Uma das primeiras imagens que vem à cabeça das pessoas quando se pensa em um manguezal é a de um lugar cheio de plantas, caranguejos e muita lama. Apesar de não ser o ecossistema mais bonito ou habitável que existe, sua importância para o meio ambiente é evidente, pois se trata de um lugar propício para a diversidade biológica e que produz uma parcela considerável de alimento que o homem captura do mar. Os alunos do Centro de Educação Infantil (CEI) Odorico Fortunato, de Joinville (SC), que é vizinho de um mangue, aprenderam tudo isso graças ao trabalho da professora Paula Aparecida Sestari, que foi homenageada como a Educadora do Ano no Prêmio Educador Nota 10 de 2014, promovido pela Fundação Victor Civita (FVC) em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

A trajetória de Paula no magistério começou quando ela era estagiária na secretaria de uma escola. “Ali me interessei pela docência. Fiz faculdade e trabalhei por três anos na assistência social. Depois passei para a educação infantil, área em que pude me realizar como professora na gestão de uma turma”, conta a educadora, que trabalha no CEI há quatro anos. Ao observar o entorno da escola e ver como as pessoas (mal)tratavam o manguezal – jogando muito lixo no local –, Paula teve a ideia de conscientizar seus alunos sobre aquele ecossistema. “O projeto surgiu de uma necessidade de mostrar para as crianças o manguezal sob outra perspectiva, como de fundamental importância para um estuário de vida marinha, como a Baía da Babitonga”, explica a professora. Segundo ela, “assim eles perceberam que a região no entorno da comunidade precisa ser preservada para a continuidade de muitas espécies e para nossa melhor qualidade de vida”.

Ao todo, são 30 crianças de 4 e 5 anos de idade que participam das atividades do projeto Baía da Babitonga: Nosso Berçário Natural. Dentre as ações promovidas por Paula, estão visitas ao manguezal para observar e registrar as características do lugar; leitura de materiais e pesquisas referentes à região; rodas de conversa para discutir o modo como a comunidade se relaciona com o ecossistema; aprofundamento do tema por meio de vídeos e outros materiais multimídia; confecção de móbiles e maquetes inspiradas pelo manguezal e os animais que nele habitam; transformação da sala de aula em uma “réplica” da baía. A professora realiza ainda passeios de escuna com as famílias das crianças, de modo a conscientizar também os pais e responsáveis sobre o local. Além disso, a educadora construiu, com a ajuda das crianças, uma casinha-observatório do manguezal.

O principal resultado do projeto foi a mudança da postura das crianças e dos adultos em relação ao lugar. “[Todos comentam] que o projeto foi significativo porque envolveu as famílias e mudou o olhar das crianças sobre o local em que moram, valorizando suas características”, afirma Paula. “O projeto fez com que as crianças pensassem sobre questões maiores que sua casa e escola. Trouxe uma mudança de postura pela observação atenta e colaborativa de como se pode cuidar da região mesmo [eles] sendo tão pequenos e cumpriu com o papel da educação infantil de proporcionar às crianças experiências agradáveis com a natureza”, completa.

Paula afirma que a ideia do projeto permanecerá viva este ano, por meio de outras atividades que instiguem os alunos a pesquisarem e os conscientize sobre o meio ambiente. “Penso em continuar o trabalho de pesquisa sobre como promover práticas em sala de aula que despertem nas crianças esse olhar investigativo, que as façam se sentir pertencentes e corresponsáveis pelo cuidado com a natureza e a vida em muitos outros aspectos”, revela a professora.

 

Matéria publicada na edição de fevereiro de 2015.

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