Dores de cabeça constantes, irritabilidade, queda na concentração, sensação de cansaço e muita sonolência durante o dia. Esses são os sintomas de curto prazo mais comuns de quem está em falta com uma boa noite de sono. 

A qualidade na hora de dormir pode parecer uma tarefa fácil, mas é um grande desafio para muitos professores que sofrem com alguns distúrbios do sono, especialmente devido à rotina de duplas e triplas jornadas e ao estresse da profissão. O problema é que dormir mal, além de prejudicar o rendimento no dia seguinte, também pode trazer graves problemas à saúde.

Segundo especialistas, o tempo ideal de descanso de um adulto é de, em média, oito horas, mas pode variar. Assim como uma boa alimentação e atividade física, o sono é um importante fator para se manter o equilíbrio do organismo, pois é durante a noite que ocorrem as produções de enzimas e hormônios, e o relaxamento muscular.  Uma noite em claro, por exemplo, tem o efeito de uma leve embriaguez, deixando o profissional mais suscetível a erros e com perda de atenção.

Dalva Poyares, neurologista especialista em Medicina do Sono e médica do Instituto do Sono, em São Paulo, explica que, em longo prazo, o sono ruim pode diminuir a expectativa de vida e causar hipertensão, ansiedade, depressão, prejuízo na capacidade cognitiva, entre outros riscos à saúde. “Estudos mostram que quem dorme menos do que necessita tem tendência a ter obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares também”, revela.

Um estudo realizado pela psicóloga Luiza Elena Ribeiro do Valle, pesquisadora em Medicina do Sono do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), aponta que há uma relação entre as noites mal dormidas com o estresse da rotina do professor. A pesquisa, realizada no ano passado com 165 professores da rede pública de Poços de Caldas, em Minas Gerais, mostra que 59% dos entrevistados apresentavam estresse e 46,7% eram maus dormidores. Para se chegar ao resultado, foi aplicado um inventário do sono, o PSQI-BR (Índice de Qualidade do sono de Pittsburg), reconhecido internacionalmente como instrumento de avaliação do sono. A maioria dos docentes da amostra é do sexo feminino (88,5%) e casada (59%).   

As principais causas, segundo Luiza, são as mudanças aceleradas com os avanços tecnológicos, multiplicidade de tarefas, preocupação excessiva com a chance de demissão, salários, aumento de horas trabalhadas e conflitos ligados à família ou à chefia.

Os distúrbios do sono causados por esse estresse são diversos, e um deles é a insônia. De acordo com a pesquisa, os docentes maus dormidores apresentam chance de estresse físico quase duas vezes maior que professores bons dormidores. Luiza ressalta que embora essa associação do sono e estresse afete a todos, pois envolve a qualidade do ensino, o tema vem recebendo pouca atenção.   

Insônia

O médico Attilio S. Melluso Filho, diretor do Centro de Distúrbios do Sono de Curitiba, no Paraná, e membro da Sociedade Brasileira do Sono, recebe vários professores em busca de qualidade para dormir. “O estresse da rotina pode afetar o sono. Há muitos professores que nos procuram porque têm dupla jornada e não conseguem dormir direito”, afirma. Ele explica que os casos mais comuns são de insônia, em que o paciente não consegue atingir o sono profundo. Segundo ele, são comuns também os distúrbios chamados parassonias; o paciente se movimenta muito durante a noite e pode apresentar outros sintomas – como falar dormindo, bruxismo, sonambulismo, paralisia do sono (acordar com a sensação de não poder se mexer) e outros.

A professora Maureen Schaefer França, que leciona para turmas de ensino médio e superior na rede pública, no Paraná, sabe bem o que é isso. Ela sofre de bruxismo há cerca de cinco anos, quando começou a dar aulas. Esse é um dos problemas mais comuns do sono, característico dos quadros em que as pessoas rangem ou apertam com muita força os dentes enquanto dormem a ponto de desgastá-los ou de causar dores na mandíbula e dores de cabeça.

Ela conta que o distúrbio se intensifica em períodos de estresse e ansiedade, como época de provas, revisão de monografias e ritmo intenso de trabalho. “Às vezes dói tanto o maxilar na manhã seguinte, que fica difícil ficar falando em sala de aula", relata. Para vencer este incômodo, Maureen usa placas para proteção durante a noite, que impedem o atrito e o desgaste dos dentes. Ela também recorre à massagem facial.

Outro distúrbio recorrente é a apneia obstrutiva do sono, quando o paciente ronca e tem paradas na respiração, deixando o sono fragmentado.

Tratamento

O tratamento para os distúrbios do sono incluem cuidados para dormir, medicamentos e alguns produtos no caso de ronco e apneias. Os especialistas garantem que uma noite mal dormida não é recuperada com café forte no dia seguinte.

O ideal é ter cuidados antes de dormir. Alimentação leve, dormir sempre no mesmo horário e tentar se desligar das atividades do dia são as mais indicadas. O neurologista Shigueo Yonekura, do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, São Paulo, orienta que para uma insônia com duração de menos de 20 dias o paciente busque algumas mudanças nos hábitos, como ouvir música relaxante, massagem, atividades físicas pelo menos duas horas antes de dormir e leitura agradável. E, se for para beber algo, que seja um leite morno, chá de camomila ou erva-cidreira antes de dormir. “A única coisa que recupera o sono é dormir”, esclarece Dalva.

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