras;

c)    quais as principais temáticas trabalhadas nas obras;

d)    especificidades linguísticas de cada autor.

 

Ao final da apresentação do material, o docente deve questionar os estudantes sobre a importância das obras regionalistas nesse período da história da literatura brasileira e pedir para que diferentes alunos leiam seus comentários sobre os autores apresentados no vídeo. Na segunda parte deste módulo, os alunos devem formar grupos e fazer a leitura de um texto acadêmico de Ligia Chiappini (que pode ser baixado em bit.ly/teses-regionalismo), no qual ela apresenta dez teses sobre o regionalismo na literatura. Angelo recomenda que cada grupo fique responsável por estudar um dos tópicos. Após a leitura, o professor deve pedir para o primeiro grupo explicar a primeira tese. Os estudantes devem apresentar aos colegas as principais ideias e, depois, os alunos de outros grupos podem fazer questionamentos. “Quando a discussão do primeiro tópico chegar ao fim, passa-se ao segundo grupo, e assim sucessivamente”, recomenda.

 

Avaliação das atividades

Para o criador deste plano de aula, com essas atividades, os alunos podem ser avaliados qualitativamente quanto à participação nas discussões, ao interesse demonstrado e ao desempenho nos trabalhos em grupo. “Em relação à discussão do vídeo e à apresentação dos trabalhos dos grupos, o professor deverá observar o desenvolvimento das ideias, o trabalho em equipe e o interesse durante a apresentação dos outros grupos, questionando eventuais dúvidas”, ressalta. Angelo acredita que o diferencial dessa aula é o fato de o conteúdo ser trabalhado com base em uma música, o que atrai a atenção dos alunos e ajuda na retenção do conteúdo. “O feedback que tenho ao realizar essa aula é bem positivo. Geralmente, os estudantes se envolvem bastante nas discussões e atividades e percebo uma boa assimilação, já que eles comentam em sala sobre outras músicas com expressões regionais”, frisa.

 

+Na web

O plano de aula completo pode ser acessado no Portal do Professor: bit.ly/plano-aula-regionalismo

 

Matéria publicada na edição impressa da Profissão Mestre de fevereiro de 2016.

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