“Acredito que você tem que estar disposto a ser mal-entendido se vai inovar. Se irá fazer algo que nunca foi feito antes, as pessoas entenderão mal só porque é novo”. A frase de Jeff Bezos, presidente e fundador da Amazon, uma das mais inovadoras empresas de todos os tempos, retrata o risco que qualquer mudança pode trazer aos que se dispõem a pensar “fora da caixa” e deixar sua marca na história com qualquer invenção que venha a ser um divisor de águas.

Vivenciar essa dinâmica, superar desafios e aceitar críticas são situações importantes em um processo como esse. E o aprendizado deve começar na escola! A escola contemporânea deve ter como missão desafiar seus alunos a superarem seus limites, criarem, empreenderem, deve ser celeiro de inovação. E muitas já o são, principalmente aquelas que sabem da importância de se estabelecer parcerias com o mundo corporativo para desenvolver projetos que podem ser efetivamente transformadores. Mas, para criar um ambiente escolar fértil, de estímulo à inovação e à criatividade, professores e diretores das instituições precisam ter claro que esse processo começa em uma mudança na própria prática.

Não estou falando aqui somente da inserção, de maneira inovadora, das tecnologias digitais em sala de aula, mas em outras dimensões que envolvem a gestão escolar – gestão da aprendizagem, administrativa, financeira, de recursos humanos – e no envolvimento de pais e familiares e da comunidade no cotidiano escolar.

Um recente estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), intitulado Mensurando inovação na educação (confira no link www.oecd.org/edu/ceri/measuring-innovation-in-education.htm#CN), concluiu que inovações nas escolas podem, sim, impactar positivamente na valorização dos professores e, claro, nas notas dos alunos. As inovações (avaliadas no estudo em escolas americanas, canadenses e de outros países; não incluindo o Brasil) passeiam por um amplo espectro, de materiais didáticos e recursos educacionais até modelos administrativos e pedagógicos, oferta de computadores e plataformas de e-learning nas aulas. A equação é simples: professores e alunos mais satisfeitos é igual a maior engajamento e abertura para aprendizagem.

No Brasil, ainda há muitas lacunas a preencher para que o país se torne líder em inovação.

Outra pesquisa, conduzida pelo escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello, especialista em propriedade intelectual, indicou que o país fez apenas 215 pedidos de registro de patentes ao escritório americano de patentes (USPTO) em 2011, número infinitamente menor que o da China, com 3.174; da Índia, com 1.234; e até mesmo inferior ao da Rússia, com 298.

A falta de investimentos e de políticas públicas, bem como os baixos índices de nossa educação, certamente são fatores que contribuem para ainda sermos um país que importa inovação e se resigna a copiar o que vem de fora. Não há dúvidas de que a pavimentação de uma estrada rumo à inovação passa pela modernização da gestão escolar.

Avaliar práticas inovadoras no ecossistema educacional é um bom e indispensável começo. Nessa direção, o Instituto Crescer lançou recentemente uma avaliação on-line, totalmente gratuita, em que a comunidade escolar, liderada por seus gestores e com o envolvimento de professores, pais, alunos, funcionários e representantes da comunidade, pode fazer uma autoavaliação e identificar o quanto está inovando ao utilizar tecnologias digitais.

Com os resultados da avaliação em mãos, a comunidade escolar pode rever suas práticas pedagógica e administrativa e, inclusive, mas não somente, avaliar necessidades de investimentos em tecnologias digitais com base em critérios como acessibilidade dos alunos aos recursos tecnológicos e mediação dos professores no uso das novas tecnologias na rotina de aprendizagem.

O pensamento de Bezos encontra eco em um cientista notoriamente reconhecido por suas inovações, Albert Einstein: “Se a princípio a ideia não é absurda, então não há esperança para ela”. Então, caros leitores, deixem de lado o medo pelo novo, criem coragem para autoavaliar suas instituições e, antes tarde do que nunca, estimular a inovação em suas escolas. Acesse a avaliação on-line gratuita para escolas em educartec.org.br/avalie-se.

 

Artigo publicado na edição de abril de 2015.

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