Imagine uma escola que permita que seus professores e alunos possam acessar mais de 4,5 mil aulas sobre as mais diversas disciplinas a qualquer momento, bastando ter apenas um computador com acesso à internet. É essa a proposta da Escola digital, plataforma criada há dois anos pelo Instituto Inspirare, em parceria com o Instituto Natura e a Fundação Telefônica Vivo. “Em 2013, percebeu-se a necessidade de uma plataforma que aproximasse ainda mais a tecnologia da sala de aula de uma maneira aberta, gratuita e com significado. A ideia era realmente disponibilizar recursos educacionais abertos e de qualidade para que educadores e educandos ganhassem mais um apoio para uma educação de qualidade e com mais equidade de recursos e informações”, explica Caio Dib, coordenador da plataforma.

A plataforma se define como uma das mais completas e versáteis da atualidade, com conteúdos divididos nas quatro áreas do conhecimento que compõem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e códigos e matemática. Também é possível selecionar os planos de aula de acordo com o ano letivo (do ensino infantil até o 3º ano do ensino médio, incluindo ensino especial e educação de jovens e adultos) ou o conteúdo multimídia desejado (animação, aplicativo móvel, apresentação multimídia, áudio, aula digital, infográfico, jogo, livro digital, mapa, simulador, software e vídeo). O material disponível pode ser conferido por meio de um projeto gráfico novo, lançado em fevereiro deste ano, durante a Campus Party Brasil, em São Paulo (SP).

Para cuidar do conteúdo, Caio explica que a plataforma conta com uma equipe de especialistas de todas as áreas, que realiza a curadoria de conteúdos. “Assim, é possível criar um banco de recursos com mais qualidade”, afirma o coordenador do projeto. “Além disso, o mecanismo de busca permite que educadores e estudantes encontrem conteúdos rapidamente, a partir de uma série de filtros de pesquisa. Em dois cliques, por exemplo, você pode encontrar recursos de Matemática para o 9º ano do ensino fundamental”, complementa. Ele destaca também a possibilidade de “favoritar” recursos para facilitar o acesso e a busca por eles, além de os usuários poderem compartilhar suas impressões e opiniões sobre os materiais, “para que outros educadores se inspirem, aprendam e troquem [informações] cada vez mais”.

Entretanto, o diferencial não é a grande quantidade de material disponível, mas sim a capacidade de customizar a plataforma de acordo com as necessidades da rede de ensino. “É possível alterar a identidade visual e também criar um banco de conteúdos próprio da Secretaria de Educação correlacionado com o currículo escolar da rede, como foi feito pelo estado de São Paulo, tornando o banco de conteúdos cada vez mais útil ao processo educativo. Todos esses recursos, entre outros, permitem que a tecnologia seja utilizada de maneira significativa dentro e fora da sala de aula”, esclarece Caio. A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo criou a plataforma Currículo+ com base na Escola digital e hoje é citada por Caio Dib como um bom exemplo dentre as possibilidades da plataforma. “O Currículo+ se tornou referência no uso de tecnologia no estado e hoje apoia as aulas e o aprendizado da rede”, elogia.

Números

A plataforma é usada por educadores, estudantes e familiares em todo o Brasil. Segundo dados fornecidos pelas desenvolvedoras e mantenedoras da Escola digital, em 2014, a média mensal de visitantes únicos da plataforma ultrapassou 10,6 mil usuários (totalizando mais de 127,2 mil usuários únicos no ano); dentre eles, 60% são professores, coordenadores e gestores escolares. Os números confirmam o sucesso da plataforma, mas Caio faz questão de relatar uma experiência: “Sempre gosto de contar a história de uma estudante que conheci em um dos grupos de teste da nova versão da plataforma. Antes de começarmos a usar o site, a própria garota começou a navegar na Escola digital e disse: ‘Nossa! Olha que legal, uma animação! Vou aprender matemática com uma animação’”, recorda-se o coordenador. “Os recursos digitais tornam os conteúdos mais próximos da realidade dos estudantes. E o educador não precisa mais passar horas na internet procurando recursos para suas aulas e tendo o risco de encontrar informações incorretas ou de baixa qualidade”, acrescenta.

Para 2015, Caio Dib prevê continuidade no crescimento da plataforma, com mais parcerias com redes públicas de ensino e novos materiais multimídia para os professores utilizarem antes, durante e depois das aulas. “Estamos empenhados para mais redes de ensino aproveitarem a tecnologia em todo seu potencial. A Escola digital veio para apoiar a melhoria da educação em nível de política pública”, diz o coordenador. Para conhecer a plataforma, acesse: escoladigital.org.br.

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