Nos últimos anos, o índice de analfabetismo no Brasil parou de cair. Em 2013, os analfabetos com mais de 15 anos de idade representavam 8,5% da população, número pouco diferente ao do ano anterior, que era de 8,7%, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa porcentagem corresponde a cerca de 17 milhões de iletrados. Com base nos números de 2012, o Brasil havia ficado em oitavo lugar entre os países com maior quantidade de analfabetos no mundo, de acordo com um levantamento divulgado em 2014 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A média de analfabetismo funcional, aferida bienalmente pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, também se manteve estável entre 2009 e 2012, atingindo 27% da população. Somente um em cada quatro brasileiros, segundo essa mesma pesquisa, domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática, proporção que se manteve inalterada na última década.

Apesar das estatísticas negativas, as matrículas nos programas de ensino de jovens e adultos (EJA) da rede pública vêm diminuindo sistematicamente. A quantidade de alunos passou de 4,9 milhões, em 2007, para 3,7 milhões, em 2013, apontam os dados do Censo da Educação Básica, a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Para Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do Todos pela Educação (TPE), o primeiro desafio da educação de adultos é atrair esses indivíduos para o sistema de ensino. “Não tem como obrigar o adulto a voltar para a escola. E a proposta do EJA é pouco atraente”, destaca. Alejandra acrescenta que esse aprendizado não funciona porque é praticamente igual ao ensino oferecido aos mais jovens. “Se a gente está procurando métodos inovadores para crianças, imagine para adultos que têm uma trajetória de vida a ser considerada”, ressalta.

Em relação aos processos de alfabetização, José Morais, professor emérito da Universidade Livre de Bruxelas, afirma que não existe muita diferença entre o trabalho realizado com adultos e crianças. “A compreensão do princípio alfabético, a aquisição do código ortográfico da língua e os processos de base não são diferentes. Porém, um adulto não é uma criança e não se pode dirigir a um da mesma forma que ao outro”, explica. Morais enfatiza que, do ponto de vista científico, nunca é tarde para a aquisição desse conhecimento. “Sabemos que existe uma plasticidade cerebral que permite ao adulto aprender a ler e escrever em qualquer idade”, revela.

Mesmo tendo condições propícias ao aprendizado, muitas vezes as pessoas mais velhas têm um comportamento resistente, que acaba prejudicando o processo de ensino. “Os adultos têm conhecimentos prévios muito sedimentados, preconceitos e atitudes negativas em relação às suas possibilidades de aprender”, diz Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Um dos caminhos para estimular os adultos a voltarem à escola e tornar os programas de EJA mais atraentes, na opinião de Alejandra Velasco, é aumentar a oferta de matrícula associada ao ensino profissional. Essa proposta já faz parte da meta 10 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê alcançar 25% das matrículas de EJA integradas à educação profissionalizante, índice que atualmente não passa de 4%. 

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