Mais do que discutir os números do Ideb e tentar apontar as falhas, alguns estados brasileiros estão arregaçando as mangas e implantando ações que possam garantir um avanço em todas as etapas de ensino.

É o caso do Rio de Janeiro, que passou do 26º lugar no ranking nacional, em 2009, para o 15º, em 2011. “Hoje, várias de nossas escolas estão colocadas nos primeiros lugares do País, motivo de orgulho para todos. Também conseguimos reduzir o nível de abandono, e no quesito proficiência, o estado do Rio foi o que mais avançou entre os estados da Federação”, comemora Wilson Risolia, secretário estadual de Educação. A melhoria, segundo ele, deve-se a um trabalho iniciado ainda em 2011, com foco no desafio de elevar os índices das escolas do Rio de Janeiro no Ideb.

Risolia conta que o primeiro passo foi “olhar para a nossa casa: perceber as dificuldades, limitações e empecilhos que nos mantinham longe dos resultados desejados e dignos da Educação do estado e por toda a comunidade escolar”. No ensino médio, por exemplo, o Rio de Janeiro ficou estagnado com a nota 2,8 entre os anos de 2005 a 2009, ficando inclusive abaixo da meta de 2,9 projetada para 2009. Em 2011, o estado saltou para 3,2, acima da meta de 3,1. “A abertura e a coragem, imprescindíveis para diagnosticar e entender nossos problemas, nos levaram à criação e implementação do Planejamento Estratégico de 2011, trabalho de equipe inédito na rede estadual de ensino. Dávamos início a um caminho necessário e sem volta”, considera o secretário. Entre as ações adotadas a partir do planejamento estratégico estão a aplicação da Gestão Integrada da Escola (Gide), uma ferramenta de gestão escolar, e a criação de processos seletivos para funções estratégicas como direção de escolas e regionais, além de outras frentes de trabalho.

De acordo com Risolia, para a elaboração do planejamento estratégico, em 2011, a secretaria se baseou nos sistemas coreano e chinês. “Colhemos excelentes resultados e agora queremos avançar ainda mais”, enfatiza. Assim, uma comitiva do estado, composta por docentes, diretores de escolas, diretores regionais, gestores públicos e membros das superintendências de Avaliação e de Gestão de Pessoas, incluindo o secretário, foi conhecer de perto o sistema educacional desses locais. Na Coreia do Sul, o objetivo foi verificar como funciona o sistema de avaliações externas e as unidades escolares. Já na China, o foco da missão foi conhecer o sistema de gestão de pessoas, assim como o sistema de meritocracia e seleção. “Em Pequim, firmamos um acordo com a prefeitura para a instalação de uma escola bilíngue Português/Mandarim no Rio de Janeiro e outra na capital chinesa”, revela Risolia.

Santa Catarina

Outro estado que comemora os resultados do Ideb 2011 é Santa Catarina. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice do estado saltou de 5,1 para 5,7 (a meta era de 5,1); nos anos finais, passou de 4,2 para 4,7 (a meta era de 4,5); e, no ensino médio, de 3,7 para 4,0 (a meta era de 3,8). “Nós recebemos esses resultados com bastante satisfação porque é fruto do trabalho que foi desenvolvido em toda a rede ao longo desse período”, ressalta Eduardo Deschamps, secretário de Educação de Santa Catarina. E o estado quer mais: “a nossa meta inicial é poder fazer com que a rede pública tenha resultados equiparados aos da rede privada, que ainda apresenta resultados superiores. E, ao mesmo tempo, gerar resultados – um pouco mais no médio prazo – que estejam no patamar de indicadores de países desenvolvidos, de nível internacional”. Segundo Deschamps, outro desafio é equiparar os resultados do Ideb em todas as regiões do estado. “Temos regiões com resultados um pouco diferentes, e a equidade também é importante para nós”, assegura o secretário.

Ao detalhar as ações que foram implementadas no Estado para a melhoria da educação, Deschamps explica que, nas séries iniciais do ensino fundamental, o avanço dos resultados se deve basicamente à implantação do ensino fundamental de nove anos com ênfase na aprendizagem, e a outros fatores como: os projetos de escola integral, com a implantação da escola de período integral; a aplicação dos recursos do Mais Educação, programa do governo federal; o projeto Ambial (Projeto de Educação Ambiental e Alimentar); ações de alfabetização; a Olimpíada da Língua Portuguesa e o Plano de Desenvolvimento da Escola. “E também à qualificação do nosso quadro de professores”, completa. O secretário ainda aponta os fatores relacionados diretamente aos bons resultados do ensino médio no Ideb. “O avanço se deu muito por conta da titulação dos professores e da implantação do ensino médio integrado à educação profissional e do ensino médio integral. E, ainda, da mudança na abordagem dos conteúdos curriculares, que estão sendo trabalhados por área; isso influencia muito na prática pedagógica do professor”, afirma.

 

Matéria publicada na edição de novembro de 2012 da revista Profissão Mestre. 

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