Saiba como aplicá-los na prática de sala de aula.

Piaget

O epistemólogo suíço Jean Piaget defende que o desenvolvimento das crianças ocorre por meio das interações com os objetos existentes em seu meio social – ou seja, é pegando, comendo, jogando e sentindo os objetos que ela aprende e se desenvolve. Outra contribuição importante de Piaget é a estruturação do desenvolvimento da criança e do adolescente em quatro estágios invariáveis (ou seja, todas as crianças passam por essas fases). São eles:

- Sensório motor (do nascimento aos 2 anos):nesta etapa, os bebês exploram tudo por meio de toques e sensações. É aqui que algumas capacidades, como comer sozinho, aprender a andar, falar, pular, subir e descer escadas, são desenvolvidas. A escola, por sua vez, deve fornecer condições de segurança para as crianças explorarem tudo. A pedagoga Luciana Dalla Valle também indica que as atividades devem desenvolver o máximo possível a motricidade e a criatividade. “A motricidade deve ser desenvolvida com exercícios que permitam movimentos amplos. Por exemplo, cuidado com folhas de papel para pintar com pequenos detalhes, o ideal é oferecer folhas grandes para desenhos livres”, explica.

- Pré-operatório (dos 3 aos 6 anos):a principal característica da criança nessa fase é o início de sua compreensão do mundo com base em sua própria concepção. “É o equivalente a dizer que, para a criança, só sua perspectiva de mundo é aceitável e importante”, diz Luciana. Já o psicopedagogo Eugênio Cunha destaca que a inteligência da criança “vai sendo desenvolvida não somente pelas ações, mas também pela linguagem. Em razão disso, há uma evolução considerável”. O principal motivo para isso é que agora ela aprende também por imitação e observação, e não apenas pela exploração.

- Operatório concreto (dos 7 aos 12 anos):é nesta fase que as crianças aprendem o conceito de reversibilidade, ou seja, começam a compreender que existe um ou mais pontos de vista. “Por exemplo, no ensino da matemática, ela já compreende que somando 3+4 ou 4+3 obterá o mesmo resultado”, explica Cunha. As crianças sentem dificuldade em depender apenas do abstrato, pois suas ações mentais se organizam no que está imediatamente presente, em situações que eles possam vivenciar.

- Operatório formal (dos 12 anos em diante): após os 12 anos, o aluno já consegue trabalhar com situações de lógica e abstração, pensando de maneira hipotética e reversível. “[Ele] começa a fazer uso das fórmulas matemáticas para a solução dos exercícios; raciocina em termos abstratos, formula hipóteses para testar suas conclusões, independentemente do mundo concreto”, esclarece o psicopedagogo.

 

Vygotsky

Lev Vygotsky foi um cientista bielo-russo que focou seus estudos na importância da linguagem no desenvolvimento humano. Para ele, a construção do pensamento das pessoas – e consequentemente seu desenvolvimento – é um processo fortemente cultural. “A relação entre as pessoas e sua cultura tem papel preponderante na teoria deste autor”, comenta Luciana Dalla Valle. O bielo-russo divide o conhecimento em dois níveis: real e potencial.

- Conhecimento real: trata-se do conhecimento que já foi aprendido, da aprendizagem já efetivada. No caso das crianças, é possível citar como exemplo a escrita do nome – algo que alguns pequenos já dominam aos 4 anos.

- Conhecimento potencial: trata-se das habilidades que a criança não realiza sozinha, mas que um dia o conseguirá. Tomando ainda como exemplo a escrita do nome: ao mesmo tempo em que a criança de 4 anos consegue escrever o próprio nome, ela ainda precisa da ajuda do professor para escrever outros elementos, como o nome de um colega de sala.

Entre essas duas etapas, existe o que Vygotsky chama de zona de desenvolvimento proximal (ZDP), na qual devem incidir as ações educativas. “Nesse sentido, a ZDP sempre vai existir, pois quando uma aprendizagem se efetiva, outras mais estão a caminho”, explica Luciana. Ainda no exemplo da escrita, uma vez que a criança domina a escrita de seu nome, ela vai aprender a escrever outras palavras e expressões, outros nomes, e assim ampliar seu repertório.

Tendo em vista a necessidade da criança de ter outro sujeito (pai, professor, colega de sala) ao seu lado para auxiliá-la, é aqui que Vygotsky justifica a importância da linguagem, pois se trata de um agente de aprendizagem vital para todo o processo. É nessa relação que a criança observa, compara, concebe hipóteses e confronta pontos de vista distintos. “A importância que esse autor dá á linguagem deve refletir-se nas práticas dos professores das crianças pequenas: conversar com as crianças é parte de educar. Assim, o professor que se propõe a mediar o conhecimento precisa saber ouvir, questionar, conversar com suas crianças, mas fazer isso de forma que a criança respeite-o sem ter medo dele”, ressalta a pedagoga.

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