A palavra “planejamento”, em educação, apresenta diversos sentidos. Envolve, por exemplo, a atividade reflexiva de uma equipe docente sobre como distribuir pelos dias do ano letivo as tarefas múltiplas nas quais alunos, professores e outros atores do cenário educacional buscarão suas metas de aprendizagem e progressiva transformação. A mesma palavra, entretanto, envolve a ação especificamente do docente sobre como este distribuirá, pelas aulas prováveis do ano que começa, seus ensinamentos, suas provas, suas avaliações e atividades, que abrigam diferentes competências e múltiplas habilidades. Não vamos, neste breve texto, abordar nenhum dos dois sentidos usuais de um planejamento, mas sugerir como deverá ser o “planejamento” a ser refletido pelos pais, para que seus filhos possam se adaptar aos desafios de um ano letivo e para o qual se busca muito além da aprendizagem significativa – a superação de desafios de relacionamento interpessoal, o domínio de competências que possam “materializar” o que se aprendeu e, principalmente, fazer com que os filhos, mais que a ambição de apenas “ter mais”, possam crescer na certeza de que a cada dia podem “ser mais”.

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Não dá para esquecer que os resultados dos alunos brasileiros nas provas do último Enem são, no mínimo, assustadores. Como as estatísticas falam bem mais alto que os discursos, vale reafirmar que 6.193.565 estudantes fizeram o exame em 2014 e, para citar apenas um de seus indicadores, na prova de redação, apenas 250 obtiveram a pontuação máxima e 8,4% conquistaram ao menos 70% dos mil pontos, isto é, demonstraram que podem se exprimir razoavelmente bem na língua portuguesa. Olhando-se pelo avesso, mais de meio milhão de alunos (8,5%) obtiveram nota zero, ou seja, não sabem se expressar por escrito na única língua que poderiam falar. Esses resultados, longe de configurarem uma situação específica de uma disciplina, são praticamente similares em todos os outros campos do conhecimento.

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Qual o melhor sistema educacional do mundo? Resposta difícil. Em primeiro lugar, é preciso admitir que os países, assim como as pessoas, têm identidades diferentes, que tornam as comparações complicadas. Existem, entretanto, algumas pistas para tentar responder à questão. Avaliações educacionais internacionais como o Pisa são aplicadas periodicamente e chegam a estabelecer rankings com os países que mais e menos se destacam pelos resultados de seus alunos, sobretudo na capacidade de compreensão de textos e domínio dos fundamentos lógico-matemáticos.

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A mentira é um problema asqueroso. Uma ridícula invenção humana que nos faz inferior a qualquer animal. A falácia é ainda pior que a mentira descarada, pois é uma mentira enrustida, disfarçada em verdade. A educação brasileira, e isso não é novidade, sempre se cercou de uma porção de mentiras que chateia, mas, pior ainda, reúne diversas falácias que são, com frequência, proclamadas como verdades. Quer ver?

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Godofredo tem oito anos e é uma criança triste. A mais triste entre as crianças que conheço e sua tristeza advém do fato de ser uma criança pobre, muito pobre. Sua casa, em condomínio de alto luxo, é verdadeiro palácio, farta em espaços abertos e jardins coloridos, piscinas e cascatas decorativas, escadarias de mármore que interligam espaços arquitetônicos que parecem infinitos. Mas nada disso importa no infortúnio que marca a vida de Godofredo, pois sua maior riqueza viria dos amigos com os quais sonha e não tem. Um amigo ou uma amiga mais ou menos de sua idade com o qual pudesse compartilhar a bola de futebol que jamais saiu do embrulho de quando a recebeu de presente; amigo ou amiga, não importa, com quem pudesse dividir o correr e o pular, o mergulhar e o saltar, sonhar fantasias que crianças comuns imaginam e pendurar-se em árvores para devorar mangas e ameixas que gostaria de comer sem nem mesmo lavar. Um amigo ou amiga mais velhos, aos quais pudesse chamar de mamãe e papai, ou ainda titia ou vovô, dos quais pudesse ouvir histórias impossíveis, que só antigamente costumavam ser contadas. Amigos que mais ouvissem do que falassem e com os quais poderia dividir sonhos e surpresas, segredos e encantamentos.

