A inclusão – tema da reportagem de capa da Profissão Mestre de fevereiro de 2016 – deve ser abordada no projeto político-pedagógico (PPP) da escola. Confira a seguir as orientações dos especialistas ouvidos na reportagem.

De que maneira a inclusão deve constar no projeto político-pedagógico da escola?

“A educação para todos deve ser uma filosofia, um princípio da escola. Nesse sentido, a escola receberá crianças com deficiências ou que apresentem comportamentos diferentes da maioria. Isso tem que estar previsto no projeto da escola, a fim de que professor e pais sejam informados. A escola deve ser aberta a todos os alunos, sem diferença. Em relação à rede privada, é uma questão de custo, porque a escola terá um gasto para manter o atendimento educacional especializado (AEE). Mas, os empresários da educação têm que entender que educação é investimento, eles não podem só ganhar, têm que investir”.

Priscila Augusta Lima, professora aposentada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

“O projeto político-pedagógico (PPP) da escola é previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e deve ser elaborado pela comunidade escolar. A discussão sobre o desenvolvimento inclusivo da escola precisa constar na elaboração do PPP, com análise de como o processo está sendo desenvolvido e o planejamento de ações para a crescente implementação e sustentabilidade da educação inclusiva no local. O atendimento educacional especializado (AEE) precisa estar previsto no projeto, inclusive com os objetivos claramente definidos e os indicadores para seu funcionamento e atendimento do público-alvo da educação especial”. 

Erenice Soares de Carvalho, professora colaboradora do programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB)

“A escola que reconhece e valoriza a inclusão deve elaborar o projeto político-pedagógico (PPP) com base nos princípios de igualdade de oportunidades e respeito às diferenças. Deve prever, desse modo, a garantia de acesso ao currículo comum previsto para todos os estudantes e assegurar a flexibilização necessária para o alcance dos objetivos listados para cada etapa ou modalidade de ensino”.

Iêdes Soares Braga, diretora de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação, Esporte e Lazer do Distrito Federal

“Ter um projeto político-pedagógico (PPP) que vislumbre educação de qualidade para todos. Esse é o mote da educação inclusiva que propomos – ela tem que ser de qualidade e para todos, independentemente de qualquer característica, de qualquer laudo, de qualquer docente, de qualquer raça ou gênero. Deve respeitar a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, com base no princípio de que, sendo todos singulares, não é possível que um único método de trabalho atinja todo mundo. Esse método de trabalho que vem sendo repetido em todas as escolas há anos é falho. Não há pessoas iguais de tal maneira que um único método seja suficiente para duas pessoas ou para todas as pessoas. O projeto político-pedagógico da escola precisa prever que se funcione, se trabalhe sempre considerando cada criança, cada estudante em sua singularidade, em suas capacidades, em seus limites, em seus interesses, de maneira que todos eles possam ser atendidos com o mesmo currículo, com o mesmo conteúdo, mas das infinitas maneiras que forem necessárias”.

Daniel Nascimento, pedagogo e coordenador de processos da Fundação Síndrome de Down 

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