“Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro.

Envolva-me e eu compreendo”.

Confúcio

O professor encerra mais um dia e surpreende os alunos com um pedido que, com a explosão do uso de smartphones entre crianças e jovens, será cada vez mais comum: “Na próxima aula, tragam seus celulares ou tablets porque vamos fazer uma atividade on-line na aula de Geografia e precisaremos consultar o Google Maps. Vamos também estudar matemática com um game que ajudará vocês a aprender frações de maneira bem divertida. E não iremos ao laboratório de Ciências, mas assistiremos a um filme para fazermos uma viagem pelo corpo humano”.

Tendência nas corporações, o Byod (bring your own device – traga seu próprio aparelho, em tradução livre) começa pouco a pouco a ser adotado também nas escolas. Apesar da polêmica em torno dos riscos que pode trazer para o ambiente escolar, como o receio de que os alunos se dispersem, acessem conteúdos impróprios e não se concentrem no conteúdo da aula, acredito que essa prática inevitavelmente romperá os muros das instituições.

Convidada a abordar o tema em minhas palestras, decidi realizar uma pesquisa para identificar, entre outros dados, como está a adoção do Byod nas escolas brasileiras, a percepção da comunidade escolar sobre suas vantagens e seus riscos e para quais finalidades é utilizado.

Busquei identificar se há diferenças entre as realidades das escolas públicas e privadas e descobri que apenas 18% das instituições públicas têm uma política definida para o uso dos equipamentos em sala de aula, contra 81% das particulares. Outro grande abismo está na permissão do uso de celulares para realizar atividades escolares – 59% das escolas privadas autorizam, mas 69% das públicas não deixam o aluno levar o próprio telefone para sala de aula. Já o uso de tablets ou laptops é permitido na maior parte das escolas, tanto nas públicas (54%) quanto nas privadas (59%).

A grande maioria dos pesquisados – 93% nas particulares e 91% nas públicas –  é a favor do uso de equipamentos pessoais. Entre os pontos a favor, foram mencionados a maior disponibilidade de equipamentos, a não dependência somente dos dispositivos da escola e a aula ficar mais dinâmica se todos tiverem os recursos à disposição. Entre os fatores contrários, a falta de formação de professores e de padronização dos equipamentos, além da preocupação com o uso inadequado por parte dos alunos, foram os aspectos mais comentados. Este parece ser mesmo o maior pavor dos educadores: dar autonomia aos alunos para que deixem de ser passivos e submissos para passarem a buscar o próprio aprendizado, o que, de acordo com uma visão distorcida, significaria tirar totalmente a autoridade do professor, até aqui o único detentor do conhecimento.

O fato é que impedir os alunos de utilizarem o celular, o tablet ou o laptop em suas atividades, seja em casa, seja em sala de aula, não é mais uma alternativa e não faz nenhum sentido. Se quiserem ganhar esse jogo, os professores terão que se despir das vestes de mestres para assumir o papel de moderadores, participar e orientar seus alunos em uma jornada de aprendizagem na qual o celular, o tablet, o laptop, softwares e apps serão tão somente um recurso à disposição como já são, há muito tempo, os livros didáticos, o globo terrestre, os vídeos educacionais, o microscópio ou a argila nas aulas de Arte.

Na medida em que forem autorizados e estimulados a transformar seus próprios celulares em aliados do ensino, com normas claras de como serão aplicados nos estudos, certamente os estudantes poderão alcançar resultados positivos e melhorar o aprendizado, o que não se avalia simplesmente aplicando provas a cada bimestre, mas acompanhando de maneira contínua e personalizada a evolução de cada aluno.

Para quem insiste em achar que essa ainda é uma realidade distante e que o celular será um inimigo do aprendizado, deixando os alunos mais distraídos e desconectados da sala de aula, sugiro que vasculhem os milhares de aplicativos já disponíveis para Windows Phone, Android e iOs.

Seja qual for a disciplina, há muito que explorar, como jogos, editores de texto, ferramentas para produção de áudio e vídeo, objetos de aprendizagem em 3D, livros digitais, dicionários e muitos outros recursos para tornar as aulas mais divertidas e convidativas. Ou então não reclame quando tentar dialogar com seus alunos e só der sinal de ocupado.

 

--> Mais informações sobre a pesquisa citada no artigo - tinyurl.com/ph8vq3r 

--> Para conhecer os aplicativos já disponíveis:

Windows Phone - www.microsoft.com/en-us/store/best-rated/apps/mobile?cat1=education

Android - play.google.com/store/apps/category/EDUCATION

iOs - itunes.apple.com/br/genre/ios-educacao/id6017?mt=8

 

Artigo publicado na edição de dezembro de 2015 

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