Muitos fatores podem interferir no processo de desenvolvimento socioemocional das crianças.  Entre eles, um que se destaca é a atuação do professor. Como os pequenos passam boa parte de seu dia na companhia do educador, é preciso que os docentes estejam cientes do papel que desempenham no crescimento de características como afetividade, responsabilidade, capacidade de trabalhar em grupo etc. E, para realizar esse trabalho, o professor precisa compreender algo essencial: “primeiro, é preciso entender que o papel da escola e o do professor mudaram. O professor comprometido só com o conteúdo, com a matemática, a história, a geografia etc., hoje não dá conta, porque esse conteúdo está disponível na internet”, explica Anita Abed, psicóloga, psicopedagoga e pesquisadora da Mind Lab Brasil, que complementa: “O professor não é quem ensina, é quem ajuda o outro a aprender”.

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13/08/2015

“O trabalho com as habilidades não cognitivas é importante porque vai preparar o aluno de hoje para ser o profissional e o cidadão com as competências necessárias no século 21”. A frase da diretora pedagógica do Colégio Anhembi Morumbi, em São Paulo (SP), Rita Carolino, resume com eficiência o papel da escola atualmente. Os dias em que a instituição educacional era um local em que os alunos iam exclusivamente para adquirir conhecimento baseado nos conteúdos disciplinares tradicionais são passado. É preciso agora desenvolver diversas competências que irão contribuir para o bom desenvolvimento dos estudantes desde os primeiros dias na escola.

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Grande parte das escolas de educação infantil foca o trabalho no começo da alfabetização das crianças, com atividades voltadas para os primeiros contatos com a leitura e a habilidade em matemática. Nos Estados Unidos, algumas escolas vêm mudando esse cenário por meio do programa Ferramentas Mentais. “Suas intervenções dedicam-se invariavelmente a ajudar as crianças a aprender uma forma diferente de capacitação: controlar os impulsos, manter-se atento à tarefa do momento, evitar distrações e armadilhas mentais, administrar as próprias emoções, organizar os pensamentos”, explica o jornalista norte-americano Paul Tough em seu livro Uma questão de caráter (Ed. Intrínseca). De acordo com Tough, os criadores do programa acreditam que essas habilidades contribuem mais para os resultados positivos dos alunos a partir do 1º ano do ensino fundamental do que as atividades tradicionais. As crianças que fazem parte das atividades aprendem estratégias, truques e hábitos que podem ser utilizados para manter a mente focada, como falar consigo mesmos enquanto desempenham uma tarefa ou usar objetos que possam lhes ajudar a concluir determinado trabalho.

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Em 2014, o Instituto Ayrton Senna (IAS) divulgou os resultados de uma pesquisa realizada com 25 mil alunos da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, com o objetivo de medir entre os estudantes as competências socioemocionais. Com os dados coletados, percebeu-se a relação direta entre o desenvolvimento de determinadas habilidades socioemocionais e o bom desempenho escolar. “Foi detectado que alunos com maior abertura a novas experiências estão cerca de um terço do ano letivo à frente do que os demais em Português. Já para a Matemática, o desempenho foi superior entre os alunos com maior responsabilidade, resiliência e outras competências da área da conscienciosidade”, conta Daniela Arai, diretora de Conteúdo do IAS.

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