Estamos em 2030, ou data próxima, e dois velhinhos conversam, revivendo lembranças: “Você se lembra do tempo das locadoras de vídeos? Que saudade...”. O outro responde: “Como não lembrar? Mas não apenas as locadoras deixaram de existir. Está lembrado que naqueles bons tempos ainda existiam cooperativas de táxis, bibliotecas em edifícios, editoras de livros impressos em papel? Tudo virou fumaça, liquefez-se pela modernidade”. “É mesmo”, comenta o primeiro. E completa: “Havia até prédios escolares. Imagine que se pensava que as escolas de antigamente sobreviveriam às mudanças tecnológicas. Quem diria? Tudo isso é lembrança e passado e, quando nossa geração se for, nem os mais novos terão essas lembranças”.

Talvez a cena descrita jamais aconteça e talvez não seja exatamente em 2030, mas é certo que o conteúdo dessa conversa prosaica se manterá e que a modernidade imposta pela tecnologia haverá de acabar com essas instituições e outras, muitas outras. As locadoras de vídeo cederam espaço à conquista de filmes virtuais, encomendados ou baixados on demand; as outrora poderosas cooperativas de táxis desfazem-se com aplicativos que aproximam cliente e fornecedor e nada cobram ou impõem e, certamente em pouco tempo, as editoras especializadas em livros impressos, os vetustos edifícios de bibliotecas materiais e as escolas convencionais serão sepultadas por formas mais modernas, acessíveis e muito mais baratas, disponibilizadas a quem buscar sua essência.

Não mais haverá o privilégio de um saber confinado e os altíssimos custos de uma manutenção desnecessária. As escolas tal como hoje as conhecemos serão desfeitas e a oferta de um ensino acadêmico ou profissionalizante de alto padrão se implantará pela nova onda da revolução trazida pela internet. Com a interação do cérebro com aparelhos digitais, a capacidade cerebral se ampliará e a aprendizagem antiquada e ainda atrelada a técnicas convencionais nada mais será que triste lembrança na conversa de velhinhos, como que se alegrando com a substituição de purgantes e lavagens por antibióticos e da invasão e mutilação mecânica do corpo humano por bisturis metálicos, substituídos por novas e auspiciosas cirurgias a laser. No contexto dessas certezas, fica a pergunta: E nessa mudança toda, como fica o professor e sua aula?

É evidente que rapidamente deixará de existir o antiquado transmissor de informação. E nessa mesma escala desaparecerá a aula convencional, substituída por formas de apresentação que envolva aprendizagens efetivamente ativas e olhares desafiadores para o futuro, que motivarão estudantes para analisar e aplicar o que aprenderam. Cairá por terra, finalmente, este modelo ultrapassado de escola de hoje, em que aulas tradicionais e expositivas – que sempre foram excelente estratégia de se ensinar, pois alcançam muitos simultaneamente –  serão vistas como maneira escabrosa e antiquada de aprender.

Não creia que essas ideias sejam pensamentos lúgubres de um velho professor. Mude o olhar e depressa perceberá que esses sinais estão vivos e marcantes ao seu redor, em cada espaço e em todos os minutos.

 

Artigo publicado na edição de dezembro de 2014.

+ Educação
Assine a newsletter mensal e gratuita +Educação e receba ainda mais conteúdo no seu e-mail!