Alguns desafios da escola no mundo atual são ensinar novos conhecimentos sem cortar a criatividade do aluno; usar os mais modernos métodos de informação sem impedir a formação plena do aluno; envolver Google e Wikipédia sem deixar de lado a leitura dos clássicos; usar o ensino a distância sem afastar o aluno da convivência com os colegas; ensinar a aprender com os outros e a aprender sozinho; desenvolver no aluno as capacidades de deslumbrar-se com a beleza e entender a lógica do mundo, de indignar-se com as injustiças, de comunicar-se em diferentes idiomas e de obter um ofício que lhe assegure um emprego. Outro desafio é oferecer a mesma chance a cada criança, independentemente da renda dos pais e da cidade em que ela vive.

O mundo atual exige a mudança de pedagogia, novos educadores, novas metodologias em sala de aula. Mas, no caso do Brasil, antes de revolucionar a sala de aula será preciso revolucionar todo o sistema educacional. Além de educadores, precisamos de educacionistas. Os primeiros cuidam de como deve funcionar cada sala de aula, os outros tratam de como deve funcionar o sistema de todas as escolas.

Estamos tão atrasados que, tanto quanto reformar a maneira de ensinar, precisamos de escolas compatíveis com as novas necessidades. A lenta melhora do sistema atual não permite oferecer condições para uma educação de qualidade nos moldes que o mundo atual exige. Não será possível utilizar um novo método em cada sala de aula sem construir um novo sistema educacional ao longo do território do país, em suas cerca de 200 mil escolas.

Em seu conjunto, as atuais escolas brasileiras não têm condições de saltar de seu atraso do século 19 para a modernidade do século 21. A atualização do sistema escolar brasileiro exige uma estratégia de substituição do atual e degradado para um novo sistema. Ao longo de algumas décadas, o Brasil teria o sistema ideal para uma economia eficiente, uma sociedade harmônica, com pessoas livres e criativas.
Brasília pode ser o ponto de partida para a implantação de um novo sistema educacional no Brasil. Isso exigirá a contratação de professores sintonizados com a nova escola ideal, com dedicação exclusiva, submetidos a avaliações, além da substituição dos degradados prédios atuais por edificações bonitas e bem equipadas, com os mais modernos meios pedagógicos, todas em horário integral. Esse novo sistema será implantado no Brasil a partir de cidades.

No prazo de poucos anos, seria possível construir novas escolas com os melhores padrões que a modernidade permite, com beleza e conforto; equipá-las com o que há de melhor na tecnologia da informação e da comunicação, substituindo os velhos e arcaicos quadros-negros por modernas lousas inteligentes; fazer uma seleção interna dos professores preparados para o novo sistema, com salário e contrato especiais, pelos quais o modelo atual seria substituído por um sistema de reconhecimento e comprometimento com a qualidade e o mérito.

A grande dificuldade, além dos aspectos legais e gerenciais, será o apoio dos pais, dos professores e da população de cada cidade do Distrito Federal. O início de um novo governo é o momento oportuno para isso. Há uma expectativa no ar de que podemos ter uma nova chance, depois das chances perdidas no passado. Basta saber se o novo governo vai definir a educação como sua prioridade, uma das mais diversas prioridades ou apenas mais uma de suas obrigações.

 

Artigo publicado na edição de março de 2015.

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