Com literatura infantil e jogos, plano de aula possibilita o envolvimento dos estudantes no aprendizado do conteúdo

Ao observar que muitas crianças dos anos iniciais do ensino fundamental não entendiam o conceito de diminutivo e aumentativo, como se o “inho” ou “ão” das palavras necessariamente indicassem o grau destas, a professora Sandra Maria Rocha de Arruda, do Rio de Janeiro (RJ), criou um plano de aula específico para suprir essa necessidade pedagógica. O planejamento da educadora envolve o uso da literatura e também de atividades interativas para garantir a participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem. “O conteúdo, em algumas práticas de sala de aula, é desenvolvido de maneira estanque, descontextualizada e, muitas vezes, definida pela memorização de regras prontas. Com isso, as crianças não pensam sobre o que é ensinado, o que acaba tornando o aprendizado automático, sem sentido. Como buscar alunos críticos e pensantes se nossa prática pedagógica não proporciona isso?”, questiona. Com base nessa inquietação, Sandra buscou desenvolver um plano de aula que possibilitasse a aplicação da teoria na prática.

 

As aulas sugeridas por Sandra têm como objetivos fazer com que os alunos consigam identificar as diferentes ideias expressas em um diminutivo, perceber que os sufixos “ão” e “inho” nem sempre indicam algo maior ou menor e ensinar a flexionar as palavras em diferentes graus. Acompanhe as etapas do plano de aula a seguir.

Aula 1: leitura e debate

O professor deve começar a aula apresentando um trecho de O reizinho mandão, de Ruth Rocha. A obra conta a história de um reizinho muito mimado e mandão, que passou a cuidar do reino após a morte de seu pai, criando leis malucas e maltratando as pessoas. De tanto dar broncas no povo, todo mundo ficou mudo, menos seu papagaio, que sempre repetia suas ordens. Para tornar a narração interativa, a professora sugere a utilização de uma coroa ou de um papagaio – sejam de brinquedo ou em imagens, impressas ou na tela do computador. Depois de fazer a leitura do livro, o professor deve debater com os alunos e propor uma interpretação oral e coletiva, recordando os personagens, suas ações, o problema criado pelo reizinho e como ele foi resolvido. Em seguida, os alunos devem responder às seguintes perguntas:

 

  • Por que a história tem esse nome?
  • Que outro nome ela poderia ter? Por quê?

 

“Ouça as opiniões das crianças sobre o assunto abordado e anote os títulos sugeridos por elas, que poderão ser utilizados em outro momento. Depois disso, destaque a palavra “reizinho” e analise com as crianças em que grau essa palavra aparece e se ela poderia ser escrita em outro grau”, orienta Sandra, acrescentando que esse momento deve ser utilizado para explicar os conceitos de diminutivo e aumentativo aos alunos.

 

Aula 2: bingo do diminutivo e aumentativo

Na segunda etapa deste plano de aula, para reforçar o conhecimento, o professor fará um bingo. Para isso, os alunos devem receber cartelas contendo algumas palavras no diminutivo e no aumentativo. Em uma sacola, o professor deve colocar as mesmas palavras, mas no grau normal. Ao sorteá-las, o professor deve dizê-las para a turma. As crianças precisam marcar em sua cartela o diminutivo ou o aumentativo dos termos sorteados. O jogo termina quando uma criança completar toda a cartela. Ao final da atividade, o professor deve explorar as palavras das cartelas, destacando seu grau (diminutivo e aumentativo) e relacionando-as entre si. Há um modelo de cartela de bingo no link bit.ly/bingo-diminutivo-aumentativo.

Atividade 3: caça-palavras

Essa é outra etapa interativa do processo. Para realizar o caça-palavras, o professor deve ir com a turma até o pátio da escola. Ele deve distribuir previamente termos no aumentativo e no diminutivo, além de palavras terminadas em “inho”, mas que não indicam grau diminutivo – como vizinho, ninho e caminho –, e palavras terminadas em “ão”, mas que não indicam grau aumentativo – como coração, mão e pão. Na sequência, deve fazer dois círculos no chão e dividir os alunos em dois grupos. Cada grupo precisa encontrar as palavras espalhadas pelo pátio e colocá-las no círculo que corresponde ao seu time. Ganha quem encontrar mais palavras. “Depois de terminar a brincadeira, sente-se com as crianças em roda e avalie cada palavra buscada por elas. Faça com que elas percebam que nem todas as palavras terminadas em “ão” indicam aumentativo, assim como nem todas as terminadas em “inho” referem-se ao grau diminutivo. Ao final do debate, peça para os alunos formarem pares de diminutivos e aumentativos correspondentes”, recomenda a professora responsável pela criação do plano de aula. Exemplo de pares de diminutivos e aumentativos podem ser encontrados em bit.ly/pares-diminutivo-aumentativo.

 

Atividade 4: criando uma história

A última atividade proposta pela professora Sandra é a criação de uma história em grupo, utilizando palavras no diminutivo e no aumentativo. As crianças podem fazer uso das palavras que foram trabalhadas nas atividades anteriores para criarem suas próprias histórias. Outra sugestão para esta etapa final é aproveitar os títulos criados pelas crianças na atividade 1 para elaborar a produção de um novo texto. “Divida os alunos em grupos e distribua os títulos. Com base neles, os grupos deverão desenvolver uma história com as palavras trabalhadas no diminutivo e no aumentativo”, explica.

 

Conhecimento prático

A professora Sandra ressalta que um dos diferenciais deste plano de aula é que ele proporciona aos alunos a descoberta e a construção do conhecimento, sem que este venha “pronto”. “Apresentar um conceito utilizando elementos que tornam o aprendizado dinâmico (contação de histórias, jogos, brincadeiras etc.) é trazer um significado para esse conceito no dia a dia, destacando sua importância e utilidade. É dar movimento para um conceito estático e dar vida para conhecimentos muitas vezes tão distantes na vida das crianças”, aponta. Ela conta ainda que, quando desenvolve essas atividades, os alunos apresentam maior interesse e envolvimento, participando da construção, análise e conclusão de suas descobertas, o que torna seu aprendizado mais efetivo e autônomo. A professora recomenda aos educadores que desejem aplicar esse plano que levem em consideração o contexto em que os estudantes estão inseridos. “Que esse plano de aula funcione como um ‘norte’ para sua prática pedagógica, mas que ela esteja sempre pautada no interesse e na realidade de seus alunos, buscando ministrar aulas dinâmicas e criativas que visem estimular e promover a construção do conhecimento significativo, que é tão desejado por nós, educadores”, aconselha. 

 

Matéria publicada na edição impressa da Profissão Mestre de fevereiro de 2016.

+ Educação
Assine a newsletter mensal e gratuita +Educação e receba ainda mais conteúdo no seu e-mail!