A cada minuto, mais de cem horas de vídeo são enviadas ao YouTube, site que recebe mais de um bilhão de usuários todo mês. Só na área de ciência e educação são quase 2,5 mil canais, que reúnem, entre os muitos vídeos, aulas que abordam os mais diferentes assuntos. “As videoaulas são um recurso que chama muito a atenção de crianças e jovens, pois é um tipo de tecnologia que faz parte de seu cotidiano. Por isso, é uma ferramenta muito interessante para o processo de ensino”, observa Luciana Allan, diretora do Instituto Crescer para a Cidadania, doutora em Educação e especialista em Tecnologias Aplicadas à Educação.

Segundo a especialista, são muitas as possibilidades do uso de videoaulas, a começar pela própria sala de aula. Em vez de limitar a exposição do assunto à lousa, o educador pode usufruir das ferramentas digitais para produzir materiais que ofereçam uma apresentação mais atraente de temas muitas vezes complicados de ilustrar. “Por utilizar recursos multimídia e chamar a atenção dos alunos, o professor pode usar esse material em diferentes momentos da aula: apresentar um conceito mais complexo, introduzir um tema, levantar questionamentos mais profundos sobre o assunto discutido em sala”, exemplifica.

Com inúmeras aplicações, a videoaula pode ser usada em qualquer disciplina: uma simulação de movimento, em Física; um vídeo exemplificando uma cadeia carbônica, em Química; ou questionamentos levantados por meio de trechos de filmes em uma aula de Filosofia. Esses são alguns dos exemplos sugeridos por Luciana.

Mais do que um recurso a ser utilizado na escola, a videoaula pode ser usada como estratégia de ensino antes ou depois da abordagem do assunto pelo professor. A especialista sugere que disponibilizar os materiais para os alunos assistirem antes da aula permite que eles venham para a classe preparados e já tragam suas dúvidas, seus questionamentos e suas curiosidades sobre o tema. Por outro lado, disponibilizar materiais em vídeo após o ensino em classe dá ao estudante ferramentas de revisão e fixação do conteúdo. “Muitas vezes, ao aprender sobre um conceito muito complexo, o estudante chega em casa e tem dúvidas. Com a videoaula disponibilizada, ele pode ver e rever o material quantas vezes for necessário, ajudando a esclarecer essas questões”, observa.

Além disso, essa utilização das videoaulas fora de sala de aula permite a personalização do momento de aprendizado de cada aluno. “O aluno revê conceitos, aprofunda-se no tema e avança de forma mais autônoma no seu processo de aprendizado, pois pode assistir às aulas e, à medida que for se apropriando do assunto, passar para outros vídeos e trabalhar outros temas. Não é necessário que todos estejam na mesma pauta no mesmo momento”, comenta.

Professor: roteirista, diretor e protagonista

Para Luciana, o recurso de videoaula ainda é pouco explorado por causa do tempo que exige de preparo e produção, mas é algo que pode ser realizado por qualquer professor que tenha interesse. “É preciso que o educador tenha propriedade no tema, acredite que essa é uma ferramenta interessante para o processo de ensino, conheça a tecnologia e possa investir tempo para produzir esse material”, comenta. Segundo ela, é fundamental que o professor tenha segurança no tema abordado, conheça bem a ferramenta que vai utilizar e produza um material curto, claro e objetivo. “É importante escolher um software que seja simples. O PowerPoint – ou o Keynote no Linux – pode ser uma boa opção no início. Não são necessários softwares sofisticados. Há outros programas, como o Screenflow e o Camtasia, que permitem a produção desse material”, explica.

A dinâmica do vídeo também depende do perfil do professor. Se ele não se sente bem diante das câmeras, deve preferir outros modelos, que gravam a movimentação da tela do computador enquanto é realizada uma apresentação de slides, simulação de escrita em lousa digital ou compilação de vídeos, fotos e exploração de sites da internet, por exemplo. “São vários recursos que podem ser utilizados enquanto o professor aparece apenas com o áudio”, sugere Luciana.

 

Matéria publicada na edição de novembro de 2014.

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