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Quando fanaticamente se torce por uma equipe de futebol ou seleção nacional e esse time ou seleção é derrotado, somos literalmente esmagados também. A visão fanática do torcedor apaixonado nunca foi e nunca será capaz de perceber a sutil linha que separa aqueles que muito amam e a si mesmo. Quando o Brasil, na última Copa do Mundo, foi ridicularizado por derrotas insanas, para o torcedor comum a perda representou um sentimento de mágoa ou tristeza, como se fosse murmurado “Que pena, queria tanto que o Brasil subisse ao pódio e, envergonhado, descubro-o abatido e humilhado”. Mas não é isso que se passa, nem por breve momento, na cabeça do fanático, pois inexiste o poder da transferência e ele, e não seu país, perdeu, ele, e não a seleção pela qual torce, foi humilhado pela vergonha. É evidente que muitos fanáticos detestam ser fanáticos e, com uma ponta de inveja, até admiram os mais sábios que são capazes dessa essencial separação entre o eu e a paixão.

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Durante muito tempo acreditou-se na aula expositiva. Pensava-se que o discurso docente, repleto de conteúdos que deveriam ser memorizados, era a forma mais adequada e eficiente para que as pessoas aprendessem. Impossível negar que essa concepção de ensino tivesse alguns méritos, pois era tempo em que se confundiam erudição com sabedoria, citações retidas na lembrança como prova irrefutável de eficiência. Como era essa uma fórmula universal do que se acreditava ser aprendizagem, a avaliação das pessoas pautava-se pela busca de quem mais claramente possuísse e demonstrasse esses requisitos.

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Gabriela e Rafael estão matriculados na mesma escola. Ela, no 1º ano do ensino médio, ele, no 7º ano do ensino fundamental. Temperamentos diferentes – ela é ousada, crítica e contestadora, Rafael, bem mais tímido, é extremamente irônico, ainda que esperto e dotado de alegria interior escrita apenas em seus olhos brilhantes. Contam com a sorte e o privilégio de serem alunos de uma das escolas brasileiras em que os ensinos fundamental e médio funcionam em tempo integral. Amam a sua escola com aquele amor incontido, que apenas crianças inteligentes e adolescentes ousados atrevem-se a sentir.

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Estamos em 2030, ou data próxima, e dois velhinhos conversam, revivendo lembranças: “Você se lembra do tempo das locadoras de vídeos? Que saudade...”. O outro responde: “Como não lembrar? Mas não apenas as locadoras deixaram de existir. Está lembrado que naqueles bons tempos ainda existiam cooperativas de táxis, bibliotecas em edifícios, editoras de livros impressos em papel? Tudo virou fumaça, liquefez-se pela modernidade”. “É mesmo”, comenta o primeiro. E completa: “Havia até prédios escolares. Imagine que se pensava que as escolas de antigamente sobreviveriam às mudanças tecnológicas. Quem diria? Tudo isso é lembrança e passado e, quando nossa geração se for, nem os mais novos terão essas lembranças”.

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A autonomia é qualidade invejável em qualquer adulto, mas impressiona muito mais e melhor quando ocorre na infância. Uma criança dotada de autonomia depende dos adultos apenas para o que é essencial à sua idade e, assim, sabe brincar, fazer amigos, resolver problemas, o que a faz feliz. Impressiona pelo empreendedorismo e pela segurança, visto que é sempre capaz de se sair bem em situações intrincadas, de fazer de sua solidão um momento de alegria, maturidade e criatividade. A autonomia infantil, entretanto, não é característica de caráter programada pelos genes e, dessa forma, é progressivamente conquistada quando cercada de pais e professores que fazem da educação para a autonomia um procedimento respaldado pela neurociência.

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