Qual o melhor sistema educacional do mundo? Resposta difícil. Em primeiro lugar, é preciso admitir que os países, assim como as pessoas, têm identidades diferentes, que tornam as comparações complicadas. Existem, entretanto, algumas pistas para tentar responder à questão. Avaliações educacionais internacionais como o Pisa são aplicadas periodicamente e chegam a estabelecer rankings com os países que mais e menos se destacam pelos resultados de seus alunos, sobretudo na capacidade de compreensão de textos e domínio dos fundamentos lógico-matemáticos.

No entanto, esses exames avaliam apenas o nível de instrução dos alunos, e bem sabemos que a qualidade educacional caminha muito além da instrução, envolvendo a capacidade de pensar, o poder criativo, a administração emocional, os saberes e viveres sociais, além de outros fundamentos. Tais restrições, entretanto, não impedem que se possa descobrir sistemas educacionais excelentes e outros que se aproximam de verdadeira tragédia. Entre os primeiros, sem dúvida, inclui-se a Coreia do Sul e, entre os últimos, tristemente temos que reconhecer a posição brasileira. Além dessa posição extrema, é interessante comparar os dois países, uma vez que há cinquenta anos se encontravam em um mesmo patamar, tanto do ponto de vista educacional como do social e econômico. Hoje a Coreia do Sul simboliza modelo coerente de um progresso material fantástico, uma economia vibrante e resultados educacionais que a colocam na frente, sejam quais forem os parâmetros a que seus estudantes sejam submetidos.

Comparar os dois países é como assistir a uma peça teatral de dois atos: o primeiro passado em 1955 e o segundo em 2015. Há sessenta anos, Coreia do Sul e Brasil eram modelos claros de países subdesenvolvidos, prisioneiros de índices sociais alarmantes e com taxas de analfabetismo entre 30% e 40% da população adulta. Naqueles tempos, a renda per capita sul coreana nivelava-se a padrões africanos e, nesse aspecto, perdia feio para o Brasil, que possuía renda duas vezes maior. Pois bem, deixa-se o passado e chega-se a este presente que a todos os brasileiros apavora.

Descobre-se, então, um Brasil ainda atrasado, atolado por diferenças sociais que mesmo com caras e pesadas maquiagens são gritantes, portador de índices de desenvolvimento social e econômicos trágicos, com parcela enorme de sua população analfabeta, mas inventor de uma falácia que denomina “alfabetização funcional” e esconde uma vergonha que só nós sabemos tamanho e preço. Comparando-se ontem e agora, a situação da renda per capita se inverteu, e a Coreia do Sul exibe mais que o dobro da renda brasileira, com índices socioeconômicos típicos de país rico. O que aconteceu? O que levou o Brasil a uma estagnação que não consegue esconder mesmo com a demagogia barata deste ufanismo caipira que teima em fazer de conta que a corrupção vergonhosa é crítica de uma inconformada oposição? A resposta todos sabemos.

É claro que a estagnação de um e a prosperidade de outro não se amparam em razões apenas de ordem educacional. A verdade é que a Coreia do Sul apostou em investimentos educacionais maciços e contínuos, enquanto os brasileiros passaram décadas fazendo discursos e inventando slogans. Ainda bem que estamos nos transformando em “Pátria educadora”.

Artigo publicado na edição de setembro de 2015

Imagem: Designed by Freepik

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