Há diferentes formas de se falar do líder contemporâneo. Num cenário cada vez mais complexo do ponto de vista da economia, da cultura, da ética, as atenções naturalmente se voltam para a identificação de lideranças capazes de nos conduzir diante de um cenário de incertezas. Isso vale – e como vale – para o universo da Educação.

A escola, como uma orquestra ou time, precisa de uma liderança clara, sem dúvida. Mas essa não é questão simples, pois precisamos saber de que tipo de liderança estamos falando.

No mundo atual, muito diferente do que em tempos passados, o líder não é necessariamente uma mão de ferro, que decide unilateralmente os rumos a serem tomados. A complexidade das decisões é tamanha que os especialistas em Administração têm chamado a atenção para uma face até então pouco evidente do líder: a sua capacidade de servir. Sim, servir.

Cada vez mais, bom líder é aquele que trabalha a serviço do seu time: é capaz de convencer sem autoritarismo, de fazer assomar o talento de seus liderados, de reunir perfis diferentes de pessoas em torno de um mesmo ideal e produzir um consenso produtivo e unificador. Ele está lá para que as pessoas consigam atingir o melhor de si, desempenhando suas funções da melhor maneira possível.

Nessa perspectiva, s relações humanas que se estabelecem entre líderes e subordinados tornam-se menos verticais e mais horizontais. Os méritos são de todos, bem como os insucessos (o que não significa dizer que as responsabilidades são sempre coletivas). Mas a palavra de ordem deixa de ser a competição interna, muitas vezes autofágica, para ser a colaboração – ou seja, o trabalhar juntos.

É preciso que se diga que este conceito não é de fácil assimilação no ambiente escolar, até porque as práticas de gestão das instituições de ensino tendem a se arraigar no passado, sendo, em geral, conservadoras. A ideia de “serviço” é algo que tradicionalmente se coloca para o empregado, não para o que está no topo da cadeia hierárquica.

Mas é ao menos saudável começar a refletir sobre isso. Afinal, acima de tudo está o sucesso do empreendimento e da sua missão. A função das equipes – e do líder – não é obedecer a regras e ordens cegamente, mas, sobretudo, pensar no desenvolvimento global da organização. E para isso, é preciso mais do que uma boa cabeça: mãos, braços, pernas, coração e mente devem andar juntos.

Esta característica central do líder, apontada por autores como James Hunter, fica ainda mais evidente no cenário global contemporâneo, marcado por uma reviravolta no mundo do trabalho. Agora, não se fala mais em falta de emprego, mas sim na falta de pessoas qualificadas. Está cada vez mais difícil encontrar

profissionais que possam cumprir as funções demandadas, cada vez mais complexas – e isso vale para o nosso meio educacional, também.

No plano global, vale atentar para os dados do estudo 14th Global CEO Survey, conduzido pela consultoria norte-americana PriceWaterHouse (PWC), em 2012. O estudo mostrou que a gestão dos talentos passou para o topo das preocupações dos líderes das principais corporações. O desafio das empresas vai além de encontrar os mais qualificados: uma organização precisa saber motivar, mobilizar e garantir o desenvolvimento contínuo de seus profissionais. “A crise de talentos não é mais um problema do futuro. É aqui e agora e está ameaçando o crescimento dos negócios e a prosperidade econômica”, diz a pesquisa.

Não é difícil transpor esse raciocínio para o campo da educação. Pense nos professores ou nos profissionais da área administrativa. Pense nos desafios de sua escola e o quanto seu sucesso depende dessa equipe. Há muito a fazer, concorda?

O conceito de “servir”, quando se fala em gestores educacionais, passa por buscar formas de fazer com que os colaboradores se desenvolvam, cresçam e assim atendam aos objetivos da instituição, que são cada vez mais complexos. Isso é bem mais do que oferecer salários compatíveis com o mercado. Se as escolas não se tornarem lugares atrativos e desafiadores, certamente perderão talentos dos quais depende mais do que nunca. É hora de o líder contemporâneo mostrar seu papel, colocar-se ao lado de seu time e colaborar – que, como a etimologia da palavra indica, significa trabalhar junto.

 

Matéria publicada na edição de janeiro de 2013 da revista Profissão Mestre.

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