A primeira coisa que temos que lembrar é que escrever não é um ato natural como a fala: é uma tecnologia e se aprende assim como tocar um instrumento musical. Essa analogia nos ajuda a compreender que não basta pegar o violão uma vez por semestre para criar gosto pela música e pelo instrumento. Assim, um ensino de redação realmente útil e eficaz tem de ser sistemático e contínuo. Não basta fazer uma oficina de redação aqui e outra lá no fim do ano: é preciso ensinar as habilidades concernentes à escrita de maneira progressiva e constante. À medida que o aluno for dominando essas habilidades e sentindo seu próprio crescimento, irá criando gosto pela prática, que será, para ele, cada vez mais útil e menos dolorosa. Ele se sentirá como alguém que já “domina o violão” e agora pode tocar belas músicas. Além disso, será mais valorizado na sociedade (quem escreve bem é bem-visto pelos outros) e começará a obter benefícios do ato de escrever, ao invés de ser sempre criticado por não saber fazê-lo, e isso o motivará definitivamente. 

 

Celso Ferrarezi Junior é pós-doutor em Semântica, professor titular da Universidade Federal de Alfenas. Coautor do livro Produzir textos na educação básica: o que saber, como fazer (Ed. Parábola).

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